Brasileira sobe 9,08% em dólar no ano, a maior alta entre as bolsas internacionais A Bolsa de Valores de São Paulo subiu, este ano, em dólar, 9,08%, o maior percentual entre os mercados do mundo. A alta de preços das commodities e a expectativa de que o país possa obter, em breve, o grau de investimento foram decisivos no desempenho. Outro levantamento, do Morgan Stanley, mostra que a bolsa brasileira está bem à frente das de todos os outros emergentes. O dólar ontem fechou a R$ 1,672, com queda de 0,71%. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) está cada vez mais descolada dos mercados de ações do mundo. No ano, enquanto o principal indicador da bolsa brasileira, o Ibovespa, sobe 2,52%, o principal do mercado americano, o Dow Jones, cai 4,30% e o índice das empresas de tecnologia Nasdaq perde 11,25%, segundo dados da Bloomberg. Convertido para dólares, o Ibovespa tem uma vantagem ainda maior: sobe 9,08% no período, com a queda mundial e ininterrupta do dólar, a maior valorização entre todas as bolsas mundiais. A diferença só tem feito aumentar desde o início do mês, tendo-se intensificado na semana passada, com a notícia de que o Brasil passou a credor externo. A conseqüência foi a expectativa de investidores pela chegada do chamado grau de investimento - a nota das agências de classificação de risco que permitirá ao país receber mais recursos estrangeiros. A bolsa brasileira tem chegado a ignorar as quedas nos mercados americanos em alguns dias. |
quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008
Bovespa no topo do mundo
Europa retoma importação de carne
Após suspender compras, UE aceita lista com somente 106 fazendas aptas a enviar gado para abate
Ministro considera medida "simbólica" e prevê que, com "dever de casa" realizado, exportações se normalizem até o final deste ano
Após 27 dias de embargo branco, a União Européia anunciou ontem a retomada de importações de carne bovina "in natura" do Brasil, negou protecionismo e imposição de cotas e criticou o país por descumprimento de regras sanitárias acertadas desde 2007. Inicialmente, apenas 106 propriedades poderão vender aos 27 países do bloco europeu. O ministro Reinhold Stephanes (Agricultura) considerou "positiva" a decisão européia, mas classificou de "simbólica" a reabertura do mercado. "É mais uma abertura simbólica do que uma abertura de fato para maiores volumes." As exportações de carne para o bloco devem ser normalizadas, segundo o ministro, até o final do ano.
Após 27 dias de embargo branco, a União Européia anunciou ontem a retomada de importações de carne bovina "in natura" do Brasil, negou protecionismo e imposição de cotas e criticou o país por descumprimento de regras sanitárias acertadas desde 2007. Inicialmente, apenas 106 propriedades poderão vender aos 27 países do bloco europeu.
O ministro Reinhold Stephanes (Agricultura) considerou "positiva" a decisão européia, mas classificou de "simbólica" a reabertura do mercado.
terça-feira, 26 de fevereiro de 2008
Bolsa sobe e volta aos 65 mil pontos
É a 1ª vez desde dezembro. Dólar tem 6º dia de queda e fecha a R$1,706
A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) voltou ontem aos 65 mil pontos pela primeira vez desde 10 de dezembro de 2007. Seu principal índice, o Ibovespa, fechou em alta de 0,61%, o quarto dia seguido de valorização. No ano, o Ibovespa sobe 1,92%. Já o dólar recuou 0,06%, para R$1,706, seu sexto dia de queda consecutivo. No ano, a queda da moeda é de 3,99%. O risco-país caiu ontem 5,24%, para 235 pontos centesimais. Operadores estimam que o Banco Central tenha comprado em torno de US$280 milhões em leilão.
A gestora de renda variável da Mercatto Asset Daniella Marques diz que contribuíram para a alta a manutenção da classificação de risco da Ambac e da MBIA, as duas principais seguradoras dos Estados Unidos, pela agência Standard & Poor"s. Além disso, as vendas de imóveis usados nos Estados Unidos recuaram 0,4% em janeiro, para uma taxa anualizada de 4,89 milhões de unidades, informou a Associação Nacional de Corretores de Imóveis ontem, dentro do previsto por analistas.
- A Bovespa está perto de suas máximas, e os investidores preferiram não se movimentar muito, já que nesta semana saem dados importantes da economia americana.
Entre as principais quedas estiveram as ações da Companhia Siderúrgica Nacional, que tiveram sua recomendação rebaixada pelo banco Morgan Stanley de "aumentar a exposição" para "reduzir a exposição". Os papéis ordinários (ON) caíram 3,46%.
Corretora recomenda venda de ações a descoberto
Segundo a Bloomberg News, a Itaú Corretora recomendou, em relatório enviado ontem a clientes, vendas a descoberto das ações da Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F). Na operação, o investidor aluga ações e as vende, apostando que o papel estará mais barato na época da devolução. O volume negociado na maior bolsa de derivativos da América Latina em janeiro foi 35% inferior à média prevista pela corretora para o primeiro trimestre de 2008, escreveu o analista Victor Mizusaki no documento. A BM&F deverá divulgar seu balanço hoje, após o fechamento do mercado. A bolsa negocia com a Bovespa Holding uma fusão. Mizusaki mantém classificação "comprar" para ambas as empresas. As ações ON da BM&F fecharam estáveis em R$18, e as da Bovespa Holding subiram 1,38%.
