... As taxas do DI e do CÂMBIO devem abrir pressionadas, refletindo a decepção de Wall Street com a decisão do FOMC, anunciada no final da tarde de ontem. A BOVESPA, que ainda operava, inverteu a alta e caiu, em sintonia com as bolsas americanas. Os juros futuros e o dólar sentiram o tranco no GTS eletrônico. Mas, pense bem antes de ir nesse embalo. Aparentemente, os investidores parecem ter feito muito barulho por quase nada, já que o FED correspondeu à expectativa unânime de um corte de 25 pontos do juro básico, para 4,25%, e apenas contrariou as apostas numa queda mais agressiva da taxa de redesconto, reduzida na mesma proporção, em 25 pontos, para 4,75%.
... O redesconto, mecanismo pelo qual o FED empresta diretamente aos bancos, é pouco usado porque, como em todos os lugares, os bancos evitam o estigma de tomar este empréstimo de último recurso. Além disso, há crédito mais barato e menos complicado no mercado. Assim, o fato de o FED ter reduzido essa taxa em proporção menor do que o esperado, 50 pontos-base, não tem efeito operacional, mas, abalou a confiança cega que os investidores tinham na sua ação para salvar a economia. Foi o que pegou.
... Muitos analistas de NY exageravam nas declarações e na veia dramática. Referiam-se à “decepção amarga”, chamavam o FED de “teimoso”, de “negligente”, acusavam BERNANKE de “não levar a sério o estresse do mercado” (abaixo), enquanto a previsão para hoje era de forte alta da taxa LIBOR, pela qual os bancos emprestam entre si.
... Mais difícil foi tentar entender o recado do FED... Ao mesmo tempo que foi modesto no corte da taxa de redesconto, admitiu no STATEMENT que “acontecimentos recentes, incluindo a deterioração dos mercados financeiros, aumentaram a incerteza em relação à perspectiva para o crescimento econômico e inflação”. Alguns acreditam que o FED, propositadamente, deixou de sinalizar a direção da política monetária, até para quebrar a previsibilidade de sua ação. Outros acham que o FED está perdido, como todo mundo.
... Agora, não se esqueça que WALL STREET tem sete vidas e uma capacidade enorme para absorver choques... É verdade que não gostou de ser contrariada, mas, é bem possível que esse ruído não dure 24 horas, que antes de o dia acabar os investidores já estejam pensando diferente. Ninguém de cabeça fria vai acreditar que o FED possa jogar contra, ou deixará de fazer o que for preciso para aliviar os efeitos da crise do crédito.
... O próprio comunicado do FOMC deixou em aberto a possibilidade de novas quedas do juro, não só porque foi retirada do texto a referência ao “equilíbrio entre os riscos de inflação e de uma desaceleração”, mas, também porque é importante o fato de ter havido um voto discordante, em favor de um corte maior da taxa básica, de 50 pontos.
CPMF... No mercado do DI, a questão ainda é essa. Ontem à noite, reunião da bancada do PSDB no Senado fez crescer as especulações de que o partido votaria rachado hoje. Segundo o BLOG DO NOBLAT, pelo menos quatro tucanos podem votar a favor, pressionados pelos governadores, que não querem perder os recursos. Eles esperam o governo apresentar uma proposta formal, de repasse do dinheiro para a Saúde, e então bateriam o martelo. Mais uma vez, o noticiário político conduzirá os negócios na BM&F.
... A emenda que prorroga a contribuição até 2011 deve entrar em votação no plenário do Senado a partir das 16h. Mas, atenção, porque antes disso já tem GAME NO DI.
... Na véspera da Ata do COPOM, nesta quinta-feira, o mercado de JUROS poderá reagir aos dados do PIB do terceiro trimestre, a serem divulgados pelo IBGE às 9h. As estimativas são de alta de 1,10% a 2,53%, na margem, e de um avanço de 4,0% a 5,35% sobre o mesmo período de 2006. Também poderá mexer com os preços a primeira prévia do IGP-M de dezembro (8h), cuja previsão é de alta de 0,51% a 0,98%, e mediana em 0,77%, segundo a pesquisa do AE Projeções. Às 7h, o primeiro IPC da FIPE do mês tem previsão mediana em 0,65%, entre 0,58% e 0,70%. Na BOVESPA, é menos agitado o vencimento do índice futuro. Fonte da coluna diz que, desta vez, “o jogo está mais fraco”.
