Mais cedo ou mais tarde os grandes bancos centrais do mundo terão que encarar o controle e a regulação mais rígida dos capitais voláteis, especialmente dos fundos hedge. Hoje em dia, há uma regulação frouxa, e algumas normas que acabam induzindo parte dos fundos a investirem em mercados de commodities.
Há uma discussão estéril sobre se a alta nos preços das commodities se deve ao aumento da demanda global ou aos movimentos especulativos dos fundos. Ambos, mas os fundos exercem um papel pró-cíclico – ou seja, quando a economia caminha em uma direção, eles tendem a tornar mais radical o movimento; e vice-versa, na volta.
Esse é o problema principal. O petróleo sempre foi afetado por problemas de oferta e demanda, por problemas políticos e por especulações em torno do chamado “momento de pico” – aquele em que a demanda passaria a ser gradativamente maior do que a capacidade de descobrir novos campos.
Luis Nassif
terça-feira, 1 de julho de 2008
A nova guerra do petróleo
domingo, 16 de março de 2008
A crise aumenta
Nassif, você está acompanhando o caso do Bear Stearns? bem, o 'ursão' quebrou e foi doado para o JP Morgan pela mixaria de US$ 236 milhões, o FED baixou os juros para 3,25% ao ano nesta noite de Domingo e criou um Banco que irá emprestar dinheiro para os bancos privados em dificuldades pelos próximos 6 meses.
A coisa tá feia..
enviada por Luis Nassif
domingo, 9 de março de 2008
A crítica a Greenspan
Nassif, vou ter que trabalhar no domingão, mas tudo bem na semana vou estar muito ocupado, Aqui vai um resuminho, não li o livro portanto as opinioões não são minhas, publique se achar pertinente (sobre o novo livro que saiu nos Estados Unidos, criticando a gestão Greenspan):
"O livro defende que o ex-presidente do Fed está por trás das maiores bolhas especulativas da história recente dos Estados Unidos .É uma referência às duas graves bolhas especulativas que eclodiram durante sua gestão no Fed: a das empresas de tecnologia, no fim dos anos 90, e a imobiliária, cujos efeitos desastrosos sobre a economia dos Estados Unidos estão aparecendo agora. Na visão do autor, a grande falha de Greenspan foi ter agido pensando mais no comportamento da bolsa de valores do que no desempenho da economia americana.
"Ao longo da história, os mercados subiram e caíram, mas ele tentou impedir o equivalente a uma lei da gravidade financeira." Para o autor, ao contrário de outros presidentes do Fed, Greenspan evitou adotar medidas que pudessem fazer o preço das ações cair, mesmo que esses tombos fossem necessários para gerar ganhos de longo prazo para a economia americana. Mantendo os juros baixos durante parte do período em que comandou o Fed,fez com que o retorno das aplicações de renda fixa fosse reduzido, o que incentivou os investidores a migrar parcelas significativas de seu patrimônio para o mercado de ações. Esse fluxo de dinheiro para a bolsa, aliado ao acesso a crédito farto e barato, fomentou as febres especulativas das empresas de internet e imóveis.
enviada por Luis Nassif
quinta-feira, 6 de março de 2008
O câmbio chinês e o Brasil
No caderno Dinheiro da “Folha”, uma boa entrevista de Maria Cristina Frias com Paulo Tenani, do UBS – para contrabalançar as simplificações grosseiras de Alexandre Schwartsman (clique aqui).
Tenani analisa o custo que o Brasil está pagando para ajudar no ajuste mundial, exportando empregos e riqueza. Mostra os ganhos dos investidores externos com o diferencial de taxas de juros. Diz que a 9% ao ano a Selic daria uma remuneração justa ao investidor externo
E avalia os efeitos de uma provável apreciação da moeda chinesa para o Brasil.
enviada por Luis Nassif
quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008
O aumento da arrecadação
Segundo Bernardo, vai permanecer o contingenciamento até que se tenha mais segurança sobre os dados de arrecadação este ano. Na escala de prioridades, Lula definiu que a primeira é a Saúde. Por isso mesmo, o PAC da Saúde deverá ser retomado em breve. Depois o PAC Educação e as negociações com servidores. O governo já havia realizado uma renegociação que foi suspensa e Agora, será retomada.
