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terça-feira, 1 de julho de 2008

Dinheiro e o silencioso som da disciplina

Quanto é ser muito rico?Marta comenta: “Navarro, li alguns livros indicados aqui e muitos dos artigos que escreve. Percebo sempre a forte ênfase à necessidade de disciplina e planejamento, atividades que, segundo seus textos, são fundamentais para que haja poder de investimento e futuro. Será que pode dar alguns exemplos mais tangíveis de disciplina financeira[bb] e quais seus reais diferenciais? Muito obrigada.”

Resumir o poder da disciplina é um desafio e tanto para alguém tão novo como eu. Vamos lá, que tal encarar a disciplina como o algo mais capaz de nos manter na rota determinada, ainda que “excelentes oportunidades” ou percalços apareçam durante a trajetória? A afirmação soa textual, abstrata demais? Continue lendo, por favor.

Que fator é essencial para que uma pessoa pare de fumar? Força de vontade? Perceba que ao traçar o objetivo, a caminhada até ele passa a ser um reflexo de nossas atitudes e decisões, o que implica grande dose de, advinhe, disciplina. Não se assuste com a “fumaça” levantada aqui com o cigarro, afinal usar o exemplo-padrão facilita a compreensão da idéia e torna simples a ponte necessária para o aspecto financeiro.

Onde começar?
No objetivo. Ah, claro, estamos no Dinheirama e portanto seu objetivo é ficar rico, atingir a incrível marca de um milhão de reais. Acertei? Bingo! Pois bem, o objetivo está traçado. O André, um velho conhecido, quer a mesma coisa. Quando pretende atingir o sonhado valor? Como chegar lá? A realidade é que não interessa quanto de dinheiro[bb] você tem hoje ou quanto poderá poupar e investir durante o ano. O ingrediente principal é, advinhe, a disciplina.


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segunda-feira, 30 de junho de 2008

A simples realidade da tributação brasileira

O Brasileiro e os impostosO Brasil é conhecido mundialmente por centenas de coisas positivas, como a rica mistura cultural, a hospitalidade e, de uns tempos pra cá, pelo bom ambiente para os negócios[bb]. Ops, a palavra-chave negócios, independente do momento, é também responsável por aquele que é tido como um dos mais graves entraves ao crescimento do país: a alta carga tributária. É imposto para todo lado, para tudo e para todos.

Empresário ou apenas consumidor, o brasileiro reclama dos altos impostos cobrados em produtos e serviços. Com razão. O país, seja no âmbito municipal, estadual ou federal, arrecada muito, mas parece pouco eficiente na utilização desses recursos. Você sabe quanto os impostos representam ao fazer suas compras? Quanto do valor do carro popular zero quilômetro é tomado pelos impostos? E uma simples lata de refrigerante?

Isso traz outro questionamento importante: em se tratando de impostos, será que os governos fazem bom uso da arrecadação? O exercício de cidadania proposto a partir destas perguntas faz falta aos empresários brasileiros que abrem seus negócios sem levar em conta o impacto tributário. O mesmo acontece com o simples consumidor. Afinal, quem somos nós diante dos impostos?

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sexta-feira, 27 de junho de 2008

Ainda o Título de Capitalização?

Ainda o título de capitalização?Ana comenta: “Navarro, estive recentemente com um dos gerentes de meu banco e ele me indicou um título de capitalização como investimento e poupança para o futuro. A chance de ganhar uma boa grana em sorteios, mais o dinheiro corrigido ao final do período, me animaram. Mas você não recomenda, não é? E agora?”

Ainda o título de capitalização? Vou repetir, usando negrito: título de capitalização não é investimento. As respostas matemáticas e financeiras que comprovam minha afirmação podem ser facilmente compreendidas através da leitura de dois artigos:

O que o banco realmente acha do título de capitalização?
Duas experiências em uma mesma agência bancária, para onde fui propositalmente investigar as “vantagens” do título de capitalização, demonstram a realidade dessa que é uma péssima alternativa de poupança, investimento[bb] ou acúmulo de capital.

“Que tal contratar um ‘SeiláoquêCAP’ para ajudar o banco?” Assim fui interpelado pelo colaborador no caixa, quando ele percebeu que ali se encontrava um potencial cliente para seu produto de capitalização. Ajudar o banco? Então eu abro minha conta em um banco para ajudá-lo? Realidade ou não, pelo menos a abordagem deveria ser contrária. O “SeiláoquêCAP” é bom para mim? O que eu ganho com isso? Quem se importa? Blah.

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segunda-feira, 23 de junho de 2008

Brasil, um país de endividados

Brasil, um país de endividadosOs últimos meses têm sido de muita agitação por aqui. Muito trabalho, muito estudo, muita leitura e muitos fatos. Adoro fatos! Acredito que através deles somos capazes de compreender a realidade que nos cerca e definir que medidas importantes devem ser tomadas para nos movermos, com o objetivo de deixar para trás os problemas. O brasileiro é um povo resiliente, que não desiste nunca, não é? Nem tanto.

Lutamos por melhores condições de vida e trabalho, somos guerreiros. É verdade. Lutamos pelas nossas famílias, para que possam viver dias melhores. Verdade. Nunca desistimos de lutar por nossos direitos e por melhores condições comerciais e financeiras nas negociações em que participamos. Ahn, eh, como assim? Se lutamos para pagar menos, pagar melhor, para viver dentro do orçamento, para ter dinheiro[bb] sempre? Blah, que nada!

