Que o Banco Central conseguiu eficientizar a política de títulos públicos, disso não há dúvidas. Principalmente depois do vendaval que foi o final do Governo FHC, com o dólar nas alturas, e títulos brasileiros sendo vendidos a troco de nada no mercado secundário.
Mas a notícia de hoje na Folha de São Paulo dá uma dimensão da esquisitice de algumas decisões do Banco Central, que se não chegam a cheirar mal, são completamente fora de propósito.
A matéria fala do ganho gigantesco que investidores estrangeiros tiveram no Brasil com a compra de títulos públicos desde fevereiro de 2006 para cá. Uma parte grande veio da desvalorização cambial, até aí sem problemas, já que o câmbio varia, e isso é um risco assumido por todos os investidores do mercado.
Mas veja o outro motivo: os estrangeiros, ao contrário da tupiniquinzada, não paga imposto de renda para emprestar seu dinheiro ao Governo: ganham a Selic como se fosse rentabilidade líquida.
Vejamos se entendemos bem.
Você como brasileiro, se quiser emprestar seu dinheiro ao Governo, vai receber 11,25%, e vai pagar imposto de renda para isso. O investidor estrangeiro (aí o Citi Mundial e o Bank Boston Internacional) não paga, sabe-se lá a título de quê.
Com muitos dólares entrando, não há a menor chance de dizer que isso é para aumentar a atratividade dos títulos brasileiros. Essa desculpa não cola.
Para quem acha que isso é herança maldita, fique sabendo que é obra de Henrique Meirelles.
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