Bernardo não vê nenhum risco de não se garantir o superávit fiscal. No ano passado, a meta foi de 3,8%. Acabou sendo de 4,22% por que alguns investimentos do PAC acabaram não sendo realizados. Este ano, com o PAC andando em ritmo mais acelerado, a idéia é ficar nos 3,8% de superávit primário. Em relação aos gastos, a única mudança deverá ser nos prazos, que terão que ser refeitos, em função da nova previsão de receita.
enviada por Luis Nassif
segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008
Boatos suiços
quinta-feira, 31 de janeiro de 2008
O caso Telemar-Brasil Telecom
1. O acordo da venda da Brasil Telecom para a Telemar será fechado no dia 11 de fevereiro e não amanhã.
2. Caso o acordo não chegue ao final (por qualquer motivo), a Telemar terá que pagar uma indenização e US$ 500 milhões à BrT.
3. Pelo acordo, os fundos ficarão com 10% de participação na nova empresa.
4. Ponto importante é a questão da governança. Para definir o presidente, em caso de mudança, os fundos escolherão um head hunter (selecionador de executivos) e os controladores outros dois. Cada head hunter indicará um executivo. Os fundos terão direito de vetar um dos três. Os controladores escolherão o presidente entre os dois remanescentes. Os fundos terão poder de veto também sobre uma série de ações dos controladores.
5. Nas negociações iniciais, os dois sócios da Telemar (Carlos Jereissatti e Sérgio Andrade) ofereceram R$ 3 bi pela participação dos fundos. Os fundos contrapuseram US$ 5,6 bi. Chegaram a um meio termo, mais próximo da proposta dos fundos
6. Para a operação não emperrar, provavelmente terão que terminar as pendências jurídicas – fundos x Daniel Dantas; Citi x Dantas. Até agora Dantas não se manifestou, seus porta-vozes na mídia tem apoiado a fusão. Mas ninguém tem dúvida de que ele está esperando a hora certa para endurecer e vender com vantagens sua posição.
7. Os fundos julgam que a operação obedece a uma lógica econômica (fortalecendo a nova companhia), de país (permitindo ter a grande companhia nacional, em um momento em que o próprios EUA incentiva a fusão das Bels), e permitirá trazer resultados consideráveis ao caixa dos fundos. E garantem que, na hora em que for divulgado o acordo, se verá que foi estabelecido um novo grande parâmetro de governança corporativa no pais. Mas reclamam que nem a mídia nem o governo estão valorizando esse avanço.
enviada por Luis Nassif
quarta-feira, 30 de janeiro de 2008
Prestando contas
Há 20 anos tenho uma empresa, a Agência Dinheiro Vivo. Foi pioneira nos serviços eletrônicos do país. Em 1996, tomei um financiamento do BNDES, para tentar aproveitar a onda de Internet que se iniciava. Por várias razões, a empresa entrou em dificuldades e o projeto não deu certo.
Desde então, venho lutando com a dívida. Já tinha feito uma renegociação com o banco, anos atrás. Enormes atrasos no desenvolvimento dos novos sites deixaram a empresa em situação delicado. Não consegui manter em dia as prestações, resultando em uma execução judicial por parte do banco e, depois de longas negociações, um acordo na Justiça.
O banco não cedeu em nada, não reduziu o spread nem o principal e manteve os juros bem acima da TJLP. O máximo que consegui foi estender o prazo de pagamento. Por conta dos juros e dos atrasos, a dívida é 2,3 vezes maior do que a original. Nas negociações ficaram suspensos multa e juros de mora – que serão cobrados em caso de nova inadimplência – como, aliás, é praxe em qualquer renegociação.
A partir de junho do ano passado, antes mesmo de assinado o acordo, retomei os pagamentos. O acordo foi fechado em agosto. Por razões burocráticas, ainda não foi homologado pelo juiz. Mas as prestações estão sendo pagas em dia. Portanto não há inadimplência, nem calote. Nem houve qualquer concessão nas negociações. E nenhum tostão de empréstimo foi levantado no atual governo.
Nesses dois anos de pauleira, a Agencia Dinheiro Vivo conseguiu superar suas dificuldades, terminar os novos projetos, que vinham se arrastando e fechar boas parcerias para 2008. Os sistemas, finalmente, estão nos ajustes finais, em cima de concepções inovadoras, que ajudarão a incrementar o Guia Financeiro e o Projeto Brasil..