Continuamos nos endividando de forma irresponsável, seja por pura ignorância financeira ou pela “armadilha do crédito fácil”, atualmente em voga na vida de todos nós. A manchete de ontem (22 de junho de 2008) do jornal Folha de S. Paulo, “Endividamento cresce 47% em 26 meses”, dá a dimensão do problema. De novo, a questão é grave e merece nossa atenção.

Vejamos o que alguns dados do Banco Central evidenciam (lembre-se, isso são fatos):

  • Mais de 15 milhões de clientes de bancos têm dívidas acima de R$ 5.000,00, número 47% maior que o medido em dezembro de 2005 e 13,6% maior que a marca alcançada um ano atrás;
  • São 80 milhões de clientes com alguma dívida, mesmo que pequena;
  • Cada consumidor tem, em média, 3 débitos diferentes (carro, casa e empréstimo);
  • O uso do rotativo do cartão de crédito (não pagamento integral da fatura) cresceu 30,4% nos últimos 12 meses, ficando atrás apenas do crédito consignado (crescimento de 31,9%);
  • A dívida das pessoas fisicas com os bancos somam R$ 442,4 bilhões. Desse total, 33% (R$ 146 bilhões) vencem em até 180 dias e 16,8% (R$ 74,7 bi) vencem em até 360 dias.
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quinta-feira, 19 de junho de 2008

O Brasil dos rankings, números e desafios

O Brasil dos rankings, números e desafiosDe uma forma geral, todos gostamos de rankings. É uma forma simples de entender e interpretar se vamos bem ou mal em determinada área. Seja nos resultados do vestibular, na tabela das melhores seleções da Fifa, nas classificações dos esportes[bb] profissionais ou no simples jornal do dia-a-dia, o ranking baliza e compara o universo de diversas entidades.

O Brasil figura em muitos rankings, mas nem sempre em posições interessantes e que mereçam nossos aplausos. O importante é que, independente dos resultados, os números sempre incitam reflexões. Que tal começar com as perguntas feitas por Yoshiaki Nakano, ex-secretário da Fazenda do Estado de São Paulo, em recente artigo publicado na Folha de S. Paulo:

“Será que algum dia o povo brasileiro poderá desfrutar do mesmo padrão de vida dos atuais países desenvolvidos? Quando, e como, vamos alcançar e ser tão ricos quanto os países desenvolvidos?”

Responder às perguntas é um desafio e tanto. Uma comissão internacional, liderada pelo Prêmio Nobel de Economia Michael Spence e apoiada pelo Banco Mundial encontrou 13 países que foram capazes de crescer 7% ao ano ou mais por 25 anos. O Brasil está entre eles, mas tal potencial esfriou a partir de 1980.

Em suma, o relatório aponta que:

  • Não fomos capazes de aproveitar o potencial dinâmico da economia global;
  • Descuidamos das exportações;
  • Não incorporamos a fronteira tecnológica nos negócios (inovamos pouco, criamos pouca tecnologia, registramos poucas patentes).

É certo que em estudos futuros - se computados os últimos anos - o Brasil sairá desse ranking. Nossa renda per capita cresceu à média de 0,5% ao ano durante os últimos 25 anos. Nos países desenvolvidos, esse índice cresce, em média, 2% ao ano há quase 100 anos. Nakano elogia a competência nacional e nosso poder de recuperação, mas alerta que:


“Para o Brasil alcançar os países desenvolvidos em 2050 (renda per capita de US$ 75.130), nossa renda per capita teria de crescer 5,3% ao ano. Para isso, o PIB teria de crescer mais do que 6% ao ano”

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terça-feira, 17 de junho de 2008

Ações e o mercado nacional: ontem, hoje e amanhã

O mercado de ações ao seu alcanceO mercado brasileiro se consolidou nos últimos anos e hoje representa excelente potencial, tanto para as empresas listas em Bolsa, quanto para os investidores que nelas investem. A afirmação soa bastante repetitiva, mas deve ser amplamente comemorada e incorporada. Segundo relato recente do jornal Folha de S. Paulo, o mercado brasileiro se igualou, proporcionalmente, ao dos países desenvolvidos.

Como assim? O que isso significa? Significa que o valor das empresas listadas na Bovespa se equiparou, em valores de 2007, ao tamanho do PIB brasileiro. Para os mais “numéricos”, as 450 empresas hoje listadas na Bolsa de Valores de São Paulo representam aproximadamente R$ 2,5 trilhões, valor próximo do PIB medido no ano passado: R$ 2,55 trilhões.

Tá, mas e daí? Evolução, transparência e uso das emissões de ações[bb] como ferramenta de negócios são alguns dos efeitos sentidos nesse grande avanço visto nos últimos sete anos. Em 2000, o valor das empresas - eram quase 500 naquela época - correspondia a apenas 37% do PIB nacional. Países desenvolvidos têm a relação entre valor da empresas e PIB próximos a 100%, situação que vivemos também hoje.

Fabricio Vieira, repórter que assina a reportagem da Folha, dedica um parágrafo inteiro à importância do mercado acionário e as razões para nos alegramos com sua evolução:

“As empresas lançam ações para levantar recursos, que posteriormente são utilizados para a realização de novos investimentos ou quitação de dívidas. Dessa forma, um país que tem um mercado de capitais fraco deixa de aproveitar uma relevante fonte de captação de recursos, forçando empresas a dependerem muito mais de empréstimos bancários”

O Brasil vai vencendo neste sentido e mostrando que seu mercado de capitais está maduro e parece bastante promissor. Segundo a Bovespa, em 1998 o Brasil possuía 599 empresas listadas em Bolsa. O número caiu para 381 em 2005. As 63 ofertas iniciais de ações (IPOs) ocorridas em 2007 ajudaram o número a crescer. Hoje, são 450 empresas de capital aberto listadas. O número deve crescer.

