Plus500

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

Hugo Chávez, o terceiro-mundista fanfarrão

Mario Vargas Llosa, E-mail: llosa@estado.com.br, Site: www.llosa.com.br

É verdade que uma imagem vale mil palavras e uma seqüência de imagens, dez mil. O incidente que imortalizou a sessão de encerramento da última Cúpula Ibero-Americana realizada em Santiago, divulgado para o mundo pelas câmeras de televisão, diz mais e ilustra melhor sobre o caudilho venezuelano Hugo Chávez e congêneres, e sobre as relações da Espanha com a América Latina, que dezenas de ensaios sisudos.

Os melhores roteiristas de Hollywood não teriam feito tão bem se quisessem abrir o espetáculo com a imagem - entre cômica e sinistra - de um fanfarrão terceiro-mundista em plena ação. Interrompendo o presidente do governo espanhol que, timidamente, se atrevia a recordar os mandatários latino-americanos de que “nacionalizar empresas não garante nada”, o comandante Hugo Chávez se apodera do microfone e dispara insultos contra José María Aznar, que algum dia convidou a Venezuela a algo tão ignominioso como integrar-se “ao primeiro mundo”, proposta fascista que o caudilho tropical rejeitou, é claro, porque “nós somos humanos e os fascistas não são humanos. Creio que uma serpente é mais humana que um fascista ou um racista”. A estupidez conceitual se enriquece se quem a emite se expressa com a vulgaridade do comandante Chávez e sua gesticulação de quartel. Até aqui, nada que surpreenda, embora, muito que entristeça e envergonhe, se quem assiste a cena é latino-americano e, sobretudo, venezuelano.

Continua em Arquivo Etc

Nenhum comentário: