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quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Os bastidores da operação Oi-BrT

Coluna Econômica - 23/01/2008

O depoimento abaixo foi-me dado por um dos principais envolvidos na compra da Brasil Telecom pela Oi-Telemar. É a primeira vez que ele fala com imprensa, com a condição de “off”. Obviamente, o que diz expressa sua visão.

O presente não é mais a telefonia fixa, mas o celular, que se tornará cada vez mais o laptop ultra portátil, diz ele.

A Brasil Telecom era inviável a médio prazo porque as brigas societárias (com Daniel Dantas) fizeram com que ela entrasse muito tardiamente no mercado de celular e deixasse de fazer investimentos fundamentais. Tem um falso caixa, dinheiro líquido, mas porque não investiu na época em que deveria. A Oi-Telemar investiu US$ 4 bilhões em celular; a Brasil Telecom apenas US$ 500 milhões. Com esse atraso, ela acabará sendo comprado por um competidor mais forte.

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A Telemar tem 16 milhões de celulares e US$ 7 bilhões em caixa. Sua dívida corresponde a apenas 0,3% do EBITDA. Seu problema maior eram os conflitos de prioridades dos sócios: alguns queriam sair, outros queriam ficar. Tentou-se uma saída via mercado, mas foram impedidos por injunções de fundos externos, acionistas em preferenciais.

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A operação de compra da Brasil Telecom foi acelerada em função de dois fatos. O primeiro, o acirramento da disputa entre a Telefonia e a America Móvil. No ano passado, em sociedade com a Verizon Communications, Slim chegou a adquirir a parte da Pirelli na Telecom Italia. Uma rápida manobra do governo italiano frustrou a tomada de controle. Bancos italianos financiaram seguradoras italianas, que assumiram o controle com participação minoritária da Telefonia da Espanha.

A Telefonica pagou mais do que sua parte valia em troca de entrar no bolo a compra das operações da Telecom Itália na América Latina. Meses atrás, os espanhóis procuraram o governo brasileiro para informar a compra. O prazo para assumir as operações da TIM Brasil é de dois anos e meio.

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Ficou claro que o próximo campo de disputa entre mexicanos e espanhóis seria o Brasil. E aí o governo brasileiro teria se assustado com reportagem de quatro páginas do Wall Street Journal, desconstruindo a imagem de Slim, apontando os custos das ligações no México e comparando seus métodos aos de John D. Rockefeller.

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O segundo ponto foi a crise do Citigroup. A participação do banco na Brasil Telecom é com recursos próprios, de Tesouraria, não com recursos de terceiros. Com o prazo do Citi estourando, aumentava o perigo de vender sua participação para espanhóis ou mexicanos.Então, ou se encontrava uma solução brasileira, ou a concentração aumentaria

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Para apoiar a operação, a Ministra Dilma exigiu que os dois sócios remanescentes da Oi – Carlos Jereissatti e Sérgio Andrade – no mínimo dobrassem seu capital na empresa com recursos próprios. Cada qual têm US$ 350 milhões. Terão que passar para US$ 700 milhões, inclusive para comprar a participação dos demais membros do grupo de controle – GP, as seguradoras do Banco do Brasil e Daniel Dantas.

Já a compra da Brasil Telecom pela Oi será feita com recursos próprios. A empresa tem US$ 7 bilhões em caixa e vai a mercado levantar mais US$ 3 bi, para ficar com US$ 4 bi em caixa.

Segundo a fonte, não será necessário decreto presidencial para autorizar a operação, mas uma mera portaria da ANATEL (Agência Nacional de Telecomunicações).

A nova empresa

A nova empresa teria 28 milhões de fixos e 20 milhões de celulares (3,5 milhões dos quais da BrT). A Telefonia ficaria com 15 milhões de fixos e controle sobre 60 milhões de celulares. E a Slim com os 28 milhões de celulares da Claro. Com a fusão, haveria um backbone da nova empresa cobrindo todo o país. As duas empresas não têm nenhuma espécie de redundância, são absolutamente complementares, diz a fonte.

Tecnologia

O BNDES está exigindo, em acordo, que a nova empresa passe a investir pesadamente em pesquisa e inovação. Pelo acordo que está sendo negociado com o BNDES, a empresa se compromete a investir de imediato US$ 30 milhões em parcerias com universidades e institutos de pesquisa, para desenvolvimento de produtos ligados à convergência digital. Para os próximos anos, esse total chegará a US$ 100 milhões.

Os fundos de pensão - 1

Conversei também com o presidente de um dos fundos que está participando da operação. Para ele, o negócio será o melhor possível para os fundos. Nas negociações, conseguiram aumentar o preço dos US$ 3 bi iniciais para perto de US$ 5 bi. Além disso, irão ampliar sua participação na Oi-Telemar. Os controladores não poderão escolher o presidente sozinho, o orçamento terá que ser discutido em equipe.

Os fundos de pensão - 2

Os fundos estão discutindo entre si para redefinir sua participação. A Previ já tem uma boa fatia da Oi. A Funcef e a Petrus querem aumentar as delas. O BNDES já se dispôs a reduzir sua participação dos 25% atuais para 19%. Eles compraram a parte da Itália Telecom com deságio. Estarão vendendo com ágio de 100%. O Citi sai das empresas sem prejuízo das ações que move contra Daniel Dantas em Nova York.

Luis Nassif Online

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