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segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

Os financeiros no mundo real


Cássio Casseb é um tremendo executivo financeiro, de carreira bem sucedida, com enorme coleção de vitórias, como a recuperação do Credicard nos anos 90.

Sua demissão da presidência do Pão-de-Açúcar, assim como a de Marcos Bologna (outro belo executivo financeiro) da presidência da TAM, mostra que finalmente está caindo a ficha do setor produtivo: executivos financeiros são ótimos executivos... para a área financeira.

Nos anos 80, os novos bancos de investimento, como Garantia e Pactual, adquiriram diversas empresas em dificuldades e julgaram que se dariam bem meramente colocando um bom executivo financeiro para cuidar do caixa e cortar os custos. Arrebentaram a Artex, na época o maior exportador brasileiro de têxteis, empresas em Sorocaba. O maior dos banqueiros, Jorge Palo Lehmann, entendeu que, sem entender profundamente do negócio, não haveria magia financeira que resolvesse

Na Ambev o jogo foi diferente. Colocou seu braço direito Marcel Telles para aprender o ofício. Coincidiu de Telles ter potencial para se tornar um dos grandes executivos do país. Implantou programas de qualidade, planejamento estratégico, um tremendo lobby junto ao CADE (Conselho Administrativo de Direito Econômico), na época da aquisição da Antárctica, planejamento tributário, estratégia para plantar cevada. Com a base tinindo, no topo Lehmann dava início a uma estratégia que os tornaram controladores da maior cervejaria do mundo.

Essa lição não foi aprendida por muitas empresas da economia real, confiantes na magia dos seus executivos financeiros, premidos pela síndrome dos resultados trimestrais.É impossível montar estratégias bem sucedidas tendo que dar satisfações trimestrais aos acionistas. E não há, nesses financeiros, um suposto conhecimento universal que possa ser aplicado indistintamente em qualquer setor.

enviada por Luis Nassif

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