Atrair capital de qualidade, permitir que o próprio brasileiro financie e monitore o crescimento das empresas que movem o país e oferecer boas alternativas de investimento[bb] são razões suficientemente fortes para comemoramos o feito e aproveitá-lo. O brasil dos novos empreendedores e das startups de tecnologia está finalmente acontecendo? Para Eike Batista e a Ideiasnet parece que sim. Que continue assim!

Dinheirama

segunda-feira, 16 de junho de 2008

Consórcio - Nas entrelinhas, um mau negócio

Consórcio - Nas entrelinhas, um mau negócioGiba comenta: “Navarro, gostaria de ler um artigo ou mesmo uma breve resposta sua sobre a compra da casa própria através do consórcio. As prestações sempre são mais baixas que a dos financiamentos, o total pago ao final também, mas acho que tanto o lance quanto o sorteio são questões que parecem inviabilizar sua matemática para a maioria dos brasileiros. Estou certo? Obrigado.”

Contrariando a forma mais elegante com que escrevo o início de meus artigos, deixo claro que não sou fã dos consórcios, especialmente os imobiliários. Ah, sim, estou pronto para as pedradas! Matematicamente atraente, o consórcio esconde algumas armadilhas capazes de inviabilizar o negócio e transformá-lo em uma alternativa de compra mais cara que os usuais financiamentos via SAC e(ou) Tabela Price:

Armadilha 1: Sustentar a ilusão de que será sorteado rapidamente
O otimismo característico do brasileiro e sua fé inabalável são fatores emocionais perigosos quando o assunto é negociar um bem caro ou investir na casa própria[bb]. O brasileiro típico, que mora de aluguel, acaba entrando em um consórcio esperando ser sorteado ainda no primeiro ou segundo ano. Imagine que o prazo total do consórcio seja de 15 anos (comum) e as chaves saiam apenas no décimo ano. Vale a pena pagar o aluguel e a prestação até lá?

Armadilha 2: Encarar os valores das parcelas sem pensar no longo prazo
Um pouco de matemática* nos ajuda a ilustrar a questão. Suponha que o brasileiro do exemplo anterior paga R$ 500,00 de aluguel (reajustados anualmente) e que as prestações pagas no consórcio contratado são de R$ 1500,00 (também reajustadas). Caso ele seja contemplado somente no décimo ano, os números ficam assim:

  • Ele terá pago aproximadamente R$ 70 mil de aluguel;
  • Ele terá pago aproximadamente R$ 183 mil no consórcio.

Você deve estar se questionando sobre o uso de um montante como lance. Calma, falaremos disso na seguinte armadilha. Por enquanto, imagine que este cidadão decida aplicar, ainda que na poupança, os R$ 1500,00 do valor mensal das prestações. Ele teria, nos mesmos dez anos, aproximadamente R$ 260 mil. Usando alternativas mais interessantes (fundos mistos, ações[bb] etc), o valor passaria dos R$ 500 mil.

A realidade aqui nos brinda com duas conclusões óbvias(?):

  1. Poupando e usando os juros compostos a família pode comprar o imóvel antes do tempo total previsto pelo consórcio;
  2. O brasileiro em questão pode, dada sua capacidade poupança, deixar de pagar aluguel mais cedo se optar pela paciência e disciplina nos investimentos.

Armadilha 3: O lance
A verdade neste caso é simples: quem não tem dinheiro para dar um bom lance paga para poupar. Basta lembrar-se do exemplo dado no início do texto. Aquele parente que diz que “o consórcio é legal porque ficamos comprometidos com o pagamento e isso serve como poupança” está simplesmente assumindo sua incapacidade (ou preguiça) de gerir seu próprio dinheiro[bb].

Ele prefere entrar numa “poupança forçada” que custa caro - volte ao exemplo da segunda a

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segunda-feira, 9 de junho de 2008

CSS: Saúde no nome, retrocesso no ato

CSS: Saúde no nome, retrocesso no atoA mídia tradicional já deu excelente cobertura ao possível retorno do “imposto do cheque”, desta vez ainda mais carregado de “boas” intenções e argumentos “inteligentes”. Na semana passada rascunhei algumas palavras sobre o caso, mas não consegui dar desfecho ao texto. No entanto, não quero perder o bonde, a chance de contribuir com o debate.

A Contribuição Social para a Saúde (CSS), com alíquota de 0,1%, surge no debate como tentativa de incluir a saúde na agenda econômica do governo. As intenções, sempre fantásticas e de enorme apelo social, são as mesmas usadas na criação dos extintos(?) IPMF (Imposto Provisório sobre Movimentação Financeira) e CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira).

A prática? O governo usa o dinheiro[bb] arrecadado com a movimentação financeira dos brasileiros para fazer superávit primário, sem se dar ao luxo de cortar gastos da máquina pública - que crescem em ritmo ainda mais acelerado em 2008. Usam a saúde como justificativa para arrecadar mais, sem dar garantias palpáveis de que o dinheiro será mesmo usado para melhorar os serviços públicos de saúde.

A história está assim: mesmo com a extinção da CPMF, 2008 se apresenta como ano de arrecadação recorde para o governo. Ele, no entanto, insiste em gastar mal os recursos arrecadados e incita a criação de um novo tributo, a CSS. Mais dinheiro em caixa, estrutura pública inchada e má gestão sugerem que a arrecadação adicional é, no mínimo, desnecessária.