Nos Estados Unidos, a Visa, maior rede de cartões de crédito do mundo, afirmou ontem que pode levantar até US$18,8 bilhões com sua aguardada oferta pública de ações, no que seria a maior operação do tipo já realizada naquele país. O lançamento das ações é esperado para este ano.
Investimento compensa desequilíbrio nas contas
As contas externas de janeiro apresentaram duas faces. A boa notícia é que foi confirmado que o saldo dos ativos brasileiros no exterior, de US$ 203,190 bilhões, supera o valor da dívida externa, de US$ 196,207 bilhões, tornando o Brasil credor internacional. A ruim é que as transações correntes do balanço de pagamentos apresentaram, no mês, um déficit de US$ 4,292 bilhões, valor superior às expectativas. A posição de credor externo do Brasil foi alcançada graças ao aumento das reservas internacionais, que, no final de janeiro, somavam US$ 187,507 bilhões. A manutenção dessas reservas tem um custo elevado, que se estima, para 2008, em R$ 19,540 bilhões, em conseqüência da diferença entre os juros que o governo paga por sua dívida interna (R$ 25,290 bilhões, incluindo swaps) e os que recebe como remuneração das reservas, que, admitindo uma taxa cambial de R$ 1,80 por dólar, deverá ser de R$ 5,75 bilhões. Quanto mais o real se valoriza, maior é o custo para o governo, ao mesmo tempo que uma redução da taxa básica de juros nos EUA diminui as receitas. Além disso, se houver grandes financiamentos para o Brasil, a posição externa poderá voltar a ser devedora. É possível admitir, porém, que enquanto houver turbulências no mercado externo a dívida do Brasil não aumente mais. A evolução da conta de transações correntes pode se tornar um outro problema. O déficit de janeiro, de US$ 4,292 bilhões, teve um aumento de 514% em relação a dezembro. O governo estima que, em fevereiro, o déficit ficará em US$ 1,7 bilhão e, segundo o Banco Central (BC), deverá fechar o ano em US$ 3,5 bilhões, que nos parece uma estimativa muito otimista. De fato, os serviços e renda somaram em janeiro US 5,5 bilhões, em razão do ingresso de investimentos estrangeiros diretos de US$ 3,8 bilhões, com aumento de 23,7% em relação a dezembro, indicando o interesse das empresas estrangeiras em investir no Brasil. No entanto, em fevereiro, houve forte redução desses investimentos, estimados em US$ 200 milhões, e o BC prevê para o ano um total de US$ 28 bilhões. A continuação da valorização do real ante o dólar deverá favorecer um aumento das importações, que já se evidencia no resultado da balança comercial da quarta semana de fevereiro, com um déficit de US$ 81 milhões. O resultado desses primeiros meses do ano pode ser atípico, mas exige atenção das autoridades. |
quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008
Fusão entre Oi e BrT terá o apoio da Anatel
O presidente da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), Ronaldo Sardenberg, sinalizou ontem que a agência deverá atender o pleito do Ministério das Comunicações de mudanças na legislação do setor que permitirão a fusão das empresas Oi e Brasil Telecom.
Na semana passada, o ministério enviou à agência documento pedindo que sejam alterados artigos do Plano Geral de Outorgas (PGO) que proíbem que uma operadora de telefonia fixa compre outra em área diferente.
Sardenberg ressaltou, porém, que a decisão é de cada conselheiro e que a aprovação não precisa ser unânime. O presidente disse ainda que, além da alteração no PGO, a Anatel estudará também mudanças necessárias para permitir a chamada "convergência"" entre as tecnologias - como a oferta de serviços de televisão, telefonia e internet por uma mesma empresa. A recomendação consta no pedido do ministério.
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CSN quer Cesp para entrar no setor de energia
A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) quer ampliar ainda mais seu leque de atividades e agora está de olho no mercado de geração de energia. A empresa informou ontem, por meio de sua Assessoria de Imprensa, que estuda participar do leilão da Companhia Energética de São Paulo (Cesp). Além da CSN, Light, Cemig e Copel já confirmaram o interesse em entrar na disputa pela geradora paulista. A empresa tem capacidade de 7,5 mil megawatts.
A CSN é auto-suficiente em geração de energia e consegue com isso uma economia anual de US$ 40 milhões. As suas três unidades de geração de energia - Hidrelétrica de Ita, Usina de Igarapava e Central Termoelétrica de Volta Redonda - produzem 450 megawatts, volume superior ao consumo de sua fábrica no Estado do Rio de Janeiro e da mina de Casa de Pedra, em Congonhas, Minas Gerais.
Na semana passada, o Conselho Diretor do Programa Estadual de Desestatização (PED) aprovou a venda de 78,68% das ações ordinárias da Cesp detidas pela Secretaria da Fazenda de São Paulo, além da alienação de 3,34% dos papéis preferenciais classe B. Com isso, mesmo após o fim do processo de privatização da estatal paulista, o governo de São Paulo deterá, por meio da Fazenda, 15% das ações ON da geradora.
