Plus500
Mostrando postagens com marcador Míriam Leitão. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Míriam Leitão. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 14 de abril de 2008

Atitude da ANP cria ambiente propício para especulação

É um absurdo o que o presidente da ANP (Agência Nacional do Petróleo), Haroldo Lima, fez agora à tarde com este anúncio sobre um possível novo campo de petróleo da Petrobras na Bacia de Santos (leia aqui no Globo Online). Ele não pode fazer um anúncio sobre as atividades de uma empresa de capital aberto como é o caso da Petrobras.

Se a empresa fez uma descoberta que aumenta seus ativos, e que portanto vai elevar também o valor de suas ações na bolsa, isso tem que ser comunicado ao mercado por meio de um fato relevante.

A CVM (Comissão de Valores Mobiliários) terá que analisar este caso para pelo menos informar às agências reguladoras qual é o seu verdadeiro papel. Certamente não é este.
A Petrobras agora precisa esclarecer o mais rapidamente possível o que é verdade e o que não é nesta informação. A atitude de Haroldo Lima mexe com as ações e cria uma ambiente próprio para especulação.

segunda-feira, 17 de março de 2008

Commodities desabam por fuga de ativos

Os preços das commodities estão desabando e puxam para baixo as ações da Petrobras e da Vale. A explicação é a falta de liquidez na economia americana e a fuga de capitais dos mercados futuros. O petróleo recuou 3,84% caindo para para US$ 105,98%, o cobre perdeu 3,68%. As maiores perdas aconteceram com o café (-10,4%) e o açúcar (-10,2%). (veja aqui como estão as bolsas pelo mundo)

Se a queda das commodities se caracterizar como uma tendência, isso pode virar um problema para o Brasil. Boa parte das nossas exportações está focada justamente nesses produtos. O normal, com a economia americana em crise, seria que os preços já estivessem caindo, com a diminuição da demanda da maior a economia do mundo. Mas a demanda chinesa e a especulação nos mercados têm impulsionado os preços para cima.

Miriam Leitão.com

sexta-feira, 7 de março de 2008

Investimentos estrangeiros em energia no menor nível


Em 2007, os investimentos estrangeiros em energia atingiram o menor nível do total de investimentos estrangeiros diretos (IED) no país. O volume foi de US$ 2,1 bilhões, 6% do total investido. Em 2006, os investimentos foram US$ 3,1 bilhões, o que representa 14%, diz relatório Energia em Foco, do Centro Brasileiro de Infra-Estrutura (CBIE).
O total de investimentos estrangeiros diretos em 2007 foi cerca de 52% maior que em 2006, saltou de US$ 22,2 bilhões para US$ 33,7 bilhões. Mesmo assim, os investimentos em energia foram reduzidos. Desde 1998, quando começaram as estatísticas, o setor de energia nunca teve uma participação tão reduzida no IED. Veja no gráfico abaixo.



postado por Miriam Leitão

quinta-feira, 6 de março de 2008

Países asiáticos pressionam alta dos alimentos


O preço das commodites agrícolas segue em alta em 2008. O crescimento da demanda de países asiáticos, principalmente a China, tem pressionado os preços. Nesta semana, o governo chinês anunciou que uma das medidas que adotará para conter a inflação de alimentos no país é aumentar as importações. Com isso, segue a tendência de alta. Por outro lado, há também um volume baixo dos estoques de alimentos e a queda do dólar, que força o aumento das commodities cotadas nessa moeda para manter os preços relativamente estáveis.
- Também temos o crescimento da renda per capta no mundo, que está aumentando o consumo de carne. Para se ter uma idéia de como isso afeta o mercado de commodites, para se consumir 1 quilo de carne boniva, gasta-se 9 quilos de grãos para alimentando os rebanhos - explicou o analista Felipe Fiel, da Gap Asset.
Para o Brasil, a notícia é boa para as exportações. Cerca de 30% são commidites, incluíndo aí o minério de ferro, que possui um reajuste de preço diferenciado, que ocorre apenas uma vez no ano. Veja abaixo este gráfico da GAP com a variação dos preços da commoditites este ano:


terça-feira, 4 de março de 2008

Bernanke pede auxílio de bancos para conter a crise

A crise das hipotecas ainda continuará produzindo efeitos negativos na economia americana, falou hoje o presidente do Fed, Ben Bernanke. Ele disse que o preço dos imóveis continuará caindo por um bom tempo e o número de despejos aumentando. Para resolver o problema, Bernanke pediu ajuda aos bancos americanos, para que eles revejam os contratos dos mutuários de alto risco.