Aproveitando a situação de fragilidade da Dinheiro Vivo, nos últimos tempos fui alvo de toda sorte de calúnias, injúrias e difamações, produzidas pelo comando de Veja com o evidente intuito de me intimidar nas críticas que faço à revista.
Poderia ser o momento para relaxar e cuidar da vida e da família. Mas o jornalismo fala mais alto.
enviada por Luis Nassif
terça-feira, 29 de janeiro de 2008
Ao menos por enquanto
Os números são conhecidos.Entre 2006 e 2007, o saldo comercial caiu de US$ 46,5 para US$ 40 bi. O déficit no balanço de serviços e renda aumentou de US$ 35 para R$ 40,6 bi. Os saldos nas transferências unilaterais manteve-se estável em US$ 4 bi.No geral, o saldo em transações correntes despencou de US$ 13,6 bi para US$ 3,6 bi. Para 2008 o quadro é de agravamento da deterioração. O saldo comercial poderá cair de US$ 15 a US$ 20 bi.Como tendência de transações externas não se muda no tranco, em qualquer país racional o governo, Congresso e mídia estariam berrando a plenos pulmões para se começar a virar o barco.Por aqui, a lógica é a expressa na declaração do economista da Mauá Investimentos (de Luiz Fernando Figueiredo, ex-BC na gestão Armínio Fraga), ouvido pelo repórter:“Ainda assim, alguns analistas dizem que a piora nas contas externas não deve, ao menos por enquanto, causar muitos problemas para a economia. O economista Caio Megale, sócio da Mauá Investimentos, diz que, caso a crise se agrave, o BC pode usar parte das reservas internacionais acumuladas nos últimos anos para compensar a redução no fluxo de dólares."Ainda existe um estoque grande de capital de curto prazo no Brasil. Se eles [investidores estrangeiros] quiserem sair, o déficit [nas contas externas] vai ser maior do que o esperado", diz Megale. Nos seus cálculos, porém, uma saída mais acentuada de recursos faria com que ficasse faltando entre US$ 10 bilhões e US$ 15 bilhões para equilibrar as contas externas, valor pequeno perto dos US$ 188 bilhões em reserva”.
O “ao menos por enquanto” é de arrepiar. Mas é assim que pensam (ou se iludem) Banco Central, Fazenda, Lula, o mercado e a mídia: vamos curtir até o último segundo, e o futuro a Deus pertence.
Efeito dominó
Segundo a Goldman Sachs, o Japão está tecnicamente de volta à recessão. "Ao menos por enquanto", o Brasil não será afetado prlo resfriamento da economia mundial.
Luis Nassif Online
segunda-feira, 28 de janeiro de 2008
O mapa da crise
O montante das perdas
Malcolm Knigth, diretor-geral do Banco de Compensações Internacionais (BIS), espécie de BC dos bancos centrais, alertou que a exposição aos créditos hipotecários de alto risco ("subprime") globalmente varia de US$ 250 bilhões a US$ 600 bilhões, muito além do montante até agora revelado pelas principais instituições financeiras.
Falha de regulação.
Como o “subprime” afetou os bancos
Deveremos ter regras mais duras para ativos de securitização. Um ponto de revisão deve envolver linhas de crédito comprometidas e não usadas, no centro da crise atual. Os bancos comprometiam linhas de crédito para garantir emissões de títulos lastreados em receitas como os pagamentos de hipotecas de alto risco. Essas linhas eram utilizadas quando as hipotecas começavam a ter calote e o emissor do bônus não tinha como honrá-lo, de forma que o banco acabou com um crédito podre.
sexta-feira, 25 de janeiro de 2008
Preço das commodities
Preço de alimento deve se manter alto, diz FAO
Para ONU, nem desaceleração interrompe altas
REUTERS
Uma desaceleração econômica mundial e uma possível recessão nos Estados Unidos e em outros países ricos não vão afetar fortemente a tendência de alta no preço dos alimentos, pelo menos a curto prazo, afirmou ontem em Davos o diretor-geral da Organização da Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO).
Jacques Diouf disse em entrevista durante o Fórum Econômico Mundial que os fundamentos que provocaram o aumento dos preços dos alimentos nos últimos meses -mudanças climáticas, demanda em ascensão dos países emergentes, procuram interno por biocombustíveis e crescimento populacional- seguem os mesmos, independentemente das turbulências internacionais.
