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sábado, 29 de setembro de 2007

Mais sobre a privatização

O post abaixo - que tratou da melhoria da Vale do Rio Doce e da necessidade de privatizar as outras empresas estatais listadas em bolsa - levantou diversos comentários dos leitores. É pertinente, portanto, voltar ao tema.

a) a privatização das telefônicas.

Sem dúvida alguma, todo cidadão que mora em São Paulo e tinha um telefone em 1998 tem pelo menos uma história horrorosa para contar sobre a época em que a Telesp foi vendida aos espanhóis da Telefónica (eu mesmo tenho duas). Concordo que as coisas poderiam ser muito, mas muito melhores em termos de serviço (que é ruim) e preço (que é alto). Concordo também que a empresa não é um bom exemplo de governança corporativa na bolsa, pois sequer aderiu ao Nível 1 de governança corporativa. Mesmo assim, lembro-me que um de meus tios teve de brigar na justiça para ter o direito de usar a linha telefônica de meu avô, quando este faleceu. Não havia telefones, ponto. Hoje há. O serviço é ruim e caro, mas pelo menos há mais telefones do que havia antes.

b) a privatização do setor elétrico

Mesmo com a privatização de 1996 e 1997, os brasileiros e brasileiras tiveram de acender velas em 2001. Não foi um despertar de fé, mas o temor do apagão. O Brasil não gerava energia suficiente para sua demanda. "Mas o setor elétrico não foi privatizado?" Foi, sim - em parte. O que os governos venderam foram basicamente as distribuidoras, que se limitam a distribuir (como o nome já diz) a energia para milhões de consumidores. O governo vendeu o varejo, que não "produz" energia. As geradoras permanecem estatais. E permanecem com problemas - falta de recursos de longo prazo, insegurança jurídica que afasta os pesados e longos investimentos característicos da geração de energia.

Fala-se em um novo apagão em 2010 ou 2011. Se ele de fato ocorrer, seus efeitos serão menos danosos do que os de 2001. Escolados, os empresários já investiram em pequenas estruturas geradoras privadas, para reduzir a dependência da energia estatal.

c) as concessões de rodovias

Os pedágios são caros, sim. Moro em São Paulo, e se quiser molhar os pés no Oceano Atlântico terei de cruzar os cerca de 70 quilômetros que me separam da praia mais próxima. Pagar mais de 15 reais para isso é muito. Mesmo assim, lembro da inauguração da Rodovia dos Imigrantes, em janeiro de 1974 (ser quarentão tem suas vantagens). Falava-se de uma segunda pista a ser construída até 1977. A pista foi inaugurada 25 anos mais tarde, em 2002, quatro anos depois da concessão da Imigrantes à iniciativa privada. E isso não quer dizer apenas lazer para os paulistanos, mas mais eficiência na interligação entre a maior cidade e o principal porto do Brasil.

d) os bancos

Pouca gente conhece uma empresa estatal chamada Emgea. É a sigla para Empresa Gestora de Ativos. Em 1996, o governo federal realizou um pesado saneamento no Banco do Brasil e na Caixa Econômica Federal. Os dois bancos públicos reconheceram a podridão variada em suas carteiras de empréstimos agrícolas (os usineiros tão gratos ao BB) e imobiliários (a quebra do Banco Nacional da Habitação, que foi bater nas costas da Caixa). Esses bancos receberam títulos públicos bons pelos créditos podres, que foram tirados dos balanços e lançados na Emgea.

Continua em Blog do Investidor

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