- A ação do governo e do setor privado para reduzir despejos desnecessários estão ajudando a combater a crise, mas ainda há o que ser feito - disse Bernanke.

O presidente do Fed afirmou que as taxas de juros das hipotecas subprime (de alto risco) estão para subir cerca de 1 ponto percentual no curto prazo. (leia aqui a resportagem da Bloomberg em inglês)

Mais em Miriam Leitão

segunda-feira, 3 de março de 2008

Panorama Econômico

Ação & contradição

O ataque ao desmatamento da Amazônia veio em dose dupla na semana passada: o governo mandou a polícia e cortou o dinheiro. Bom começo para se falar a sério no combate ao crime. Mesmo assim, as contradições continuam. O desmatamento nos assentamentos, que é hoje 18% do total, pode continuar. O presidente Lula visitou, na mesma semana, uma empresa que desmatou manguezal no Rio.

A tragédia da Amazônia tem que servir como o início de um novo tempo. Nunca se falou tanto da floresta como agora, o governo começa a acertar em medidas ousadas e profundas, a briga que vem por aí será longa e dura. Para que tenha êxito, o governo precisa ter uma postura coerente. A variável ambiental não pode ser considerada numa questão e ignorada em outra.

É emblemático que, na semana em que o governo desferiu o mais duro golpe ao desmatamento da Amazônia, o presidente tenha visitado a Companhia Siderúrgica do Atlântico (CSA), que teve uma parte da obra embargada por destruição de manguezal.

O Ibama e o IEF deram licença para que a empresa desmatasse dois hectares de área para a construção de uma ponte que liga a siderúrgica ao Porto de Sepetiba. A empresa desmatou o dobro. Essa parte da obra foi embargada, e o Ibama aplicou multa de R$ 100 mil. A empresa continuou tranqüilamente a construção da ponte. Há também uma discussão sobre o uso de uma área pública que a companhia usa sem ter recebido o direito para isso. Nenhum problema preocupa o empreendimento que recebeu semana passada a eufórica visita do presidente Lula.

Continua em Miriam Leitão.com

sábado, 1 de março de 2008

Panorama Econômico

Certas palavras

(leia a coluna publicada no Globo deste sábado)

O presidente Lula, quando fala certas coisas, é porque não olhou os números, nem se lembra dos fatos, ou porque prefere as versões? Lula disse que nenhum presidente teve a coragem que ele teve de fazer o ajuste fiscal que fez no primeiro ano de governo. Houve contenção pequena de despesas e uma queda micro na carga tributária no primeiro ano; nos anos seguintes, tudo voltou a subir fortemente.

"Duvido que outro presidente tivesse a coragem de fazer o aperto fiscal e monetário que fizemos em 2003", vangloriou-se o presidente Lula esta semana, referindo-se a um fato que a história estatística desconhece.

Houve uma queda de 0,9 ponto percentual do PIB nas despesas primárias do governo federal em 2003. Para ser um ajuste, teria que ter continuado nos anos seguintes, mas, daí até hoje, o governo Lula aumentou em outros 3,5 pontos percentuais do PIB as despesas primárias, o que é uma montanha de dinheiro. Confira o gráfico abaixo com a soma das despesas não financeiras e as transferências para estados e municípios de 1995 a 2008. Note que, de 2008, há só os dados de janeiro e, mesmo com o acumulado de 12 meses tendo apenas um mês do novo ano, já há um aumento da despesa. Um fato espantoso.

Continua em Miriam Leitão.com

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Analistas: não há limite para a alta do petróleo

O petróleo hoje bateu novo recorde: US$ 103 (leia a matéria aqui no Globo Online). Segundo alguns especialistas do setor ouvidos pelo blog não há como prever um teto para a alta dos preços. O mercado está instável e basicamente se ajusta ao enfraquecimento do dólar em relação a outras moedas.

Um dos aspectos que está influindo na alta do petróleo é justamente a queda da moeda americana. Todas as commodites cotadas em dólar estão sofrendo correções para manter estáveis os seus preços. No final das contas, temos um ajuste para manter o equilíbrio entre demanda e oferta.

- O mercado está fazendo uma sintonia fina sobre o preço de equilíbrio, para ver o que as economias suportam pagar e ao mesmo tempo como garantir a estabilidade da oferta - disse David Zylberstajn, ex-presidente da Agência Nacional do Petróleo.

