A primeira semana de 2008, apesar de mais curta, pareceu interminável. Principalmente depois de uma sexta feira negra nos mercados. O Dow Jones caiu 4,23% e o Ibov 4,46%, nos três primeiros dias do ano.
Estagflação
O ano começou deixando a impressão que dificilmente os EUA escaparam de um processo de estagflação, ou seja recessão com inflação. O quadro econômico é preocupante. As minutas da reunião de dezembro do Fed, divulgadas quarta-feira, mostram que as autoridades monetárias dos EUA compartilham da preocupação de Wall Street de que a economia americana pode entrar em recessão. As minutas suscitaram a perspectiva de cortes adicionais "substanciais" das taxas de juros se uma espiral auto-alimentada de aperto de crédito e crescimento fraco acontecer.
A discordância se dá em relação à inflação. O Fed acha que ela é um risco maior do que em 2001 e maior do que Wall Street e muitos economistas importantes acreditam. Isso força o Fed a aceitar correr um risco maior de recessão do que em 2001. O que pode significar um corte dos juros menor do que o esperado pelo mercado futuro, que prevê a meta da taxa de curto prazo do Fed caindo dos atuais 4,25% para 3% até o fim do ano, ou uma rápida reversão dos cortes de juros.
Indicadores ruins
Essa análise toda porém ocorreu antes do anúncio do número de empregos criados pela economia americana no mês de Dezembro. A expectativa, depois de Novembro gerar 115mil novas vagas, era de que o número no último mês do ano de 2007 ficasse por volta de 70mil. Porém a divulgação nesta sexta-feira que apenas 18 mil novos empregos foram criados, criou uma onda de pessimismo nos mercados, deixando a clara impressão de que uma recessão está muito próxima.
Para completar o cenário negro, a taxa de desemprego avançou para 5%, o nível mais alto desde novembro de 2005. No penúltimo mês de 2007, estava em 4,7%.
Os reflexos foram imediatos. A aversão ao risco provocou uma disparada pela procura dos Treasures americanos (teoricamente um investimento mais seguro), provocando uma queda brusca no rendimento das notas. E alimentou no mercado uma projeção de um corte mais ousado (de 50 pontos base) na taxa básica de juros dos EUA na próxima reunião do Fed.
No Brasil…
Por incrível que possa parecer a análise no Brasil deve ser cautelosa. Se olharmos para o ano de 2007, não podemos negar que muita coisa foi positiva. Então vejamos: o desemprego despencou, a meta de superávit primário provavelmente foi superada, o crédito aumentou em 4% do PIB, as empresas captaram como nunca no mercado de capitais, o investimento direto estrangeiro foi recorde, o que ajudou a elevar as reservas internacionais a um patamar também recorde, e a meta de inflação foi outra vez atingida, a despeito da escalada nos preços dos alimentos. A maior surpresa foi a forte expansão dos investimentos, de 12% no ano encerrado no terceiro trimestre de 2007, na comparação com o mesmo período um ano antes, a maior alta desde 1997. O crescimento do PIB, estimado em mais de 5%, contra uma projeção inicial de 3,5%, vem logo depois na lista das boas surpresas.
Então devemos comemorar ?
Infelizmente não. Uma desaceleração nos EUA pode se transformar em uma recessão e arrastar consigo o sistema financeiro e a economia mundial, que cresceria mais lentamente por alguns anos.
Só nos resta torcer pelo melhor e preparar-se para o pior.
Veja a Apresentação em vídeo em CHR Investor
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