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quarta-feira, 21 de novembro de 2007

COMPRA DE DÓLAR PELO BC ELEVA DÍVIDA EXTERNA DO SETOR PRIVADO

Gazeta Mercantil

Ao optar por intervir no mercado toda vez que o dólar ameaça um movimento mais forte de queda em relação ao real, o BC eleva as reservas internacionais e reduz a vulnerabilidade externa do País.

Na pesquisa, o professor José Luiz Rossi, do Ibmec São Paulo, analisa a relação entre o endividamento em moeda estrangeira das empresas brasileiras e o regime cambial. Para tanto foram utilizados dados de uma amostra de 145 empresas não-financeiras no período de 1996 a 2005, que inclui um sub-período no qual o País adotou um sistema de câmbio quase-fixo (1996-1999), e um período de câmbio flutuante (1999-2005).

Os resultados do estudo indicam a existência de um relação entre a política financeira das empresas e o regime cambial do País. Segundo o pesquisador, o regime de câmbio fixo gerou descasamentos no balanço das empresas, pois fez com que credores e devedores desconsiderassem o risco de possíveis flutuações na taxa de câmbio. "A escolha do regime cambial afeta a escolha do endividamento da empresa em moeda estrangeira ou moeda doméstica", diz Rossi.

O trabalho mostra ainda que o regime de câmbio flexível alterou o panorama, fazendo com que as empresas buscassem mecanismos para reduzir a vulnerabilidade externa tomando mais seriamente o risco de manter posições descasadas em seus balanços. Isso foi feito através de uma redução no endividamento em moeda estrangeira das firmas e de um aumento nas atividades de proteção (hedging). Com isso, as empresas passaram a tratar mais seriamente sua exposição cambial.

Os resultados do trabalho indicam que, sob o regime de câmbio flutuante, o setor privado passou a reduzir sua vulnerabilidade externa através de um melhor casamento entre seu passivo e ativo, o que, caso seja seguido pelo setor público, certamente levará a uma menor vulnerabilidade do País a choques externos negativos, e a mudanças drásticas nos rumos da economia. "A escolha do regime cambial não é a solução final para a eliminação do risco externo, mas certamente é uma parte importante da solução do problema."

Segundo ele, o perfil das 145 empresas que integram a amostra do seu trabalho é caracterizado por grandes empresas multinacionais exportadoras instaladas no País. Rossi lembra que em 1999 essas empresas não estavam capitalizadas, condição alcançada a partir de 2002. "Com um regime de câmbio flexível e um cenário de apreciação cambial haveria incentivo para o pagamento das dívidas em moeda estrangeira. Mas, como no Brasil as flutuações são sujas, houve incentivo maior para a manutenção ou ampliação dessas dívidas privadas graças à confiança na manutenção das compras de dólares pelo BC", explica.

Arquivo ETC

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