Nesse contexto, ao contrário do que poderia parecer, o que vem influindo no aumento do petróleo é a desaceleração americana. O normal seria o preço cair, com uma queda no consumo dos Estados Unidos. Acontece que os cortes de juros do Fed estão provocando aumento de liquidez e enfraquecimento do dólar. Seria uma espécie de efeito colateral às avessas do desaquecimento americano. É interessante reparar também que o consumo pelo mundo não está caindo mesmo com os preços em alta.

- A China é um dos fatores que mantém o consumo elevado. A frota de automóveis deles, por exemplo, cresceu de 6 milhões em 1996 para 30 milhões em 2006. E a tendência é que isso continue - explicou o analista do setor de petróleo e gás do Unibanco Vladimir Pinto.

Mais em Miriam Leitão

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

EUA podem manter taxas sobre o etanol

Duas propostas que tramitam no Congresso americano podem estender por mais dois anos os subsídios à indústria de biocombustíveis. Se aprovadas no próximo mês, a notícia não será boa porque significa que o etanol brasileiro continuará pagando uma taxa altíssima para entrar no mercado americano.

Ambas as propostas aceitam diminuir os subsídios do governo americano para o etanol produzido por lá, de US$ 0,51 para US$ 0,46 por galão. Mas pedem, em contrapartida, a extensão da tarifa de US$ 0,54 por galão do produto importado. É aí que o Brasil é afetado. As propostas também pedem a continuidade de subsídios do biodiesel.

Uma chance dessa proposta não ser aprovada, acredita a consultoria americana Eurasia, é se as commodities agrícolas usadas para produzir combustível continuarem com os preços elevados. Isso pode pressionar o Congresso americano a reduzir as tarifas de importação do etanol produzido pela cana de açúcar brasileira, que possui um preço muito mais competitivo que o americano.

Miriam Leitão.com

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Ricos, endividados e com grau de investimento

Ontem o leitor Valmor Martins do Nascimento deixou um comentário no post sobre a posição da Moody's em relação ao grau de investimento brasileiro. Valmor fez uma pesquisa na internet e constatou que alguns países desenvolvidos possuem uma dívida externa bastante elevada, mas ainda assim são considerados grau de investimento. Conversamos com alguns economistas para explicar as razões e as respostas foram basicamente duas: a dívida desses países é a juros baixíssimo e os prazos são muito longos. Além disso, eles são, simplesmente, mais ricos. Isso faz com que eles não representem grande risco de dar calote.

O problema da dívida total brasileira não é o seu tamanho, mas, sim, o seu perfil, explica a gestora de recursos Rio Bravo. É uma dívida de prazo mais curto com taxa de juros elevada. Por exemplo, a dívida japonesa possui uma taxa básica de 0,5%, apesar de uma dívida de 90% do PIB. O Brasil a taxa média é de 13% para uma dívida de 44,9% do PIB. A explicação é a mesma dada por Eduardo Barker, da Moody's:

- Ainda que os indicadores de dívida do governo possam parecer elevados para alguns países desenvolvidos, a estrutura de risco é bem diferente daqueles que estão em situação similar ao Brasil. O vencimento médio da dívida é de aproximadamente 7 anos para estes países enquanto que para o governo brasileiro é de aproximadamente 3 anos, sendo que quase 30% vence em até um ano.

No caso dos Estados Unidos, nem se pode dizer que eles possuem dívida externa porque a dívida é em dólar e eles são os emissores da moeda. Em último caso, o governo pode imprimir papel para pagar a dívida.

- Uma outra coisa que contribui e muito para o grau de investimento é o histórico dos países. Alguns deles nunca decretaram moratória, possuem alta segurança jurídica e pouca burocracia - diz o economista-chefe da Liquidez Corretora, Macelo Voss.

Mais em Miriam Leitão.com

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Panorama Econômico

Ilha mito

O futuro de Cuba começou. Sem o carisma e a mítica de Fidel Castro, Raul, que deve ser eleito sexta-feira, não terá o mesmo controle do país. As TVs passam novelas brasileiras e séries americanas. O desafio será a independência. Cuba já foi colônia espanhola, cassino dos Estados Unidos, ilha soviética. O sonho dos EUA sempre foi transformá-la no 51 estado americano. Outro desafio: manter as conquistas sociais.

As mudanças já são visíveis. Ônibus mais modernos e carros novos circulam pelas ruas de Havana. Grande parte vinda da China, segundo maior parceiro comercial de Cuba. O primeiro é a Venezuela. Dois milhões de turistas passeiam por lá a cada ano e são grande fonte de renda. O país tem crescido de 8% a 10% ao ano.