A ata da reunião mostra que o Conselho Diretor do PED aprovou a venda de 180 ações ON da Cesp detidas pela Dersa, bem como a alienação de 6,690 mil papéis ON detidos pela Sabesp e 1,907 mil ações ON de titularidade do Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE).
Além disso, foi aprovada a venda de 6,56% de papéis PNB da geradora de posse da Companhia Paulista de Parcerias (CPP). A fatia do Metrô de São Paulo, que detém 1,62% de ON e 8,09% das PNB da empresa, não está citada na ata.
sexta-feira, 25 de janeiro de 2008
Inflação de serviços pode fazer BC elevar Selic
O economista sênior do banco Dresdner Kleinwort Waserstein, Nuno Câmara, avalia que o tom da ata da reunião do Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) encerrada ontem, que manteve a Selic inalterada, deve ser muito conservador.
“Não ficaria surpreso em ver que alguns dos membros do Copom tenham até cogitado uma alta na Selic. Embora a inflação esteja sob controle, está num momento crucial, pois entre outras coisas o gasto do consumidor continua forte, enquanto a inflação permanece num nível alto.”
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Fórum discute a perda da hegemonia americana
O professor de estudos europeus da Universidade de Oxford, Timoty Gardon Ash, por exemplo, comentou que o momento atual é de uma mudança geopolítica jamais vista, iniciado com o final da Guerra Fria e ganhou amplitude com os ataques terroristas de 11 de setembro de 2001.
É o começo do final da predominância política e econômica do Ocidente existente nos últimos 200 anos - disse o professor durante um debate sobre o aumento da influência econômica da China nas relações comerciais entre Estados Unidos e União Européia (EU).
China
A China continua sendo o mais fraco desses três poderes, mas a vantagem é que o país asiático tem uma forte política externa, enquanto os EUA geralmente tem duas ou três e dependentes de vários departamentos, como o de Defesa, de Estado e a vice-presidência. A Europa tem de cinco a 10, o que é muito - acrescentou.
Compartilhando a opinião de Ash, o comissário de Economia e política monetária da Comissão Européia, Joaquin Almunia, ressaltou que a União Européia tem um problema de governança com os novos players globais.
O roqueiro Bono Vox e o ambientalista e prêmio Nobel da Paz Al Gore dividiram um palco sobre clima e pobreza. Eles aproveitaram a presença de delegados de todo mundo para defender que os dois assuntos sejam combatidos conjuntamente.
Questões como a crise entre a Palestina e Israel e mesmo a preocupação com o uso de armas nucleares pelo Irã também estiveram presentes nos debates assim como a corrida presidencial norte-americana também estiveram na pauta de discussões.
Colômbia
O único líder de governo latino-americano presente em Davos, o presidente colombiano Alvaro Uribe, também defendeu a tese de descolamento para o seu país em relação a uma crise global.
O sistema financeiro colombiano, depois da crise do passado, tem sido mais cuidadoso. As finanças públicas de Colômbia estão em melhor situação hoje e o país que quer consolidar a confiança dos investidores - afirmou Uribe.
Fluxo de investimentos
Se mantivermos o fluxo de investimentos, no longo prazo, principalmente, isso ser transformar a em um grande colchão para se precaver contra as crises - disse Uribe, que chegou em Davos depois de passar por França e Espanha em busca de parcerias e ajuda para a libertação dos reféns das Farc.
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MERCADO ALIVIADO, MAS INSEGURO
Bolsas vivem quinta-feira de altas, motivadas por boas notícias, como o acordo nos Estados Unidos sobre o pacote de medidas para tirar o país do caminho da recessão. Incerteza, no entanto, permanece “O ambiente foi mais ameno ontem, mas nada garante que isso vai perdurar. Não dá para dizer que essa melhora seja sustentável. A forte volatilidade pode voltar nos próximos dias”, avalia o economista-chefe do Banco Schahin, Sílvio Campos Neto. Segundo ele, os mercados vão oscilar de acordo com a divulgação de indicadores econômicos, como a primeira estimativa do Produto Interno Bruto (PIB) do último trimestre de 2007 nos Estados Unidos, que sairá na semana que vem. Esse índice deve mostrar uma forte desaceleração da economia do país, reacendendo as preocupações dos investidores. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou ontem que conversou, por telefone, com o primeiro-ministro inglês, Gordon Brown, sobre o atual momento econômico. Eles concordaram que a crise não é uma “hecatombe”, mas continua séria. Para ambos, se os problemas também atingirem a Europa, a economia mundial sofrerá muito. Ontem, as boas notícias suplantaram as más. No lado positivo, houve o acordo entre o governo George W. Bush e o Congresso sobre o pacote fiscal (leia matéria ao lado) e a redução no número de pedidos de seguro desemprego, que caiu para o menor nível em três meses. No lado negativo, o mercado de imóveis usados caiu 2,2%, menor resultado em nove anos, e prejuízos da Ford. Ainda assim, a bolsa de Nova York teve o segundo dia de alta, com o índice Dow Jones fechando em 0,88% e o Nasdaq, em 1,92%. A Bovespa seguiu a tendência, atingindo 57.463 pontos e volume financeiro de R$ 6,47 bilhões. O dólar fechou a R$ 1,786, revertendo a tendência de elevação dos dias anteriores. As bolsas asiáticas, as primeiras a funcionar, abriram e fecharam em alta, ainda sob o impacto da notícia divulgada anteontem à noite nos Estados Unidos, de que os órgãos reguladores negociam a capitalização das seguradoras de crédito, segmento afetado pela inadimplência no mercado imobiliário de alto risco (subprime). Também ajudou o anúncio de que a economia chinesa cresceu 11,4% no ano passado, melhor resultado em 13 anos. A bolsa de Xangai subiu 0,31%, Seul 2,1%, Cingapura 2,23% e Tóquio, 2,06%. A nota dissonante foi Hong Kong, que caiu 2,29%, sob o temor dos investidores em relação à saúde do sistema financeiro internacional. Na Europa, as bolsas se mantiveram animadas durante todo o dia. Além dos sinais positivos no front norte-americano, representou um papel importante a divulgação do aumento de lucros de dois importantes grupos empresariais, Nokia e Allianz. Nem mesmo a notícia de que um dos maiores bancos da França, o Societé Generale, teve perdas de US$ 7,1 bilhões por causa de uma fraude em operações futuras causou desânimo. As principais bolsas européias fecharam em alta: Londres (4,75%), Frankfurt (5,93%), Paris (6,01%) e Madri (6,95%). Analistas apontaram a fraude no banco francês como o principal motivo para o desabamento do mercado na segunda-feira. Alertado para o rombo, o banco vendeu ativos mundo afora, detonando o efeito manada. |
quinta-feira, 24 de janeiro de 2008
Crise afeta emissão de debêntures
A crise do mercado de hipotecas americano que vem provocando pânico nas bolsas de valores pelo mundo chegou ao mercado de renda fixa brasileiro. Ontem, a Duke Energy, que controla oito usinas hidrelétricas, anunciou a suspensão de uma emissão de R$ 750 milhões em debêntures por causa das "condições verificadas nos mercados nacional e internacional nos últimos dias".
Esta foi a segunda emissão de debêntures suspensa recentemente. A Serra do Facão Participações, empresa controlada pela Oliveira Trust e Furnas, também pediu suspensão por 60 dias de uma oferta de R$ 140 milhões em debêntures simples.
O pânico geral no mercado, que começou na segunda-feira, está dificultando a formação das taxas para definir a rentabilidade das debêntures, afirma um gestor de um banco de investimento. "Está todo mundo em compasso de espera", diz Carlos Alberto Rebello, superintendente de registro da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
"Quem precisar captar neste momento terá que pagar taxas mais altas" avalia André Schibuola, gestor da Precision Asset Management, uma das poucas gestoras do mercado especializadas em fundos para papéis privados.
Apesar do forte estresse dos últimos dias, os especialistas em renda fixa avaliam que as debêntures tendem a se beneficiar deste novo cenário. Com o investidor mais avesso ao risco e o mercado de renda variável fechado, a expectativa é que as companhias que precisam de recursos vão procurar as debêntures.
Segundo a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), há 23 operações de captação de recursos suspensas no momento, 21 de ações e duas de debêntures.
"É um fato isolado (a suspensão da emissão da Duke). O mercado de renda fixa iria crescer consideravelmente este ano sem a crise. Com a crise, tende a crescer mais ainda", avalia Alfredo Moraes, presidente da Associação Nacional das Instituições do Mercado Aberto (Andima) e do Banco Intercap. Para Moraes, muitas empresas que abriram o capital e lançaram ações no ano passado vão voltar ao mercado e emitir debêntures, uma das formas de melhorar a estrutura de capital da companhia, equilibrando captações via dívida e via ações.
A Even Construtora e Incorporadora e a Cyrela Brazil Realty, duas companhia que lançaram ações, estão com operações em análise na CVM para captarem R$ 150 milhões e R$ 370 milhões por meio de debêntures.
Diferente do mercado acionário - no qual mais de 70% das ações ficam com estrangeiros - as debêntures raramente atraem recursos lá de fora, porque não oferecem isenção do Imposto de Renda.
Continua
CRISE PODE FREAR PIB DO BRASIL
Presidente do Banco Central afirma que a crise na economia norte-americana deverá reduzir em até um ponto percentual o crescimento do Brasil
O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, reconheceu ontem na reunião ministerial, que a crise na economia americana pode afetar as previsões de crescimento econômico do Brasil para 2008. Admite que essa queda pode ser de meio ponto a um ponto percentual sobre o PIB (Produto Interno Bruto). “Deixaríamos de ter um crescimento excepcional, mas continuaríamos com um desempenho muito bom”, disse aos ministros. Em 2007, a expansão do Produto Interno Bruto (PIB) foi de cerca de 5%, segundo estimativas do governo e do mercado financeiro. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva elegeu como prioridade a manutenção ou ampliação desse percentual, o que pode ajudar a melhorar os indicadores sociais do país e render dividendos nas próximas eleições municipais e presidenciais.