"Mesmo que haja um desaquecimento na economia e vejamos as pessoas diminuindo o consumo, certamente não será em alimentos", afirmou Diouf. Para ele, os preços de outras commodities vão cair antes dos produtos agrícolas.
quinta-feira, 24 de janeiro de 2008
Uma questão de negócios
Em outubro do ano passado, um empresário brasileiro almoçou em Londres com um gestor de fundos árabes. No almoço, o gestor comentou que o rombo do Citigroup seria de US$ 30 bilhões e da Merril Lynch de US$ 15 bilhões. Apenas em janeiro essas informações se tornaram públicas.
Tudo isso revela que, no mercado internacional, a oportunidade faz o ladrão. Não sendo tão drástico: em períodos de grandes ganhos, a tendência do sistema como um todo é a de minimizar alertas de risco, para saborear os ganhos até o último momento.
É importante entender que, com mercados em expansão, ganham não apenas os bancos, seguradoras e investidores, mas toda a estrutura de acompanhamento: analistas econômicos, agências de risco, gestores de fundos.
Uma agência de risco que antecipe a crise influenciará o mercado, e afetará seus resultados trimestrais. Daí essa inevitável leniência com que todas as bolhas são tratadas. Só quando o prejuízo é inevitável, a verdade aparece.
O mundo, a partir de NY
Por aqui o corte dos juros e o pacote de estimulo ainda nao acalmaram os mercados. Acreditam que até fim da semana teremos dias tensos. Até as acoes da Apple tiveram forte queda. Uma surpresa.
O economista Jeffrey Frankel da JFK School of Government disse ontem que tais medidas nao serao suficientes e que uma nova política fiscal deverá ser estabelecida. Dizer aos americanos, já super endividados que continuem consumindo soa um tanto irrealista.
A campanha perdeu um pouco de espaco para a economia...ainda bem porque Hillary e Obama continuam trocando farpas.
enviada por Luis NassifA telefonia, segundo a TIM
Vamos, agora, à posição da TIM.
Em meio a essa enxurrada de especulações, a TIM se atém ao que diz a lei. A mudança de controle da Telecom Italia atrasou seis meses porque uma das condições dos bancos italianos e da Telefonica é que fossem resolvidas as questões regulatórias naqueles países onde houvesse posições concorrentes entre empresas controladas -- especialmente no Brasil e na Argentina.Na Argentina, se resolveu rapidamente. No caso brasileiro, não. Hoje em dia a Vivo (na qual a Telefonica tem 50%) possui 32% dos celulares; a TIM outros 30%. A ANATEL (Agência Nacional de Telecomunicações) soltou um documento colocando 28 restrições a uma posição fusão das operações de ambas. O primeiro ponto é que as operações de ambas deveriam ser totalmente independentes.
Recentemente vieram ao Brasil o CEO e o chairman da Telecom Italia. Estiveram na ANATEL, no CADE (Conselho Administrativo de Direito Econômico) e com o presidente da República. E reafirmaram a decisão de manter independentes as operações de ambas as empresas.
O que pode acontecer pela frente, não se sabe. Na telefonia há muito boato, questões regulatórias intrincadas e decisões que precisam ser tomadas rapidamente.
Mas, na visão da TIM, o quadro atual é esse que foi relatado.
enviada por Luis Nassif
quarta-feira, 23 de janeiro de 2008
Os bastidores da operação Oi-BrT
O depoimento abaixo foi-me dado por um dos principais envolvidos na compra da Brasil Telecom pela Oi-Telemar. É a primeira vez que ele fala com imprensa, com a condição de “off”. Obviamente, o que diz expressa sua visão.
O presente não é mais a telefonia fixa, mas o celular, que se tornará cada vez mais o laptop ultra portátil, diz ele.
A Brasil Telecom era inviável a médio prazo porque as brigas societárias (com Daniel Dantas) fizeram com que ela entrasse muito tardiamente no mercado de celular e deixasse de fazer investimentos fundamentais. Tem um falso caixa, dinheiro líquido, mas porque não investiu na época em que deveria. A Oi-Telemar investiu US$ 4 bilhões em celular; a Brasil Telecom apenas US$ 500 milhões. Com esse atraso, ela acabará sendo comprado por um competidor mais forte.
