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quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

ADR DE EMERGENTES SOFREM COM A AMEAÇA DE RECESSÃO

Apesar de ser considerada a economia mais aquecida entre os países emergentes, a China não foi poupada pelas fortes quedas dos mercados acionários provocada pela expectativa cada dia mais presente de uma recessão americana - puxada pela crise no sistema de crédito dos Estados Unidos. Os ADRs (recibos de ações) das companhias chinesas negociados nas bolsas americanas, perderam mais que os do Brasil.

De acordo com os índices de ADR calculados pelo The Bank of New York, o do Brasil registrava queda no ano de 19,14% e o da China acumulava retração de 20,41%, a segunda maior perda entre os emergentes do chamado grupo dos Brics (Brasil, Rússia, Índia e China). A Rússia tinha o pior índice de ADR, com desvalorização de 21,09%.

Analistas afirmam que a saída de investidores da bolsa chinesa supera, inclusive, os cerca de US$ 2,2 bilhões que saíram da Bovespa (até o dia 18 último). A China possui atualmente uma das economias que mais crescem no mundo. A média de crescimento econômico do país nos últimos anos é de quase 10%. Uma taxa superior à das maiores economias mundiais, fazendo do país a quarta maior economia do mundo.

Segundo Marco Melo, diretor responsável pela área de pesquisa da Ágora Corretora, as vendas refletem uma antecipação pelos investidores de uma possível desaceleração do PIB chinês, cuja expansão está prevista entre 10% e 11% este ano. Uma mudança na curva de crescimento da economia americana afeta diretamente a balança comercial chinesa e os investidores estão precificando isso, afirma Melo.

A Rússia negocia basicamente ações de companhias petrolíferas e de alguns bancos, dois setores diretamente afetados pela crise americana. O mercado de ações russo já vinha sofrendo com a possibilidade de queda da demanda por petróleo, decorrente das elevações contínuas de seus preços, desde 2006. A situação se agravou com as perdas anunciadas recentemente pelos bancos americanos, que afeta o setor como um todo, conforme Melo. A Rússia é um dos maiores exportadores de petróleo do mundo - possui as maiores reservas provadas do planeta.

Entre os Brics, o índice da Índia foi o menos afetado, mas também está com perda (-14,73%). "A Índia tem uma economia de serviços. Exporta serviços e cérebros", afirma o diretor da Ágora. O segmento de tecnologia está entre os de maior crescimento no mundo, mas já começou a ser afetado. A Apple, empresa multinacional norte-americana que atua no ramo de aparelhos eletrônicos e informática, divulgou guidance (projeções) de vendas fracas no primeiro trimestre deste ano.

O Brasil deve ser afetado por uma recessão americana. Mas conta com a vantagem dos bons fundamentos internos, além da expectativa do "investment grade" do País ainda este ano. Os investidores têm revisto esses fundamentos na medida que em são ameaçados pela crise dos EUA. (Gazeta Mercantil)

Arquivo Etc

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