Presidente do Banco Central afirma que a crise na economia norte-americana deverá reduzir em até um ponto percentual o crescimento do Brasil
O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, reconheceu ontem na reunião ministerial, que a crise na economia americana pode afetar as previsões de crescimento econômico do Brasil para 2008. Admite que essa queda pode ser de meio ponto a um ponto percentual sobre o PIB (Produto Interno Bruto). “Deixaríamos de ter um crescimento excepcional, mas continuaríamos com um desempenho muito bom”, disse aos ministros. Em 2007, a expansão do Produto Interno Bruto (PIB) foi de cerca de 5%, segundo estimativas do governo e do mercado financeiro. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva elegeu como prioridade a manutenção ou ampliação desse percentual, o que pode ajudar a melhorar os indicadores sociais do país e render dividendos nas próximas eleições municipais e presidenciais.
Meirelles apresentou o diagnóstico durante seu discurso de cerca de 10 minutos na reunião ministerial. O objetivo era passar uma mensagem tranquilizadora à equipe, mas depois do encontro, integrantes do governo manifestaram, em conversas reservadas, preocupação com a possibilidade de o cenário traçado pelo presidente do Banco Central repercutir mal entre os empresários, inibindo novos investimentos na produção e em infra-estrutura. “Não foi uma boa estratégia”, disse um dos participantes da reunião. “Falar em queda no crescimento agora é precipitação”. Já o líder do governo na Câmara, Henrique Fontana (PT-RS) foi diplomático. “Ele nos tranqüilizou com responsabilidade”, disse.
Solidez
Escalado para falar em substituição ao ministro da Fazenda, Guido Mantega, que não pôde participar do início da reunião, Meirelles afirmou que a economia brasileira tem hoje uma solidez não verificada em décadas passadas. Para amparar o discurso otimista, lembrou que a pauta de exportações é diversificada, graças à política externa do governo, cabendo aos Estados Unidos responderem apenas por cerca de 15% das vendas ao exterior. Ele citou ainda as reservas internacionais de US$ 185 bilhões e o aquecimento do mercado interno, puxado, entre outros, pelo crescimento do emprego formal e do crédito.
Apesar do cenário róseo, Meirelles fez questão de ressaltar que ainda não é clara a dimensão da “forte” crise nos Estados Unidos nem se ela afetará o Brasil. Ele ressaltou, por exemplo, que bancos chineses detentores de títulos públicos americanos já acusaram o golpe da turbulência nos mercados. Por isso, alegou ser fundamental monitorar o caso a fim de evitar eventuais impactos negativos na economia nacional. “Ele disse que o momento é de serenidade, mas deixou claro que é preciso ficar atento porque a crise não é de um país qualquer”, declarou o ministro de Relações Institucionais, José Múcio Monteiro. (Correio Braziliense)
Arquivo Etc

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