Há quem diga que o governo - leia-se Lula - está fingindo distância do assunto. Não é verdade. Lula desafia o Congresso a mostrar de onde virão os recursos para a Emenda 29 - que aumenta os recursos para a saúde -, criando um clima de “precisamos da CSS”. Precisamos? Povo ou governo?

Ah, sim, o responsável pela negociação é o ministro da saúde José Gomes Temporão, que fracassou na tentativa de priorizar e dirigir maior parte do orçamento para saúde. Restou a batalha pela CSS, por recursos extra máquina. Ministro de Lula, ele sabe que recursos assim (para emendas) só são liberados com anuência do presidente.

O artigo é uma crítica, não uma arma política. Critico, como critiquei no passado, o mal uso do nosso dinheiro e a criação desnecessária de tributos que emperram a livre movimentação de capital entre empresas e pessoas, fator motor de independência financeira[bb] e comercial. Não é nenhuma novidade que governos passados erraram de forma semelhante.

A CSS não tem razão para existir. É usar a saúde - agora até no nome do “imposto” - para conseguir dinheiro cujo uso será duvidoso, desviado e, mais uma vez, mal aproveitado. Meu, seu, nosso dinheiro. Mais tributos? Chega de criar isso ou aquilo, é hora de cortar, cancelar. Cortar gastos, cancelar acordos econômicos capengas. Pronto, falei, finalmente encontrei o desfecho ideal. Ufa.

Dinheirama

quinta-feira, 5 de junho de 2008

Carteiras e Ações Recomendadas - Junho 2008

Carteiras e Ações Recomendadas - Junho 2008A situação das commodities parece não incomodar a imensa maioria dos analistas de mercado, que ainda vêem ótimo potencial para investimentos em ações[bb] de empresas como Petrbrás, Vale, Usiminas e CSN. Exemplo do atual momento delicado, a Vale sofreu com a queda de metais e viu suas ações preferenciais (VALE5) valorizarem-se apenas 1,44% em maio.

Com os preços do petróleo em alta - e provavelmente diante de uma estabilização neste patamar - as acões preferenciais da Petrobrás lideram o ranking de recomendações, com 7 indicações e boas perspectivas. Apesar do Brasil ter conquistado o tão esperado grau de investimento, a volatilidade deve permanecer uma constante também durante o mês de junho.

Apenas as corretoras Geração Futuro e ABN Amro Real Corretora mantiveram suas recomendações do mês passado, deixando inalteradas suas sugestões. Interessante notar a entrada do ativo CNFB4 (Confab PN) na carteira da corretora Concórdia. Segundo seu relatório, há fortes chances de valorização do papel já que seu maior cliente, a Petrobrás, tende a aproveitar a alta do petróleo para realizar investimentos.

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terça-feira, 3 de junho de 2008

Inflação versus Investimentos Pessoais

Inflação versus Investimentos PessoaisMarcelo comenta: “Navarro, tenho conversado constantemente com meu gerente bancário sobre a inflação e seu poder corrosivo sobre meu dinheiro aplicado. Em alguns momentos concordamos, em outros divergimos. Ele insiste em garantir que muitos de seus produtos rendem (e renderão) juros reais positivos. Será que posso confiar nisso? Como anda a situação dos investimentos em relação à inflação? Obrigado.”

O comentário e a dúvida do leitor Marcelo ficaram guardados em minha caixa de mensagens por algum tempo (sua mensagem foi enviada em março deste ano). A razão da demora em comentá-la é simples: com a escalada dos preços iniciada no final de 2007, optei por aguardar ao menos cinco meses (janeiro a maio) para debater a evolução das aplicações e da inflação.

Os resultados assustam um pouco, é verdade, mas colaboram para a importante missão deste espaço: promover intensas conversas sobre dinheiro[bb], investimentos, economia e finanças pessoais. Aqueles que ainda não levaram em conta a inflação nos planejamentos certamente passarão a fazê-lo depois de observar a alarmante situação do dinheiro investido nestes primeiros meses do ano.

Que índice de inflação levar em consideração?
Sei que o índice usado como meta para o governo é o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), cujo acumulado dos primeiros cinco meses do ano deve estar próximo de 2,6% - valor estimado, já que o dado oficial ainda não foi divulgado. No entanto, prefiro usar como referência o IGP-M (Índice Geral de Preços de Mercado), cujo percentual acumulado até maio já alcança 4,8%.

Como eu, você deve estar se perguntando o seguinte:

  • Suas aplicações, tomados estes mesmos cinco meses, foram capazes de vencer a inflação?
  • Por que devemos nos preocupar com isso?
  • Que investimentos podem melhorar o retorno em relação à inflação?
  • Esta alta deve perdurar ou é um fenômeno passageiro?

Segundo dados cruzados pela Anbid, Cetip e Valor Data, o percentual de rentabilidade nominal (sem contar a inflação) dos investimentos, até quase o fim de maio, está assim:

  • Poupança: 2,9%
  • CDB: 4,5%
  • Fundo Referenciado DI: 4,2%
  • Fundo de Renda Fixa: 4,5%
  • Ibovespa: 13%
  • Fundo Ações Ibovespa Ativo: 8,4%
  • Fundo Multimercado com Renda Variável: 3,2%
  • Fundo Multimercado sem Renda Variável: 3,8%
  • IGP-M: 4,8%
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quinta-feira, 15 de maio de 2008

Livro: Previsivelmente Irracional

Livro: Previsivelmente Irracional
Autor: Dan Ariely
Editora: Campus
Páginas: 304
Preço médio: R$ 44,00
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Como as situações do dia-a-dia influenciam as nossas decisões. Você deve se lembrar de inúmeras situações em que “lutou”, ainda que inconscientemente, contra seu lado racional. Diante de uma oferta “imperdível”, do desejo de começar (e terminar) uma dieta, da chance de mudar algumas atitudes em sua vida. O esforço é sempre enorme, mas será que dá certo?

