O tal Fundo Soberano do Brasil, anunciado e adiado várias vezes, vai mudar de novo – e mudar da água para o vinho. Agora, será constituído em reais e terá uma finalidade fiscal, ou seja, de controlar as contas públicas.
Essa foi a versão dada pelo senador Aloizio Mercadante, depois de encontro, hoje, com o ministro Mantega e o deputado Antonio Palocci, ex-ministro da Fazenda que consolidou a política econômica no primeiro governo Lula.
Trata-se de uma mudança total em relação à última versão do Fundo, apresentada por Mantega: seria constituído em dólares para sustentar atividades de empresas brasileiras no exterior.
Na versão-Mercadante, o governo agora vai aumentar o superávit primário (economia para pagar juros) e colocar tudo em um fundo em reais. E vai fazer o quê com esse dinheiro?
Bem, se tiver a “finalidade fiscal”, só pode ser para pagar juros, abater a dívida interna e, assim, melhorar o perfil das contas públicas.
Se não houver nenhuma outra versão, esta última é bem melhor que as anteriores.
Mas o melhor mesmo seria esquecer o Fundo e simplesmente aumentar o superávit primário e o pagamento de juros, de modo a zerar o déficit geral das contas públicas. E para isso, seria melhor ainda uma redução nas despesas do governo.
Agora, vejam como está a gestão da política econômica. No mesmo momento em que se fala em aumentar a economia e pagar mais juros, se fala em criar a nova CPMF para gastar mais. . .
Carlos Alberto Sardenberg
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