... “Isso vai ser um retrocesso, um tiro no pé. O Brasil deve aos gringos uma coerência no tratamento do capital estrangeiro, porque são eles que vêm pesado para o financiamento da dívida de longo prazo. O País demorou a conquistar essa credibilidade e não faz sentido mudar as regras do jogo. Podemos perder o parceiro, e sem conseguir resolver o problema (apreciação cambial)”, disse o mesmo profissional consultado pela coluna. Para ele, só tem um jeito de melhorar o dólar, que é derrubar o juro.
... A orientação do presidente LULA para a adoção de medidas para conter a valorização do real ocorreu em reunião no Palácio do Planalto, na quinta-feira passada. Mas não parece ser um consenso na equipe econômica. O TESOURO, por exemplo, divulgou um estudo, ontem, destacando a importância do investimento estrangeiro em títulos públicos. À noite, foi a vez da ANDIMA dar o contra (leia abaixo).
... A possibilidade de voltar com a tributação de 15% sobre os investimentos estrangeiros para a dívida pública foi considerada “especulação” por MANTEGA.. Mas, ele colocou na declaração um “por enquanto”, que deixou todo mundo com a pulga atrás da orelha.
... Já o fim da cobertura cambial, que, atualmente, permite que apenas 30% dos dólares obtidos com exportações fiquem no exterior, seria bem recebido, embora sem impacto mensurável para a cotação. “Não acredito que o objetivo seja influenciar o câmbio. Acho que a medida visa proporcionar benefícios operacionais aos exportadores, a flexibilidade reduz os custos das empresas, compensando de alguma forma o câmbio valorizado, resultado de um movimento generalizado e mundial de queda do dólar”, concluiu a fonte.
... Nos EUA, a ação coordenada do FED com os bancos centrais da União Européia, UE, Inglaterra, Canadá e Suíça para prover liquidez ao sistema financeiro global fez festa das bolsas, nesta terça-feira. Os índices em WALL STREET dispararam mais de 3%, e a BOVESPA foi junto. Ninguém acha que o FED, que sozinho entrou com US$ 200 bilhões, resolveu o problema. Pelo contrário, os analistas medem a gravidade da crise pela extensão do socorro. Mas o importante é que, com essas atuações, o FED ganha tempo para o mercado se ajustar, o que acontece, por exemplo, quando os bancos vendem ativos, diluindo os riscos. Leia mais abaixo sobre o desempenho dos mercados em NY!
... A agenda dos indicadores americanos ainda é fraca, nesta quarta-feira, com destaque apenas para os estoques do PETRÓLEO, que continua batendo um recorde por dia (previsões abaixo). Às 15h, o Tesouro divulgará as contas do governo em fevereiro. Na EUROPA, o presidente do BCE, Jean-Claude TRICHET fala às 12h30.
... AQUI, o primeiro IPC-FIPE de março abre o dia, às 7h, com a mediana das previsões em 0,23%, segundo o AE Projeções... Na seqüência, a FGV divulga às 8h a primeira prévia do IGP-M, que deverá ficar em torno de 0,33%... Às 9h, é a vez do indicador mais esperado do dia, o PIB do quarto trimestre de 2007. Os destaques serão o consumo das famílias e os investimentos. No mesmo horário, o IBGE divulga o emprego em janeiro.
Além de tudo...
... Uma eventual tributação do capital estrangeiro em títulos públicos elevaria o custo da dívida, como anotou no Broadcast a jornalista Lucinda Pinto. A possibilidade de o governo mexer com a isenção do estrangeiro começou a preocupar o mercado de juros. Ontem, o rumor de que o governo poderia voltar a cobrar IR dessas aplicações já pressionou o mercado.. Quando o ministro MANTEGA disse que era tudo “especulação”, as taxas caíram... Mas a expectativa com a reunião do CMN deve impor cautela na abertura dos negócios, hoje, de novo.
... O DI janeiro de 2009 fechou o pregão em 11,95%, de 11,98% na segunda-feira. O DI janeiro de 2010 caiu a 12,76%, de 12,91%. E o janeiro de 2012 caiu a 12,76% (12,94%).
... O aumento da participação do investidor estrangeiro, que gosta de aplicar em títulos de prazo longo, ampliou a demanda por papéis do TESOURO e, conseqüentemente, derrubou as taxas pagas ao mercado como um todo. Com a isenção do I.R., o volume da dívida nas mãos de estrangeiros saltou de R$ 7 bilhões (início de 2006) a R$ 57,7 bilhões (dezembro de 2007). O papel mais atrativo é a NTN-B, atrelada ao IPCA. A taxa desse título, que era de 9% antes da isenção, caiu a 6% ao ano, e hoje oscila ao redor de 7,5%.
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