“Previsivelmente Irracional” desvenda os segredos de nossas decisões. Decidi resenhá-lo porque lidar com dinheiro significa, muitas vezes, tomar decisões irracionais e inconsequentes. Não precisa ser assim. Em capítulos dedicados às reações das pessoas diante das finanças domésticas e ofertas do varejo, Dan Ariely, professor de economia comportamental no MIT, descreve inúmeras pesquisas que comprovam nosso inconsciente movimento rumo à irracionalidade.
Descobrir, através das conclusões de Ariely, que somos tão previsíveis é um pouco perturbador. Nossas ações e respostas diante dos desafios cotidianos são reflexos de nosso comportamento enquanto pessoas. Mas como saber e medir a influência do ambiente, do meio, das pessoas ou da cultura?

“A vida é complexa, com uma multiplicidade de forças que exercem influências simultâneas sobre nós, e essa complexidade dificulta um cálculo exato de como essas forças geram nosso comportamento”
Irracionalidade nos negócios
As empresas e profissionais responsáveis pela criação de ofertas e propagandas sabem e compreendem muito bem nossa queda pelo irracional. Uma vitrine pode mostrar produtos de forma aleatória, mas pode também representar inúmeros convites à decisões irracionais. O livro demonstra essa realidade através de extensos estudos, não é Prof. Ariely?

“Os humanos raramente fazem escolhas absolutas. Não temos um medidor interno de valores que nos informe quanto vale cada coisa. A maioria não sabe o que quer, a não ser que o veja no contexto”

Então as empresas dispõem seus produtos e serviços já pensando no que vamos escolher, segundo a previsibilidade de nossas decisões? Que interessante. Então consumimos tanto assim porque não compreendemos o poder e a influência do nosso próprio comportamento? Esta é uma descoberta e tanto, pelo menos para mim. Dan usa um exemplo simples:

“Os pratos principais caros do cardápio aumentam a receita dos restaurantes - mesmo que ninguém os compre. Por quê? Porque, embora os clientes geralmente não comprem o prato mais caro do cardápio, pedem o segundo mais caro (que pode ser elaborado para gerar uma margem de lucro mais alta). Somos induzidos, conduzidos”

O perigo da excitação
Decisões tomadas no calor de uma discussão ou em meio a excitantes experiências quase sempre mostram-se inadequadas, precipitadas ou mesmo erradas. Alguma novidade? Se é óbvio, por que ainda insistimos em cair nestas armadilhas? Ariely criou e relatou experiências fantásticas para definir o poder da excitação em nosso dia-a-dia.

Você sabia, por exemplo, que um adolescente que dirige sozinho tem 40% mais probabilidades de sofrer acidente do que um adulto? Com outro adolescente dentro do carro, a porcentagem dobra - e com um terceiro adolescente no mesmo carro, a porcentagem dobra novamente.
Depois de analisar e investigar a irracionalidade, Dan concluiu que três comportamentos e atitudes são capazes de complicar nossa capacidade de discernimento e decisão:

Nos apaixonamos muito pelo que já temos;
Nos concentramos no que podemos perder, e não naquilo que podemos ganhar;
Presumimos que os outros vão encarar a transação da mesma perspectiva que nós.

Avaliação final
Entender como somos previsivelmente irracionais é ponto de partida para aperfeiçoar nossas decisões e melhorar nosso modo de vida. Repleto de experiências práticas e muitas conclusões empiricamente comprovadas, o livro traz lições importantes para aqueles que desejam investigar e compreender melhor seus próprios comportamentos.

Notas:
Linguagem e narrativa: 9
Exemplos práticos: 10
Temas abordados: 9,5
Preço: 8
Custo/Benefício: 9,2

Escrito com muito cuidado, “Previsivelmente Irracional” é, sem sombra de dúvida, um dos melhores livros que já li. Dan Ariely nos ajuda a repensar a maneira como agimos, através de relatos divertidos, muitos fatos e histórias reais. Pensando no seu dinheiro, por que às vezes nos surpreendemos comprando coisas de que não precisamos? Leia o livro e descubra.
Recomendo!

Dinheirama

quarta-feira, 14 de maio de 2008

EBITDA: Indicador Importante para o Investidor

Muitos termos técnicos começam a fazer parte de nosso dia-a-dia a partir do momento que decidimos mergulhar de cabeça no mundo dos investimentos. Conhecer de perto o que representam esses termos e siglas pode facilitar a avaliação de algumas empresas na difícil tarefa de encontrar bons fundamentos e negócios.

Um indicador financeiro bastante utilizado pelas empresas de capital aberto e pelos analistas de mercado é o chamado EBITDA, também conhecido como Lajida, cujo conceito ainda não é claro para muitas pessoas. A sigla corresponde a Earning Before Interests, Taxes, Depreciation and Amortization, ou seja, Lucro Antes dos Juros, Impostos, Depreciação e Amortização.

O EBITDA representa a geração operacional de caixa da companhia, ou seja, o quanto a empresa gera de recursos apenas através de suas atividades operacionais, sem levar em consideração os efeitos financeiros e de impostos. Por isso, alguns profissionais chamam o EBITDA de fluxo de caixa operacional. Difere do EBIT, conhecido como o lucro na atividade, no que se refere à depreciação e amortização.