Este momento é duplamente desafiador para a pequena ilha do Caribe próxima a Miami. De um lado, a ilha pode ver o fim da ignomínia de ser o local dos desterrados americanos. A Base de Guantánamo é uma excrescência em si, mas é pior pelo que virou: um local onde o governo americano — confessadamente — não respeita suas próprias leis. De outro, é o lugar onde um ditador da extração romântica dos anos 50/60 envelheceu no poder perdendo qualquer ternura. O poder sem fim e sem limites transforma qualquer idealista num ditador como outro qualquer.

Os Estados Unidos pensam em fechar Guantánamo. É o que têm dito os três candidatos. Quando esteve no Brasil, Tom Shannon, vice-secretário de Estado dos EUA, admitiu, numa entrevista para mim, que até o governo George Bush pensa no assunto. Alegou que a proposta não avança porque, na opinião dele, não há um governo com o qual se possa ter interlocução em Cuba.

Cuba tem sido um país confinado. Não faz parte da OEA, não é membro do Banco Mundial, do FMI, nem do BID. Maluquices herdadas do tempo da guerra fria e impostas pelos Estados Unidos. Leis como a Helms-Burton impedem até a venda de matérias-primas para terceiros países se o produto final for enviado para Cuba.

Começa a se romper esse absurdo bloqueio. Empresários canadenses e espanhóis estão investindo no país. O Brasil estabeleceu acordos para que a Petrobras faça prospecção de petróleo. Os dois países desenvolveram juntos uma vacina antimeningite, mais barata que a usual. Cuba quer ajuda brasileira para aumentar a produção de alimentos por lá. Eles gastam US$ 1 bilhão importando comida.

Continua em Miriam Leitão.com

domingo, 17 de fevereiro de 2008

Novos riscos com bancos piora o humor do mercado

Publicado na sexta-feira, 15/02.
A Bovespa e as bolsas americanas e européias estão em queda no início da tarde (veja aqui como estão os indicadores). O que piorou o humor do mercado foi o aviso da UBS de que os bancos ainda podem sofrer perdas de US$ 203 bilhões por causa da crise do crédito. Também contribuíram a fala do Alan Greenspan, que disse ontem que os Estados Unidos estão à beira de uma recessão, e a divulgação de alguns indicadores americanos: a produção industrial cresceu 0,1% em janeiro, e o preço dos produtos importados subiu 1,7%, mais do que o previsto pelo mercado. Esse indicador começa a chamar a atenção dos analistas porque pode mostrar que os Estados Unidos estão importando inflação. Nesse cenário, aumenta a chance de hoje o mercado realizar lucros em cima das altas da semana.

quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

Economist: revisão do PIB pode indicar recessão nos EUA

4º trimestre

A recessão nos Estados Unidos pode estar mais próxima do que se imagina. A primeira estimativa para o crescimento do PIB no quarto trimestre, divulgado ontem, foi de 0,6%. Mas, alertou a The Economist em artigo publicado hoje no site da revista, o número pode se tornar negativo nas próximas revisões, e já iniciar o marco da recessão.

Para que a recessão seja decretada oficialmente, é preciso retração na economia por dois trimestres consecutivos. O temor da revista é que o último de 2007 tenha sido o primeiro. Os números do PIB são sempre revistos após a primeira análise. Eles podem permanecer iguais, mas também podem subir ou descer. Como vários outros indicadores da economia foram muito negativos, a revista pondera que é concebível que ele seja reduzido e se torne negativo.

Leia aqui a reportagem da The Economist.

Miriam Leitão.com

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Economia brasileira: duas boas e uma ruim

Contas públicas

O Banco Central divulgou hoje os dados das contas públicas do ano passado e, como sempre, têm notícias boas e outras nem tanto. Mas todas se enquadram na categoria "nunca antes na história dessse país".

O superávit primário do ano passado foi o maior da série histórica que começa em 1991 ou R$ 101 bilhões, informou o diretor do BC, Altamir Lopes.

O déficit de dezembro foi o pior da história desde o começo da série. Foi de R$ 11 bilhões.

O déficit nominal foi o menor da série desde que começou a ser contabilizado, deu 2,2% do PIB

O que explica uma coisa, explica a outra. O governo no ano passado teve uma arrecadação muito maior do que ele previa e isso elevou muito o superávit, mesmo com todo o gasto do começo do ano passado que fez muita gente prever o pior. Em dezembro, constatando que estava acumulando um superavit maior do que o necessário o governo gastou bastante. Normalmente dezembro dá déficit, mas este acabou sendo o maior já visto. Como os juros cairam o déficit nominal caiu.