***
A Telemar tem 16 milhões de celulares e US$ 7 bilhões em caixa. Sua dívida corresponde a apenas 0,3% do EBITDA. Seu problema maior eram os conflitos de prioridades dos sócios: alguns queriam sair, outros queriam ficar. Tentou-se uma saída via mercado, mas foram impedidos por injunções de fundos externos, acionistas em preferenciais.
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A operação de compra da Brasil Telecom foi acelerada em função de dois fatos. O primeiro, o acirramento da disputa entre a Telefonia e a America Móvil. No ano passado, em sociedade com a Verizon Communications, Slim chegou a adquirir a parte da Pirelli na Telecom Italia. Uma rápida manobra do governo italiano frustrou a tomada de controle. Bancos italianos financiaram seguradoras italianas, que assumiram o controle com participação minoritária da Telefonia da Espanha.
A Telefonica pagou mais do que sua parte valia em troca de entrar no bolo a compra das operações da Telecom Itália na América Latina. Meses atrás, os espanhóis procuraram o governo brasileiro para informar a compra. O prazo para assumir as operações da TIM Brasil é de dois anos e meio.
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Ficou claro que o próximo campo de disputa entre mexicanos e espanhóis seria o Brasil. E aí o governo brasileiro teria se assustado com reportagem de quatro páginas do Wall Street Journal, desconstruindo a imagem de Slim, apontando os custos das ligações no México e comparando seus métodos aos de John D. Rockefeller.
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O segundo ponto foi a crise do Citigroup. A participação do banco na Brasil Telecom é com recursos próprios, de Tesouraria, não com recursos de terceiros. Com o prazo do Citi estourando, aumentava o perigo de vender sua participação para espanhóis ou mexicanos.Então, ou se encontrava uma solução brasileira, ou a concentração aumentaria***
Para apoiar a operação, a Ministra Dilma exigiu que os dois sócios remanescentes da Oi – Carlos Jereissatti e Sérgio Andrade – no mínimo dobrassem seu capital na empresa com recursos próprios. Cada qual têm US$ 350 milhões. Terão que passar para US$ 700 milhões, inclusive para comprar a participação dos demais membros do grupo de controle – GP, as seguradoras do Banco do Brasil e Daniel Dantas.
Segundo a fonte, não será necessário decreto presidencial para autorizar a operação, mas uma mera portaria da ANATEL (Agência Nacional de Telecomunicações).
A nova empresa
A nova empresa teria 28 milhões de fixos e 20 milhões de celulares (3,5 milhões dos quais da BrT). A Telefonia ficaria com 15 milhões de fixos e controle sobre 60 milhões de celulares. E a Slim com os 28 milhões de celulares da Claro. Com a fusão, haveria um backbone da nova empresa cobrindo todo o país. As duas empresas não têm nenhuma espécie de redundância, são absolutamente complementares, diz a fonte.
Tecnologia
O BNDES está exigindo, em acordo, que a nova empresa passe a investir pesadamente em pesquisa e inovação. Pelo acordo que está sendo negociado com o BNDES, a empresa se compromete a investir de imediato US$ 30 milhões em parcerias com universidades e institutos de pesquisa, para desenvolvimento de produtos ligados à convergência digital. Para os próximos anos, esse total chegará a US$ 100 milhões.
Os fundos de pensão - 1
Conversei também com o presidente de um dos fundos que está participando da operação. Para ele, o negócio será o melhor possível para os fundos. Nas negociações, conseguiram aumentar o preço dos US$ 3 bi iniciais para perto de US$ 5 bi. Além disso, irão ampliar sua participação na Oi-Telemar. Os controladores não poderão escolher o presidente sozinho, o orçamento terá que ser discutido em equipe.
Os fundos de pensão - 2
Os fundos estão discutindo entre si para redefinir sua participação. A Previ já tem uma boa fatia da Oi. A Funcef e a Petrus querem aumentar as delas. O BNDES já se dispôs a reduzir sua participação dos 25% atuais para 19%. Eles compraram a parte da Itália Telecom com deságio. Estarão vendendo com ágio de 100%. O Citi sai das empresas sem prejuízo das ações que move contra Daniel Dantas em Nova York.