A importância do EBITDA
A utilização do EBITDA ganhou importância porque analisar apenas o resultado final da empresa (lucro ou prejuízo) muitas vezes não ilustra bem o potencial de desempenho em um dado período, já que muitas vezes os dados finais são influenciados por fatores difíceis de serem mensurados. Popularizada nos EUA dos anos 70, a análise através do EBITDA é muito comum também por analistas brasileiros, especialmente aqueles voltados para o mercado de ações.

O brasileiro não liga para o seu futuro?

Semana passada participei de um debate sobre independência financeira e planejamento para o futuro. O papo foi ótimo e perceber que cada vez mais jovens se preocupam com isso foi um grande alívio. Ontem, passado o calor da discussão, recebi um telefonema de um amigo que também participara do evento: “Navarro, confira o caderno de investimentos do jornal Valor Econômico“.

Começo a procurar por uma reportagem relacionada ao tema da discussão e, na página D2, finalmente me deparei com a razão de sua preocupação. “Brasileiro é ótimista com relação ao seu futuro financeiro” é a manchete. Cheguei a pensar que a reportagem fosse também demonstrar a evolução vista no debate. Ledo engano.

“O brasileiro de meia-idade não se preocupa com a sua aposentadoria, mas acha que, de algum modo, em sua fase pós-trabalho terá dinheiro para bancar uma situação tão confortável quanto a atual ou até melhor. E, mesmo com as constantes reduções do benefício social, o brasileiro ainda acredita que o governo será a principal fonte de renda para essa sobrevivência confortável”
Essas são as primeiras palavras do texto assinado por Danilo Fariello e baseados em uma pesquisa realizada em 25 países (com 21 mil pessoas entre 40 e 79 anos) e organizada pelo Oxford Institute of Ageing a pedido do HSBC. Vejamos:

45% dos entrevistados ainda não pensaram em sua aposentadoria;
32% esperam um padrão de vida melhor que o atual quando se aposentarem;
30% esperam um padrão de vida semelhante ao atual;
48% não se preocupam em conseguir sobreviver financeiramente na aposentadoria. Tudo vai se resolver.

Vamos recapitular? Um sem número de brasileiros ainda não pensa no que deve fazer hoje para garantir um futuro financeiro tranqüilo. Ainda assim, acreditam que a aposentadoria virá acompanhada de um padrão de vida igual ou melhor que o de hoje. Mais, esperam do governo essa mágica oportunidade. Socorro!

A passividade descrita pela da pesquisa me assustou, confesso. A questão do planejamento e dos objetivos de longo prazo é muito séria. Óbvio, não é ? Pois é, também vejo a população de acordo com essa afirmação. Mas onde está a prática? Onde ficam a atitude e o comportamento diante da necessidade de criar nossas oportunidades futuras?

Com a expectativa de vida crescendo, ficará cada vez mais complicado contar com a Previdência Oficial. Como esperar um padrão de vida melhor se não levarmos em conta as mudanças da economia e as alternativas de investimento disponíveis? A realidade dos números levantados nas entrevistas é perigosa, mas reflete uma ótima oportunidade de mudança. Vamos assumir, agora, a responsabilidade por nosso futuro?

Dinheirama

terça-feira, 13 de maio de 2008

Você pode ser seu problema financeiro

Qual é o seu problema? Por que fazer o dinheiro sobrar e trabalhar para você? Estas são algumas perguntas que comumente faço em apresentações e consultorias. A primeira, incisiva e objetiva, gera as mais diversas reações. A segunda, mais profunda e que envolve objetivos e metas pessoais, sempre vem acompanhada de um breve silêncio. Como você reagiria diante destas perguntas?
O texto de hoje discute o instinto de defesa que criamos diante de uma realidade adversa. Este instinto transforma-se na negação. Uma reflexão simples é capaz de explicar meu ponto de vista sobre a questão: quando procuramos, por livre e espontânea vontade, um pronto-socorro ou um médico, estamos aceitando (e assumindo) que temos um problema de saúde. Com o dinheiro, nem sempre somos tão sinceros e inteligentes. Por que?
Em casa, sempre aprendi que problemas sempre têm solução. Mais, aprendi que para resolvê-los é preciso enxergá-los, encará-los. Isso soa como simples obviedade, hipocrisia ou moralismo para você? Cuidado com as conclusões sobre sua própria capacidade de sanar seus problemas financeiros, pois é justamente a negação o maior perigo das famílias endividadas.
A negação é invisível e gradualÉ muito mais fácil disfarçar um problema financeiro que um importante sintoma de saúde deficiente, não acha? Transformar o tema “dinheiro” em algo único e exclusivo de seus momentos em frente ao espelho pode ser muito perigoso. Quando estamos sozinhos, fica fácil criar justificativas para nossos recentes atos, além de falsas metas, esquecidas quando agimos em sociedade ou junto da família.
Continua em