... Nos EUA, os destaques do calendário são os dados do setor de hipotecas residenciais na semana passada, o déficit comercial de outubro e os informes semanais sobre estoques de petróleo. Confira abaixo as previsões e mais dos mercados internacionais!
Vendida em FED
... O FED acabou com a possibilidade de novo recorde da BOVESPA, ontem, que estava tão pertinho. Antes de sair a decisão para as taxas de juro nos EUA, o índice marcou a nova máxima histórica intraday, aos 66.450 pontos (+1,53%).. Mas, assim que estourou a notícia, a bolsa entrou em queda livre, e rapidamente bateu a mínima de -2%, perdendo mais de dois mil pontos (aos 64.127 pontos). No fechamento, ainda caía forte, 1,43%, em 64.512,3 pontos... O volume financeiro ganhou corpo no final do pregão e somou, no dia, R$ 6,826 bilhões, o maior registrado em dezembro.
... Como é típico em momentos de estresse, o investidor procurou os papéis mais líquidos para reduzirem exposição. E, assim, foi a mega blue chip VALE uma das que mais sofreu com a piora de humor ontem. Tanto a ação ON quanto a PNA recuaram 2,60%.
... Já PETROBRAS conseguiu se segurar, embora tenham diminuído os ganhos. O fôlego foi garantido pelo CREDIT SUISSE, que afirmou em relatório que o Brasil pode ter um acréscimo de 21,05 bilhões de barris de óleo somados a suas reservas de petróleo e gás, quase duplicando a posição atual estimada em 13 bilhões de barris. Além disso, a alta do petróleo (abaixo) ajudou a sustentar os preços da estatal. Assim, PETROBRAS PN subiu 1,51% e PETROBRAS ON foi a segunda maior alta do índice ontem, +1,82%.
... Ações do setor elétrico voltaram a cair, ainda devido ao leilão da usina no Rio Madeira. O evento foi vencido por consórcio liderado pela ODEBRECHT (FURNAS, da ELETROBRÁS, e CEMIG), e pagou deságio alto (35,8%).. Por isso, ELETROBRAS PNB caiu 4,24%, CEMIG perdeu 4,35% e LIGHT recuou 4,57%.
... A decisão do FED de reduzir menos a taxa de redesconto do que desejava o mercado deve ampliar a pressão de alta sobre os DI na abertura, mas, esse é apenas um dos fatores de influência para esse mercado.. Daqui a pouco, a curva dos juros poderá reagir aos números do PIB, que, quanto mais fortes vierem mais devem afastar os investidores do risco prefixado. Logo depois, o DI deve se ligar às negociações da CPMF e, como ontem, há grandes chance de os contratos voltarem à realização, com as boas notícias.
... Nesta terça-feira, os juros iniciaram o dia em alta forte... Os elevados prêmios atraíram vendedores, o que garantiu a queda dos DI no fechamento do pregão viva-voz. O DI janeiro de 2010 fechou em 12,38% (12,47% na segunda-feira). No AFTER MARKET foi a 12,46%.Janeiro de 2009 foi a 11,79% no GTS: 11,74% no viva-voz e 11,76% na véspera.
.... O DÓLAR, que também não operava quando saiu a decisão do FED, fechou o pregão em queda de 0,45%, a R$ 1,758. Por causa da expectativa pela decisão sobre o juro nos EUA, o fluxo foi reduzido. No leilão, no início da tarde, o BC comprou US$ 260 milhões.
... No mercado da DÍVIDA externa, os bônus reverteram os ganhos intraday e as medidas de risco subiram, em linha com a piora de outros mercados financeiros em NY e no mercado local... O Global-40 fechou na mínima, em 134,25 centavos de dólar, estável em relação à véspera. O risco Brasil subiu dez pontos, para 215 pontos-base.
Continua em Bom Dia Mercado
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