Delfim e o terrorismo do mercado
Diagnóstico de Delfim:
Problemas a enfrentar
1º) apesar da boa situação interna, somos parte do mundo, e não é razoável imaginar que estejamos blindados contra as conseqüências de uma eventual falência geral;
2º) no último trimestre de 2007, tivemos (como em todos os países) um aumento dos preços relativos dos produtos agrícolas;
3º) o governo não conseguiu demonstrar seu teorema em matéria de oferta de energia, e ainda há sérias incertezas sobre 2009;
4º) há, aqui e ali, sinais de escassez, que não pode ser resolvida pela importação e,
5º) se a economia mundial entrar em recessão, é provável que a taxa cambial sofra alguma depreciação, com efeito sobre a inflação.
Os falsos diagnósticos
Para os financistas, essa complexa situação interna tem uma única causa: a insistência no "crescimento irresponsável da demanda interna". Isso facilita o diagnóstico dos alquimistas, que habilmente transformaram com sua "varinha" de "credibilidade" (e conivência das famosas agências de análise de risco) papéis "podres" em recomendáveis AAA. A salvação estaria no "óleo de cobra", eficaz para a cura de qualquer mal, de unha encravada a câncer linfático. Enquanto o mundo, preocupado com o nível de emprego, reduz a sua taxa de juros, devemos aumentar a nossa! E aumentá-la já, preventivamente, antes que por alguma desgraça a inflação melhore...
A saída americana
Os bancos centrais não controlaram os "aperfeiçoamentos" do sistema financeiro que construíram a fantástica pirâmide de papéis que hoje nos esmaga. Agora tentam queimá-la lentamente, sem solavancos, com a ajuda da política fiscal expansionista. A probabilidade de recessão nos EUA está crescendo, mas tudo indica que a solução será menos flutuação do PIB e maior inflação "salvadora" (da dívida pública e dos devedores). Já não se fazem mais Paul Volckers...
Inflação
O problema da oferta de energia no Brasil será acomodado com algum aumento de preço, com maior cooperação entre o setor privado e o governo, que deve levar a sério um programa de racionalização do consumo.
O fato de haver escassez de produtos em setores que não podem ser supridos pela importação é apenas um estímulo ao investimento, desde que não se aborte a demanda futura. O salário real tem crescido sem pressionar os custos devido ao aumento da produtividade, o que inibe a transformação de preços relativos em inflação. Com relação a esta, se há alguma coisa que aprendemos é que ela depende fundamentalmente das "expectativas", que estão até agora bem ancoradas. Todo esforço terrorista é para tentar levantar esta âncora...
Comentário
É ilusão pedir. Mas o ponto fundamental para minimizar os efeitos da crise seria uma transição gradual para um novo patamar de câmbio. Uma coisa é deixar o câmbio deslizar mais rapidamente para um patamar de maior folga (acima de R$ 2,00). Outra, é enfrentar uma desvalorização abrupta. Se a desvalorização é inevitável, que pelo menos se tente administrá-la. E na hora em que as contas externas apresentarem um déficit considerável, o estouro da boiada será inevitável.
O desafio maior será reverter a tendência de deterioração das contas externas - como esse Bliog vem alertando há muito tempo.
No caderno "Dinheiro", uma entrevistra de Delfim a Toni Sciarretta, analisando a irresponsabilidade do FED e tocando em um ponto central da política do Banco Central - que cansei de enfatizar aqui: esse acúmulo de reservas cambiais, a redução lentíssima dos juros, visou apenas dar sobrevida a esse jogo especulativo indecente de arbitragem entre taxas de juros e ganhos em cima da apreciação do real e dos juros internos:
DELFIM - Você vê que nossa Bolsa está subindo. Qual é a explicação? Nós continuamos sendo o último peru disponível fora do Dia de Ação de Graças. Por quê? Onde que você vai colocar seus dólares? No Brasil, porque é a coisa mais segura do mundo. Tem US$ 180 bilhões de reservas. Pode fazer três anos de besteira sem causar problema.
Luis Nassif Online
terça-feira, 22 de janeiro de 2008
A briga das telefônicas
enviada por Luis Nassif
segunda-feira, 21 de janeiro de 2008
Da competitividade exacerbada
Nassif,
estou relendo um livro antigo de Karen Horney;" Neurose e Desenvolvimento Humano". E lendo a parte em que ela fala do neurótico na conquista da glória, achei que servia bem para alguém que conhecemos.
