Quando você pensa que viu de tudo nesta vida, eis que a esquerda mais sectária consegue surpreender a todos.
Inventaram um plebiscito sobre a reestatização da Vale do Rio Doce, um assunto completamente fora de pauta de qualquer político ou economista mais sério.
Pois bem, veja que plebiscito sério e independente esse.
A primeira pergunta sobre a Vale é bem “imparcial”. O restante só completa a falta de postura que o Conlutas (que organiza este plebiscito) apresenta na discussão política.
1 - Em 1997, a Companhia Vale do Rio Doce - patrimônio construído pelo povo brasileiro - foi fraudulentamente privatizada, ação que o Governo e o Poder Judiciário podem anular. A Vale deve continuar nas mãos do capital privado?
2 - O Governo deve continuar priorizando o pagamento de juros da dívida externa e interna, em vez de investir na melhoria das condições de vida e trabalho do povo brasileiro?
3 - Você concorda que a energia elétrica continue sendo explorada pelo capital privado, com o povo pagando até 8 vezes mais que as grandes empresas?
4 - Você concorda com uma reforma da pevidência que retire direito dos trabalhadores?
Pois bem, vou responder às perguntas que elaboraram.
1 - A Vale era uma empresa estatal, cabide de empregos de grande parte da elite política do Congresso, apresentava lucros minguados, e acabava pagando poucos impostos com isso. Com a privatização, se transformou na maior mineradora do mundo, dá ao Governo, através de impostos, muito mais que dava antes através de dividendos.
A pergunta deveria ser: você quer que reestatize a Vale para dar para algum afilhado do Renan ou do Sarney?
2 - A dívida externa hoje praticamente não existe porque o Governo é credor em dólares. E a dívida interna, que é explosiva, é em sua maioria formada por capital interno de fundos de pensão e da classe média. Em outras palavras, o Conlutas quer dar um calote semelhante ao de Collor.
3 - Para o Conlutas, que não sabe disso, a energia elétrica não é explorada pelo capital privado, é distribuída apenas. A exploração é pública. Além disso, não é verdade que grandes empresas peguem 8 vezes menos que o povo. A relação é contrária, empresas pagam mais.
4 - Essa pergunta é a menos perniciosa de todas. Mas como eu faço parte de uma geração de funcionários públicos que vai se aposentar apenas com o atestado de óbito, porque a previdência não vai conseguir me pagar do jeito que está porque tem muita gente privilegiada (funcionários públicos que acumularam gratificações de gerência o longo da vida), me sinto no direito de não responder.
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Um comentário:
E por falar na Vale do Rio Doce
Mineradora doou R$ 10,5 mi para campanha petista
da Folha
O PT que critica a privatização da Vale do Rio Doce e apóia um plebiscito sobre a sua anulação recebeu gordas doações de campanha no ano passado. Foram R$ 10,53 milhões no total repassados ao partido ou a candidatos petistas em todo o país na eleição de 2006, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral. Só a campanha de Lula ficou com R$ 4,05 milhões.
O Diretório Nacional do PT recebeu mais R$ 2,65 milhões, que foram repassados a campanhas do partido. A Vale foi a quarta maior doadora contabilizando recursos dados ao partido, não diretamente a candidatos. Outros 40 candidatos do PT receberam R$ 3,83 milhões.
A empresa não quis comentar doações ao PT, dizendo que tem como prática contribuir com quase todos os partidos.
Os petistas foram os que mais receberam. Para efeito de comparação, o PSDB foi contemplado com R$ 8,98 milhões pela mineradora, dos quais R$ 3,2 milhões para seu candidato presidencial, Geraldo Alckmin (21% a menos do que Lula). O restante foi para o partido e outros candidatos tucanos.
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