segunda-feira, 12 de maio de 2008

Entendendo a matemática dos juros compostos

Alberto comenta: “Navarro, decidi investigar melhor as alternativas de investimento disponíveis no mercado e percebi que muitos dos produtos oferecem rentabilidades semelhantes, com diferenças que nem sempre passam de 0,5%. Como não sei o impacto deste diferencial no futuro, peço sua ajuda. Afinal de contas, vale a pena brigar por 0,5%? Pode demonstrar, sem complicar, o tal juro composto? Obrigado.”
Lembro-me de uma das primeiras aulas de Engenharia Econômica Avançada, quando o ilustre Prof. José Arnaldo lançou a seguinte pergunta aos alunos da pós-graduação: “Pessoal, 0,5% é muito? É pouco? Por que”? A cada instante a palavra mudava de mãos. Cada aluno tinha tempo para comentar sua resposta, sem pressão ou impressão de certo ou errado. Os que respondiam “Depende!” ouviam, imediatamente, a réplica incisiva do professor. “Depende de quê”?
“É muito!”, respondi com convicção. Lembrei-me de quatro anos seguidos de investimentos conservadores, realizados durante meus primeiros anos de trabalho, e do aprendizado adquirido depois de confrontá-los com as opções feitas por alguns de meus familiares. Fiquei para trás, escolhi mal os produtos bancários disponíveis e senti na pele o tamanho real do meio ponto percentual comentado em sala de aula.
“É muito Conrado? Por que?”, retrucou imediatamente o mestre. “O efeito dos juros compostos transforma esse 0,5% em uma enorme diferença no futuro, para o bem ou para mal. Investi mal durante alguns anos e percebi a falta desse meio ponto percentual”, respondi. O saudável bate-papo entre alunos e professor prosseguiu e o tema foi finalmente explorado em sua forma técnica.
0,5% é muito! Vamos entender?Os juros sobre juros representam a mágica da multiplicação do dinheiro. Einsten, do alto de sua enorme sabedoria, afirmou que esta é a força mais poderosa do universo. Vejamos, de forma simplificada, o que os juros compostos fazem se soubermos usar seu poder:
Depositamos um valor em uma aplicação;
Após um mês, teremos o dinheiro aplicado mais o valor dos juros;
No mês seguinte, os juros incidirão sobre o montante acumulado e assim sucessivamente.

Simples, não? É como se tirássemos o dinheiro (já com os juros) todo mês e o reaplicássemos. Mas como notar, matematicamente falando, o efeito do 0,5% tão falado neste texto? A matemática dos juros compostos é simples, veja:

F = P x ( 1 +i ) ^n

Onde:
F = Valor que teremos no futuro (aquilo que queremos descobrir)
P = Valor que podemos investir no presente
i = Rentabilidade da aplicação ou investimento
n = Quantidade de períodos (tempo) em que manteremos o dinheiro investido

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quinta-feira, 8 de maio de 2008

Quanto é ser rico? E muito rico?

Confesso que sempre senti muita admiração pelo mundo dos ricos e muito ricos. Não pela ostentação, comum e alvo de parte deste texto, mas pelas trajetórias e biografias. Como estranho a essa realidade que sou, sempre tive uma visão limitada, simplista e por vezes preconceituosa dessa gente. Só quero compreender as raízes do sucesso de tão poucos afortunados.
Recentemente, ganhei um exemplar do livro “Riquistão” (Editora Manole), de Robert Frank, premiado colunista do Wall Street Journal. O sub-título encontrado na capa do livro chamou minha atenção: “Como vivem os novos-ricos e como construíram suas megafortunas”. Será que o livro tem respostas para muitas de minhas perguntas? A leitura agradável, repleta de dados, estatísticas e fatos, durou apenas dois dias. Em contrapartida, a viagem diante das palavras de Robert continua.
O presente artigo é estranho, admito. Não se trata de uma resenha, nem de um misto de dicas específicas de economia ou investimentos. Quero apenas compartilhar incríveis descobertas sobre o mundo dos ricos - norte-americanos por enquanto - e com isso delinear alguns importantes fatores de sucesso e eventuais deslizes cometidos pela turma dos endinheirados. Se ficar rico é uma opção (assim acredito), que tal conhecer essa alternativa mais de perto?
Das celebridades e dinheiro fácilLi que somente 3% dos multimilionários da atualidade são celebridades e menos de 10% herdaram o dinheiro que possuem. Aprendi que a riqueza vista nos mais diversos ramos de atuação profissional vem da capacidade de empreender, abrir e criar empresas diferenciadas e da inteligência financeira diante das oportunidades da vida.
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terça-feira, 6 de maio de 2008

Carteiras e Ações Recomendadas - Maio 2008

As expectativas para o mês de maio estão voltadas para as empresas que podem se beneficiar, de imediato, da recente conquista do “investment grade”. Neste sentido, é consenso entre as corretoras de que os bancos serão os principais atores do curto prazo. Além do custo de captação mais baixo e dos juros nacionais mais altos, dois bancos de capital aberto também alcançaram o grau de investimento. São eles: Banco do Brasil e Unibanco.
Bradesco e Itaú, que já possuíam o selo “investment grade”, foram agraciados com melhor avaliação (e nota) por parte da Standard & Poor’s. Mas nem só de bancos viverá o mês. As empresas ligadas fortemente ao mercado interno, como algumas construtoras, incorporadoras, operadores logísticos e provedoras de energia, também tendem a se valorizar, já que o real se fortalece e a crise internacional ainda permanece. Maio parece ser o mês do foco no mercado interno.
Calma, muita calma.As corretoras ainda não publicaram análises conclusivas sobre os papéis mencionados no artigo. A chegada do grau de investimento e a euforia dos investidores diante da notícia tornou difícil o cálculo do preço justo de cada papel, o que deve acontecer durante o mês.
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terça-feira, 29 de abril de 2008

Passar metade da vida pagando impostos?

