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quinta-feira, 13 de março de 2008

PIB brasileiro escolhe viver perigosamente

O dia de ontem foi marcado por efusivas comemorações de todo o governo e de parte da impresa quanto ao crescimento de 5,4% na economia brasileira em 2007. O que esse número não mostra, contudo, está bem explícito nos detalhes: o crescimento foi basicamente sustentado através do perigoso caminho do consumo, com ele representando R$ 1,3 trilhões, 60% do número registrado.O levantamento apontou ainda um aumento médio de 3,6% na massa salarial, porém, o crescimento no crédito foi de 28,8%, o que significa que para cada R$ 10 a mais em salário, uma dívida de pelo menos R$ 80 foi contraída, a maior parte desses financiamentos tendo como direção o consumo.Aliás, o fato do consumo representar 60% do PIB, me trouxe imediatamente à memória um número bem próximo ao que os Estados Unidos detinham antes da atual recessão chegar. Enquanto o ciclo de crédito se expandiu os problemas não existiam, mas quando o excesso de empréstimos varreu da economia a capacidade de endividamento, consumidores e bancos foram lembrados dos graves problemas inerentes a esse tipo de empreendimento. Explosão na inadimplência, queda de preços nos bens, taxa de poupança negativa são alguns dos acontecimentos que costumam ser frequentes quando a festa termina.O que os números do PIB brasileiro mostram é que a população, o governo e o Banco Central estão perseguindo um perigoso caminho, que é o do endividamento como meio de vida. O exemplo americano é suficiente para mostrar que as pessoas não se fazem mais ricas através da tomada de crédito, muito pelo contrário.Comprometer a renda futura, ficando exposto a qualquer interrupção nos ganhos ou desvalorização dos bens, além de usar a matemática de juros compostos contra o próprio patrimônio é uma receita que se aproxima muito mais do fracasso do que o sucesso. Se você acha que não, pergunte a qualquer um dos americanos que se endividaram nos últimos anos.

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