Meirelles apresentou o diagnóstico durante seu discurso de cerca de 10 minutos na reunião ministerial. O objetivo era passar uma mensagem tranquilizadora à equipe, mas depois do encontro, integrantes do governo manifestaram, em conversas reservadas, preocupação com a possibilidade de o cenário traçado pelo presidente do Banco Central repercutir mal entre os empresários, inibindo novos investimentos na produção e em infra-estrutura. “Não foi uma boa estratégia”, disse um dos participantes da reunião. “Falar em queda no crescimento agora é precipitação”. Já o líder do governo na Câmara, Henrique Fontana (PT-RS) foi diplomático. “Ele nos tranqüilizou com responsabilidade”, disse.
Solidez
Escalado para falar em substituição ao ministro da Fazenda, Guido Mantega, que não pôde participar do início da reunião, Meirelles afirmou que a economia brasileira tem hoje uma solidez não verificada em décadas passadas. Para amparar o discurso otimista, lembrou que a pauta de exportações é diversificada, graças à política externa do governo, cabendo aos Estados Unidos responderem apenas por cerca de 15% das vendas ao exterior. Ele citou ainda as reservas internacionais de US$ 185 bilhões e o aquecimento do mercado interno, puxado, entre outros, pelo crescimento do emprego formal e do crédito.
Apesar do cenário róseo, Meirelles fez questão de ressaltar que ainda não é clara a dimensão da “forte” crise nos Estados Unidos nem se ela afetará o Brasil. Ele ressaltou, por exemplo, que bancos chineses detentores de títulos públicos americanos já acusaram o golpe da turbulência nos mercados. Por isso, alegou ser fundamental monitorar o caso a fim de evitar eventuais impactos negativos na economia nacional. “Ele disse que o momento é de serenidade, mas deixou claro que é preciso ficar atento porque a crise não é de um país qualquer”, declarou o ministro de Relações Institucionais, José Múcio Monteiro. (Correio Braziliense)
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ADR DE EMERGENTES SOFREM COM A AMEAÇA DE RECESSÃO
De acordo com os índices de ADR calculados pelo The Bank of New York, o do Brasil registrava queda no ano de 19,14% e o da China acumulava retração de 20,41%, a segunda maior perda entre os emergentes do chamado grupo dos Brics (Brasil, Rússia, Índia e China). A Rússia tinha o pior índice de ADR, com desvalorização de 21,09%.
Analistas afirmam que a saída de investidores da bolsa chinesa supera, inclusive, os cerca de US$ 2,2 bilhões que saíram da Bovespa (até o dia 18 último). A China possui atualmente uma das economias que mais crescem no mundo. A média de crescimento econômico do país nos últimos anos é de quase 10%. Uma taxa superior à das maiores economias mundiais, fazendo do país a quarta maior economia do mundo.
Segundo Marco Melo, diretor responsável pela área de pesquisa da Ágora Corretora, as vendas refletem uma antecipação pelos investidores de uma possível desaceleração do PIB chinês, cuja expansão está prevista entre 10% e 11% este ano. Uma mudança na curva de crescimento da economia americana afeta diretamente a balança comercial chinesa e os investidores estão precificando isso, afirma Melo.
A Rússia negocia basicamente ações de companhias petrolíferas e de alguns bancos, dois setores diretamente afetados pela crise americana. O mercado de ações russo já vinha sofrendo com a possibilidade de queda da demanda por petróleo, decorrente das elevações contínuas de seus preços, desde 2006. A situação se agravou com as perdas anunciadas recentemente pelos bancos americanos, que afeta o setor como um todo, conforme Melo. A Rússia é um dos maiores exportadores de petróleo do mundo - possui as maiores reservas provadas do planeta.
Entre os Brics, o índice da Índia foi o menos afetado, mas também está com perda (-14,73%). "A Índia tem uma economia de serviços. Exporta serviços e cérebros", afirma o diretor da Ágora. O segmento de tecnologia está entre os de maior crescimento no mundo, mas já começou a ser afetado. A Apple, empresa multinacional norte-americana que atua no ramo de aparelhos eletrônicos e informática, divulgou guidance (projeções) de vendas fracas no primeiro trimestre deste ano.
O Brasil deve ser afetado por uma recessão americana. Mas conta com a vantagem dos bons fundamentos internos, além da expectativa do "investment grade" do País ainda este ano. Os investidores têm revisto esses fundamentos na medida que em são ameaçados pela crise dos EUA. (Gazeta Mercantil)
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GOVERNO REJEITA OPERAÇÃO DA VALE PARA COMPRAR A XSTRATA
O governo não vê com bons olhos a compra da mineradora anglo-suíça Xstrata pela Companhia Vale do Rio Doce. A cúpula do governo, segundo apurou o Valor, considera o negócio "caro", "complicado" e prejudicial aos interesses do país. Por isso, o Palácio do Planalto deverá orientar os representantes do Conselho de Administração da Vale que têm vínculo com a União - BNDESPar e Previ (fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil) - a rejeitar a operação, que depende de aprovação do conselho.