O jornal Folha de S. Paulo de hoje traz uma manchete perturbadora: “Brasileiro trabalha metade da vida para o fisco, diz estudo - Para expectativa de vida de 72,3 anos, 36,3 deles irão para pagar tributos, aponta instituto”. Uau, fiquei pasmo! Que a situação tributária brasileira merece muita “atenção” eu já sei, mas nunca parei para pensar nos cálculos sobre essa ótica. Que medo!
O estudo, criado a partir da análise do aumento da carga tributária sobre renda, patrimônio e consumo nos últimos 18 anos, foi divulgado ontem pelo IBPT (Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário) e conta com dados oficiais que vão de 1900 aos dias de hoje. Entrevistado pela Folha, o advogado Gilberto Luiz do Amaral, presidente do IBPT, afirma que:

“Em 108 anos a expectativa de vida dos brasileiros cresceu 116%, enquanto a expectativa de pagamento de tributos aumentou 244%”

A reportagem nos lembra que em 2008 serão necessários 148 dias de trabalho para o pagamento de tributos aos três níveis de governo (municipal, estadual e federal) - dois dias a mais que em 2007. Se quiser ver uma simulação, acesse a Calculadora do Tributo Guloso e divirta-se! Pera lá, divirta-se? Como assim?

segunda-feira, 28 de abril de 2008

CDB: Boa Alternativa de Investimento em 2008?

Renato comenta: “Navarro, andei pesquisando algumas alternativas de investimento em renda fixa e encontrei boas rentabilidades em alguns títulos privados de bancos (CDBs). A hora é boa para investir nesse tipo de produto? Alguns gerentes já me assediaram e confesso estar inclinado a entrar nessa, especialmente por alguns oferecem ganhos que vão além do CDI. O que me diz? Obrigado.”
Renato, fico muito satisfeito quando percebo que muitos de nossos leitores estão atentos e de olho nas alternativas de investimento. O Certificados de Depósito Bancário (CDB), título emitido pelos bancos com a intenção de captar dinheiro, está mesmo em evidência. O ano de 2008, contabilizados os primeiros quatro meses, já mostra captação de mais de R$ 65 bilhões a partir de CDBs, valor mais de duas vezes maior que toda a captação do ano passado.
O valor de 2008 também já é maior que o antigo recorde - de R$ 56,2 bilhões - ocorrido em 2005. Quer mais números? Segundo dados do Banco Central, março deste ano foi responsável por R$ 19 bilhões de captação. Abril contabiliza mais de R$ 22 bilhões e o mês ainda nem acabou. Investidores de todos os “cacifes” estão atrás de rentabilidades que vão de 105% a 112% do CDI, o que representa rentabilidade anual de 12% a 13% (antes do imposto).
Por que a oferta dos CDBs está tão interessante?A alta dos juros (Selic) e a dificuldade dos bancos em captar dinheiro barato no exterior (reflexos da crise do Subprime iniciada nos Estados Unidos) são dois dos principais fatores para as rentabilidades mais altas encontradas nestes produtos. Existem ainda alguns aspectos técnicos mais complexos, impostos pelo governo, como o acordo Basiléia II, que elevam o capital necessário para operação dos bancos.
Assim, diante de bancos precisando captar, a forte concorrência oferece boas alternativas, com retornos mais altos também nos grandes bancos. Recente reportagem do jornal Valor Econômico
alerta para as boas opções nos bancos nacionais, cujas rentabilidades chegam próximas de 100% do CDI com valores de até R$ 10 mil. Antes, tais produtos ofereciam no máximo de 85% a 90% do CDI.
Para retornos maiores (mais de 100% do CDI), as opções são os investimentos de altas somas (casa dos milhões), as aplicações com carência - onde o dinheiro deve permanecer investido por um tempo mínimo determinado - ou os bancos de médio porte, que chegam a pagar de 3 a 4 pontos percentuais mais que seus rivais maiores. Vale lembrar que os bancos, independentemente do seu tamanho, não cobram taxa de administração na venda dos titulos (CDB).
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quinta-feira, 17 de abril de 2008

Selic sobe para 11,75%, mas e daí?

Márcio comenta: “Navarro, parece que estamos presenciando os fantasmas da inflação novamente em nossa economia, não é? O Copom decidiu aumentar a taxa básica de juros em 0,5 ponto percentual ontem, saindo de 11,25% para 11,75% ao ano. Aprendi com você que essa taxa direciona a rentabilidade dos fundos de renda fixa. Fica a dúvida: será a hora de investir novamente nos fundos de renda fixa? A Selic deve continuar subindo? Obrigado.”

Viajando um pouquinho ao passado, 2007 foi um péssimo ano para a renda fixa. Com rentabilidade bruta média de 12,3%, apresentou o pior retorno em mais de 10 anos. Você sabia que a captação líquida dos fundos de renda fixa foi negativa (menos R$ 7,46 bi) no ano passado? A mesma coisa aconteceu com os fundos DI, que apresentaram captação negativa em R$ 16,33 bi.

Captação negativa? Como assim?Com a Selic despencando de um patamar de vinte e tantos por cento, há pouco mais de cinco anos, para os valores atuais, muitos investidores fugiram dos fundos de renda fixa e decidiram arriscar mais. Captação negativa significa gente fugindo para algo mais interessante. O número de investidores no mercado de ações e a participação em fundos mistos cresceram de forma intensa. Um movimento natural.

Será, então, a hora de voltar para a renda fixa?Boa pergunta! Há uma expectativa de que a taxa Selic, um marco para os produtos de renda fixa, feche o ano com valor próximo a 12,75%. Assim, também fica delineada a possibilidade de encontrarmos rendimento bruto de cerca de 12% em alguns fundos DI e de renda fixa. Esse interesse já fez com que determinados fundos captassem cerca de R$ 4 bilhões nos últimos 30 dias, segundo dados da Anbid.
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