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segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

Análise Semanal 12/01

Era para ser uma semana de redenção. Até quinta-feira parecia que principalmente o mercado americano daria uma pausa na tendência de queda no curto prazo. Mas ontem o humor mudou. As quedas tanto aqui no Brasil, como nos EUA, deixaram as coisas novamente confusas e indefinidas. O Dow fechou a semana nos 12565 pontos, baixa de 1,84%, e o Ibov nos 61942, conseguindo se manter no azul com uma alta (que poderia ter sido mais expressiva) de 1,48%.

Efeito Ben Bernanke

O ponto alto da semana foi o discurso do chairman do Federal Reserve, Ben Bernanke. O presidente da instituição comunicou que as perspectivas econômicas dos Estados Unidos pioraram e que mais cortes na taxa de juros podem ser necessários. Deixando de lado o discurso ambíguo, que costuma ser utilizado pelo Fed, nunca deixando claro os rumos que serão tomados, dessa vez a mensagem foi clara e cristalina. Cortes mais expressivos na taxa de juros são inevitáveis.

"À luz das recentes mudanças no panorama e nos riscos ao crescimento, um alívio adicional da política monetária pode ser necessário", afirmou Bernanke em comentários preparados para um discurso.

"Continuamos prontos para tomar medidas adicionais substanciais da maneira como for necessário para dar suporte ao crescimento e fornecer segurança adequada contra riscos negativos", acrescentou.

Bernanke mostrou-se decepcionado com o relatório de empregos de dezembro e disse que se as condições do mercado de trabalho continuarem a se deteriorar, isso pode aumentar os riscos para a economia.

"As informações sugerem que a perspectiva básica para a atividade em 2008 piorou e os riscos ao crescimento tornaram-se mais pronunciados", afirmou ele.

O chairman do Fed notou que existem evidências de que os bancos do país estão restringindo o acesso ao crédito e o volume de empréstimos, porém ressaltou que o sistema bancário continua saudável.

O discurso ocorreu na quinta-feira e o efeito foi imediato nos mercados, provocando uma retomada dos índices americanos.

Countrywide e Injeção de dinheiro

Na sexta porém o humor mudou novamente. A venda da Countrywide Financial Corp, maior financiadora de hipotecas dos EUA, por US$ 4 bilhões, para o Bank of America, não foi bem recebido pelo mercado e os papeis da empresa chegaram a cair mais de 15%. Nem mesmo os rumores de novas injeções de dinheiro (vindo de fundos do Oriente Médio) nos grandes bancos americanos ( Citi e Merrill ) acalmou os mercados.

Recessão já chegou ?

As constantes quedas no mercado americano, levam muitos analistas a acharem que a recessão já chegou. Segundo um relatório da Merril Lynch, a taxa de desemprego, anunciada na semana passada, foi a gota final que faltava para essa certeza. A recessão é definida, de modo geral, como um declínio no Produto Interno Bruto (PIB) do país ao longo de pelo menos dois trimestres. O reflexo porém dos recuos da economia são sentidos apenas após seis a nove meses no PIB. Isso significa que o segundo semestre de 2008 já promete apresentar números negativos.

Se realmente já estamos vivenciando uma recessão e se considerarmos que os mercados costumam refletir as expectativas do futuro, é de se esperar que o período de sangramento dos índices não tenha vida longa. Desde que, a crise financeira americana seja algo passageiro e que os últimos trimestre do ano tenhamos uma retomada da atividade econômica.

Veja a Apresentação em vídeo em CHR Investor

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