A oposição do governo ao negócio começa pelo preço - US$ 90 bilhões, quando a própria Vale é avaliada hoje em torno de US$ 120 bilhões. Na avaliação de um ministro, este não é um momento apropriado para aquisições, uma vez que os preços das mineradoras no mercado mundo estão muito elevados.
O governo tem resistência também a uma das formas de pagamento que a Vale pretende usar na operação: a troca de ações, com a oferta de US$ 30 bilhões em ações preferenciais (sem direito a voto). Isso transferiria para estrangeiros um bom pedaço do capital da companhia, que o Palácio do Planalto encara como "estratégica" para o desenvolvimento do país.
Na opinião de auxiliares do presidente, pelo menos um outro acionista da Vale com assento no Conselho de Administração deverá rejeitar a compra da Xstrata. "Vocês acham que o Bradesco concordará com esse negócio?", indagou um ministro. Segundo um outro ministro, o governo tem, além de "golden share" (12 ações com poder de veto em algumas decisões da Vale, como a mudança de sede para outro país ou a venda do controle para estrangeiros), um acordo de acionistas que assegura aos entes públicos (BNDESPar e Previ) a possibilidade de reprovar a operação.
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quarta-feira, 16 de janeiro de 2008
Analistas já prevêem até aumento da Selic este ano
A inflação persistente diminui as chances de o Banco Central (BC) retomar os cortes dos juros básicos (Selic) em 2008. O relatório semanal Focus divulgado ontem mostra que aumentaram as apostas do mercado na manutenção da taxa nos atuais 11,25% ao ano em todo 2008. Com isso, a mediana da previsão para a taxa no fim do ano subiu de 10,75% para 11,13%. Há até quem aposte em alta.
No levantamento do BC, que apura as expectativas para os principais indicadores econômicos, o mercado se mostrou dividido entre a possibilidade de corte de 0,25 ponto até o fim do ano e de permanecer em 11,25%. Dessa divisão resultou a taxa de 11,13%.
“Os analistas estão revendo as projeções; está ganhando força a avaliação de que o juro deve permanecer, no mínimo, estável até o fim do ano”, diz o economista-chefe da López León Corretora, Flávio Serrano.
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CHUVA AINDA É INSUFICIENTE PARA NORMALIZAR ÁREA ENERGÉTICA
As fortes chuvas que caíram neste fim de semana e ontem em várias regiões do Brasil causaram estragos, mas foram insuficientes para normalizar a geração de energia elétrica.Nas regiões em que se concentram os principais reservatórios - Sudeste e Centro-Oeste -, foram registrados apenas 75 milímetros de chuva, quantidade inferior à verificada em igual período de 2007, quando os pluviômetros atingiram pouco mais de 100 milímetros, segundo a Climatempo.O boletim da Somar Meteorologia mostra que o volume de chuva previsto para esta semana também deve ficar abaixo da média.
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segunda-feira, 14 de janeiro de 2008
Fundos ligados a juros têm recuo histórico
Eles fecharam 2007 com menos de 50% dos recursos aplicados; analistas recomendam cautela ao mudar de investimento Os fundos que acompanham a movimentação das taxas de juros voltaram a sofrer em 2007 pesados saques de recursos, como já havia ocorrido em 2006. Esse movimento fez com que tanto os fundos DI quanto os de renda fixa atingissem suas mais baixas participações da história no mercado - juntos têm menos de 50% do total aplicado pelos investidores.
Os fundos de renda fixa, que ainda se mantêm como a maior categoria de investimentos do mercado, representam hoje 30,83% do total aplicado pelos brasileiros. Criada em 1984, essa categoria chegou a responder por 96,81% de todo o mercado em 1992. Mas desde 2005, quando contava com 40,7% da indústria de fundos, só vêm perdendo aplicadores.
Os fundos DI, que contavam com 33,61% das aplicações totais do mercado em 1999, encerraram 2007 representando só 15,29% da indústria.
O processo de queda da taxa básica de juros da economia, a Selic, verificado nos últimos anos, somado às seqüências de valorizações conquistadas pela Bovespa, fez com que os investidores passassem a aceitar correr maiores riscos para tentar manter ou aumentar a rentabilidade oferecida no mercado para suas economias.
Em 2007, os fundos DI tiveram o pior resultado dentre todas as categorias, com captação negativa de R$ 16,33 bilhões. Os fundos de renda fixa tiveram resgates líquidos de R$ 7,46 bilhões no período. Os dados são da Anbid (Associação Nacional dos Bancos de Investimento).
Enquanto isso, o mercado de fundos como um todo conseguiu captação líquida (diferença entre aplicações e resgates) de R$ 44,77 bilhões em 2007. Ou seja, em um ano de forte entrada de recursos no mercado de fundos, os que seguem os juros perderam aplicações.
"Houve uma migração dos recursos dos investidores no ano", afirma a consultora de investimentos Márcia Dessen, da Bankrisk. "O investidor quer tentar manter os ganhos que tinha antes. Acho importante o brasileiro começar a testar investimentos de maior risco para ter uma rentabilidade mais interessante. Mas têm de fazer essas mudanças com responsabilidade", avalia a consultora.
Os fundos de renda fixa aplicam no mínimo 80% de sua carteira em títulos públicos federais ou ativos com baixo risco de crédito, sendo boa parte desses papéis com taxas prefixadas (definidas na hora em que são negociados).
No caso dos fundos DI, investem ao menos 95% do valor de sua carteira em títulos ou operações que busquem acompanhar as variações do CDI ou da taxa básica Selic. O CDI (Certificado de Depósito Interbancário) é uma espécie de aplicação negociada apenas entre os bancos, normalmente pelo prazo de um dia, que pagam juros.
Para 2008, as menores chances de a Selic cair e as projeções menos otimistas para a Bolsa podem ajudar a dar algum impulso aos fundos que seguem as taxas de juros. O que nenhum analista pode prever é se as migrações de recursos seguirão.
Além da queda da taxa básica Selic -que saiu de 18% no começo de 2006 para os atuais 11,25% ao ano-, a incidência de IR (Imposto de Renda) sobre o ganho das aplicações, além das taxas de administração, têm pesado na hora de o investidor decidir o que fazer com suas economias.
"O investidor brasileiro ainda acha que juros abaixo de duas casas é ruim. Mas tem de estar atento também ao tamanho da inflação para avaliar o retorno das aplicações", afirma Fábio Colombo, administrador de investimentos.
O IPCA encerrou o ano com inflação acumulada de 4,46%.
Não é possível dizer com exatidão qual foi o destino dos recursos que saíram dos fundos de renda fixa e DI. Mas fato é que os fundos de ações e multimercados receberam forte aporte de recursos novos no ano passado.
A poupança também foi muito procurada pelos aplicadores em 2007, computando captação líquida de R$ 33,4 bilhões, segundo o Banco Central.
Os fundos de renda fixa pagaram uma média de 12,3% no ano passado, e os DI, 11,8%, segundo cálculos da Anbid. A caderneta de poupança deu rentabilidade de 7,70% em 2007. Mas sobre o retorno da poupança não incidem nem IR nem taxa de administração.
Arquivo Etc
Inflação nos EUA e fala de Bernanke ditam semana
Volatilidade deve continuar nos mercados financeiros
A agenda carregada da semana deve trazer bastante oscilação ao mercado financeiro. Inflação e outros dados econômicos americanos serão divulgados nos próximos dias, com os investidores tentando descobrir qual o verdadeiro impacto da crise financeira na maior economia do mundo.Amanhã será divulgado o fechamento do PPI (índice de preços ao produtor americano) de 2007. A estimativa é que a taxa tenha ficado em 0,2% em dezembro. Na quarta-feira, investidores e analistas irão conhecer o CPI (inflação ao consumidor), que é um índice de preços ainda mais relevante para o Fed (Federal Reserve, o banco central dos EUA).
Além disso, no dia vai ser apresentado o "livro bege" -compilação de dados econômicos feita pelo BC do país.Como a evolução da economia norte-americana está no foco das atenções do mercado financeiro mundial, esse começo de semana pode ser marcado por fortes oscilações nas Bolsas de Valores.O mercado busca avaliar se haverá condições de o Fomc (comitê do Fed que define os juros) cortar os juros básicos americanos de forma mais pesada neste mês. A primeira reunião do Fomc ocorrerá nos dias 29 e 30 de janeiro.Neste momento, a maioria dos investidores americanos aposta num corte de 0,50 ponto percentual na taxa de referência dos EUA - o que a levaria de 4,25% para 3,75% anuais. Mas, se a inflação vier muito pressionada, o mercado pode alterar sua expectativa, contando com um corte menos pesado, de 0,25 ponto."Com dados econômicos importantes, como o livro bege e a nova fala do Bernanke, tudo nos EUA, as Bolsas mundiais devem seguir nervosas, oscilando de acordo com as apostas em cortes de juros pelo Fed. O Ibovespa deve ser influenciado, mantendo o padrão de alta volatilidade", avalia Gustavo Barbeito, analista da Prosper Gestão de Recursos.
Ben Bernanke, presidente do Fed, falará novamente na quinta-feira. Na semana passada Bernanke deu declarações que sinalizaram que o Fed realmente vai cortar os juros, o que animou os mercados."Na semana [passada], um dos pontos relevantes foi o discurso do presidente do Fed, sinalizando uma redução mais forte dos juros para a próxima reunião. Para a semana temos uma agenda externa bem carregada, com destaque para a divulgação da produção industrial e da utilização da capacidade instalada, importantes índices de inflação e confiança da economia norte-americana, que acabarão ditando o ânimo do mercado", afirma análise da corretora Coinvalores.
Preços nacionais
No Brasil, a divulgação do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) na sexta passada não estragou o humor do mercado pois, apesar de elevada, a taxa de inflação ficou dentro do esperado. A taxa subiu 4,46% no ano passado.
Para a Bolsa é importante que a inflação não seja muito pressionada no país. A ameaça dos preços elevados poderia levar o Copom (Comitê de Política Monetária) a optar por subir a taxa básica brasileira, que está em 11,25% anuais.
