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sexta-feira, 2 de novembro de 2007

Lágrimas do dia de Finados

As notícias da sexta-feira são ruins. Enquanto os brasileiros relembram seus entes queridos que partiram desta para melhor, os investidores americanos temem ter de sepultar seus bancos, que poderão ser vitimados por uma deterioração do cenário mundial de crédito.

As ações da corretora americana Merrill Lynch caíram 8,6% e atingiram seu menor nível em seis anos. O que voltou a assustar os investidores foi uma notícia do The Wall Street Journal dizendo que as negociações entre a Merrill Lynch e um fundo de hedge para compensar as perdas da corretora no mercado de hipotecas podem fracassar. Pior do que isso, a Securities and Exchange Commission (SEC), órgão regulador do mercado americano está "examinando" como a Merrill lançou os preços e divulgou os resultados de suas aplicações no mercado hipotecário. Isso pode significar mais perdas, algo que os especialistas já anteciparam. Na semana passada, a Merrill anunciou uma baixa contábil de cerca de 8 bilhões de dólares em aplicações no mercado hipotecário. Um relatório do Deutsche Bank informa que as perdas podem somar mais 10 bilhões de dólares.

Os problemas não se limitaram à Merrill Lynch. Na quinta-feira, a consultoria CIBC World Markets e o banco suíço Credit Suisse rebaixaram a classificação de risco do Citigroup. Segundo um relatório da CIBC, o Citi poderá ter de dar baixa em cerca de 30 bilhões de dólares em empréstimos de baixa qualidade. Em dois dias, as ações do Citi caíram quase 11%, atingindo o menor nível em quatro anos. Alguns analistas reduziram o preço-alvo das ações do Citi de 40 para 34 dólares devido às perdas. No início da manhã no pré-mercado, as ações estavam cotadas a 37,57 dólares. Papéis de outros bancos como Washington Mutual também caíram, tornando o setor financeiro o de pior desempenho no mercado americano este ano. Os papéis dos bancos estão registrando seus menores preços em cinco anos.

O que está acontecendo? O sistema financeiro internacional está sendo obrigado a admitir algo que vinha evitando reconhecer: a crise do setor imobiliário americano é profunda, e seus reflexos serão pesados, graves e duradouros tanto sobre a saúde financeira dos bancos quanto sobre os mecanismos globais de concessão de créditos. Para explicar em poucas palavras o que aconteceu, basta dizer uma frase. Os bancos emprestaram dinheiro demais - próprio e de investidores - para quem não podia pagar. Agora, chegou a hora que todos evitavam: o momento de sentar, fazer as contas e dividir os prejuízos o menos fraternalmente possível.

E agora? Os prognósticos para o mercado aqui são ruins. Não se espera uma grande alta do dólar, pois o saldo da balança comercial continua positivo e há reservas mais do que disponíveis para fazer frente ao capital internacional que sentir uma súbita saudade de seu país natal e carimbar uma passagem de volta. Os juros podem subir muito no mercado futuro, voltando a machucar os gestores que ja´perderam dinheiro com a súbita alta de agosto.

As ações, por sua vez, podem amargar fortes baixas. Sempre é bom lembrar que 70% das aberturas de capital, em média, foram compradas por investidores internacionais. Uma redução do apetite dessa turma tornará insustentáveis as cotações atuais.

Blog do Investidor

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