Por Luiz Carlos Mendonça de Barros, publicado na Folha
O presidente do Banco da Inglaterra (o banco central britânico) compareceu ontem ao Parlamento para explicar a corrida bancária, a primeira em mais de cem anos contra uma instituição financeira no Reino Unido. Vítima da crise de confiança que atingiu os mercados financeiros de todo o mundo, o Northern Rock, uma financiadora de hipotecas fundada em 1850, ficou sem recursos para continuar operando. Nessa situação, procurou o Banco da Inglaterra para obter uma linha de crédito emergencial a fim de evitar o pior. Mas deu com o nariz na porta, como se dizia antigamente, pois os sisudos diretores dessa instituição negaram o financiamento.
Sem nomear o banco em dificuldade -embora até as portas do Banco da Inglaterra conhecessem sua identidade-, o governador declarou à imprensa que não iria resgatar com dinheiro público uma instituição imprevidente. No dia seguinte, longas filas de poupadores apavorados formavam-se nas principais cidades inglesas. O governo trabalhista, que tem na prática o controle sobre o banco central, avocou para si o resgate financeiro do Northern. A bravata de Mr. King -esse é o nome do presidente- durou 24 horas.
Continua em Acerto de Contas
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