"Estimamos que o IPCA encerre 2008 em 4,2%, com alguma folga em relação à meta de 4,5%. Os maiores riscos a esse cenário, do nosso ponto de vista, se encontram, mais uma vez, no grupo dos alimentos, que por questões climáticas ou de demanda mundial podem levar a inflação de 2008 a patamares mais elevados", avalia Maristella Ansanelli, economista-chefe do banco Fibra.
sábado, 12 de janeiro de 2008
A natureza é implacável
| Celio Messias/AE |
| O reservatório da hidrelétrica de Furnas: faltou chuva |
O francês Victor Hugo (1802-1885) escreveu, em um célebre ensaio sobre William Shakespeare, que "Deus se manifesta de duas maneiras – primeiro, pela natureza e, segundo, pelo engenho humano". Perfeito. Ocorre que nem sempre o encontro dessas duas manifestações divinas é muito colaborativo. Ao contrário. A história da vida civilizada nada mais é do que a sucessão de quedas-de-braço travadas entre o homem e a natureza, com vitórias parciais do primeiro. Como resultado, existem hoje amplos recursos tecnológicos para evitar que os humores naturais atormentem a vida das pessoas e das nações.
Duas reportagens da presente edição de VEJA tratam dessa questão de duas maneiras. Uma delas relata uma vitória contra a natureza. A reportagem revela como a ciência decifrou os enigmas da radiação solar e dotou as pessoas da informação e dos filtros adequados para tirar do espectro luminoso apenas o que ele pode fornecer de mais benéfico para o corpo, tornando, assim, a experiência ao ar livre no verão muito mais prazerosa e saudável. A outra, infelizmente, narra uma derrota. Ela mostra como décadas de falta de investimento em fontes geradoras de energia deixaram o Brasil com extrema dependência de suas hidrelétricas e, portanto, refém do regime de chuvas, do qual a natureza é soberana.
Arquivo Etc
quarta-feira, 9 de janeiro de 2008
COM QUEDA DOS JUROS, POUPANÇA CRESCE 25%
Captação líquida atingiu R$ 33, 4 bi
A caderneta de poupança encerrou 2007 com o melhor resultado da história. O saldo de todas as cadernetas somou R$ 235,3 bilhões. A ausência de taxa de administração, a isenção de IR e a queda dos juros voltaram a atrair para o mais conservador investimento
Aumento de renda levou classes D e E a poupar e queda do juro incentivou classe média a migrar para caderneta
A caderneta de poupança encerrou 2007 com o melhor resultado da história. Em tempos de aumento da renda e queda do juro, o brasileiro voltou a encarar a caderneta como alternativa de investimento.
A ausência de taxas de administração e a isenção do Imposto de Renda são os maiores atrativos. No ano, os depósitos superaram os saques em R$ 33,4 bilhões. O valor é cinco vezes maior que o resultado de 2006 (R$ 6,5 bilhões).
Conforme dados divulgados ontem pelo Banco Central (BC), o resultado recorde foi proporcionado pelos depósitos de R$ 1,03 trilhão e retiradas de R$ 995,1 bilhões. Com o aumento de mais de R$ 33 bilhões, o saldo de todas as cadernetas atingiu R$ 235,3 bilhões no fim de 2007. O valor é 25,18% maior que o de 2006.
O recorde também foi registrado no resultado de dezembro, quando a captação somou R$ 9,1 bilhões, maior cifra para um único mês na história.
Especialistas dizem que o forte resultado pode ser explicado pelo aumento da renda e queda dos juros. Juntos, esses fatores têm levado clientes das classes D e E a poupar mais e feito com que alguns investidores de classe média saiam dos fundos de renda fixa de volta para a poupança.
sábado, 5 de janeiro de 2008
Veja: É pedir muito?
| Sergio Dutti/AE |
| Bernardo e Mantega: imposto já. Cortes mais tarde |
Uma reportagem desta edição de VEJA mostra como o governo se moveu para tentar cobrir o buraco de 40 bilhões de reais aberto pelo fim da cobrança do "imposto do cheque", a CPMF, cuja recriação foi negada pelo Senado no mês passado. Nenhuma surpresa nas medidas anunciadas pelos ministros Guido Mantega, da Fazenda, e Paulo Bernardo, do Planejamento. Infelizmente. Como havia a promessa do governo de que as soluções viriam do consenso entre o Executivo e o Legislativo e de que elas não acarretariam aumento de impostos, vigorou por alguns dias a esperança do surgimento de algo inédito na administração federal, um corte efetivo dos gastos públicos. Nada disso. O governo preferiu continuar não cabendo dentro do PIB.
As medidas incluem o imediato aumento das alíquotas do imposto sobre operações financeiras (IOF) e da contribuição social sobre o lucro líquido do setor financeiro. Anunciou-se também um corte de 20 bilhões de reais. Como sempre, os cortes ficam para depois. Eles ainda serão definidos no próximo mês e vão incidir sobre a parcela de investimentos a ser prevista no Orçamento da União para 2008, peça que o Congresso ainda nem começou a estudar para valer. Leia-se: o aumento de imposto é para já. A economia fica para as calendas gregas.
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