"Mas o mais freqüente no neurótico é que o impulso vingativo se apresente ocultamente; de fato, por causa da sua natureza destrutiva, ele é o mais recôndito elemento da conquista da glória. Pode acontecer que só uma ambição desenfreada chegue a se tornar manifesta, mas a análise revela que a sua força impulsionadora é uma necessidade de derrotar e humilhar os outros, superando-os. A sua natureza compulsória deriva-se do fato de auto-idealização(tendo como seqüela toda a conquista da glória)ser uma solução neurótica. A necessidade compulsória que o individuo neurótico experimenta de obter uma supremacia indiscriminada,faz com que ele seja indiferente 'a verdade,relativa a si próprio e aos outros, ou aos fatos."
enviada por Luis Nassif
sexta-feira, 18 de janeiro de 2008
Os fluxos internacionais
Segundo a carta do Credit Suisse, no final de dezembro a posição “comprada” dos bancos, em dólares, era de US$ 7,3 bilhões, o maior valor da série histórica mensal.Recursos externos - 2
Quando alguém está “comprado” em um ativo, é porque está apostando que o ativo vai aumentar de preço. Nesse período, as operações comerciais registraram saldo positivo de US$ 1,3 bilhão, enquanto as financeiras mostraram deficit de US$ 3,5 bilhões. Parte foi resultado do menor volume de entrada de dólares – 21% menordo que em dezembro de 2007. Já o volume de saída de dólares aumentou 6%.Recursos externos - 3
Segundo o banco, estaria havendo menor apetite ao risco por parte dos investidores externos. No início do ano, o índice “Apetite ao risco do investidor internacional”, do próprio banco, pela primeira vez, desde novembro de 2002, superou o patamar de “pânico”. Essa deterioração começou no segundo semestre do ano passado, em função da crise americana.
enviada por Luis Nassif
quarta-feira, 16 de janeiro de 2008
Os candidatos e a recessão americana
Tome-se, por exemplo, o reconhecimento por parte de John McCain de que economia não é sua praia. "Tenho o livro de Greenspan", disse ele. Será que não devemos nos preocupar com um candidato que está tão desligado que vê o Sr. Bolha, o homem que se recusou a regulamentar os empréstimos imobiliários e nos assegurou que havia no máximo "um pouco de espuma" no mercado habitacional, como uma fonte de bons conselhos?
• Rudy Giuliani quer que apostemos na quebra. A resposta que ele propõe aos problemas de curto prazo é um corte imenso e permanente nos impostos, que, diz, se pagaria sozinho. Não o faria.
• Quanto a Mike Huckabee, o que se pode dizer de um candidato que faz um discurso populista e, ao mesmo tempo, propõe elevar a carga tributária da classe média e reduzir a dos ricos?
• E há o caso curioso de Mitt Romney. Fui informado de que ele possui conhecimento considerável de economia. (...)Ele ainda não propôs nada exceto o papo furado republicano padrão sobre impostos baixos e um ambiente pró-empresas.
• Do lado democrata, John Edwards propôs, no mês passado, antes de o consenso econômico tornar-se tão negativo, um pacote de estímulos que incluía assistência a trabalhadores desempregados, ajuda para governos estaduais e locais necessitados, investimentos públicos em fontes de energia alternativa e outras medidas.
• Na semana passada Hillary Clinton fez uma proposta semelhante à de Edwards, em linhas gerais, porém mais ampla. As duas propostas contêm prescrições de estímulos maiores para o caso de a situação da economia se agravar. E é obrigatório reconhecer que Hillary parece sentir-se à vontade com o tema da política econômica e conhecer o assunto.
• Obama apareceu com um plano real de estímulo. Como foi o caso com seu plano para a saúde, que não chegou a prever a cobertura universal, seu plano de estímulo é semelhante aos dos outros candidatos democratas, mas enviesado para a direita. Por exemplo, o plano de Obama parece não conter nenhuma das iniciativas sobre energia alternativa contidas nos de Edwards e Clinton e dá mais peso aos cortes de impostos para todos que à assistência às famílias mais carentes e à ajuda aos governos estaduais e locais. Obama é realmente menos progressista que seus rivais em política doméstica.
Comentário
Teste de única escolha: quem é o candidato de Krugman? Basta ver como forçou a barra contra Obama.
enviada por Luis Nassif