Quando o déficit ou superávit é primário está se descontando o que o governo gastou com juros. Quando conta também o gasto financeiro, então a conta passa a ser nominal. Os juros caíram, a conta financeira caiu e o superávit primário foi alto. Noves fora o fim a CPMF que só vai bater nas contas de 2008, o Brasil fechou a conta final no vermelho, como em todos os anos, mas um vermelho menor: 2,2% do PIB.

Miriam Leitão.com

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Análise: consumidor desconfiado não vai às compras

Economia americana

Hoje ainda é terça-feira e os índices da economia americana que já foram divulgados, de uma série de outros que sairão até sexta, mostram bem o tamanho da crise por lá. A confiança do consumidor despencou 20% em um ano; o índice de despejos cresceu 51% em 2007, o número de pessoas que moram em casa própria caiu 1,1 ponto percentual, para 67,85%, e o preço dos imóveis despencou 8,4%. Nisto tudo, só saiu um solitário número bom, meio descolado do resto, que foi o crescimento de 5,2% dos pedidos bens de capital.

As pesquisas mostram o seguinte: o americano está sentindo a falta do dinheiro, perdendo sua casa, e ficando mais cabreiro. Consumidor desconfiado é consumidor que não vai às compras. Adia, espera o dia melhor. Quem perde a casa, se sente sem chão. Compra o mínimo. Tem perda de status. Queda nas construções significa menos emprego. Enfim, tudo empurrando para baixo o nível do consumo americano. E o consumo das famílias nos Estados Unidos representa 70% do PIB.

Amanhã teremos a divulgação de mais dois índices importantes: uma prévia do PIB do quarto trimestre de 2007 - que vai mostrar se a economia está realmente em recessão ou não - , e os gastos de consumo pessoal de dezembro - que é a medida preferida do Fed para analisar o comportamento dos preços no varejo dos Estados Unidos.

Mais em Miriam Leitão.com

Hoje sai o índice de confiança do consumidor americano

Esta semana teremos vários indicadores da economia americana sendo divulgados. Ontem a queda nas vendas de casas novas em 2007 foi recorde, 26%. Hoje sai o Índice de Confiança do Consumidor em janeiro. Esse indicador é importante e pode mexer com os mercados porque o consumo dos Estados Unidos responde por mais de dois terços do PIB.

Também sairão os números sobre as encomendas de bens duráveis realizadas em dezembro, que mostra o ritmo da atividade econômica, e o preço de imóveis realizados pela Standard & Poor's. Será mais uma mostra sobre o mercado imobiliário. Leia aqui no Globo Online e fique por dentro da agenda de indicadores.

Mais em Miriam Leitão.com

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

O mesmo pessimismo abre a semana

A queda hoje das bolsas da Ásia (Tóquio fechou -3,97%; Xangai -7,19%; Hong Kong - 4,3%; Taiwan - 3,28%; e Seul - 3,85%) e a abertura negativa da Europa têm os mesmos motivos da semana passada: ainda não se sabe o tamanho da recessão americana, nem sua duração, nem seu efeito sobre as economias emergentes. Também influenciou um relatório divulgado pelo Goldman Sachs que levanta a hipótese de recessão na economia japonesa.

Os economistas estão confusos e defendendo teses diferentes. A reunião de Davos terminou pessimista, mas não se sabe qual dos pessimistas está com a razão: se os que acham que a recessão americana vai durar dois trimestres e apenas reduzir o crescimento do resto do mundo, ou os que prevêem um crescimento mais prolongado.

E os economistas mudam de idéia rapidamente. O ex-secretário do Tesouro americano, Larry Summers, publicou um artigo no Financial Times dizendo que há dois meses se dizia que a economia americana não precisaria de estímulo fiscal para reduzir o impacto da recessão e que a redução dos juros não deveria ocorrer porque isso poderia elevar a pressão inflacionária. Pois agora, o governo já jogou US$ 150 bi de estímulo fiscal na economia, reduziu os juros e a discussão é sobre quão profunda e longa será a recessão. Em resumo, as expectativas pioraram bastante.

O viés está negativo e as bolsas só estão subindo quando há um fato novo, mas a onda boa criada rapidamente se esgota e volta o pessimismo. E esta semana será bem agitada com a divulgação de vários indicadores americanos. Hoje saem as vendas de dezembro do setor imobiliário, na terça a confiança do consumidor e a venda de bens duráveis, na quarta o PIB do quarto trimestre. Até sexta-feira teremos também os resultados sobre a renda e o desemprego.

Hoje à noite, Bush faz seu discurso anual no Congresso, e a expectativa é sobre o tom que ele dará à crise econômica. Ele deve pedir que o Senado aprove com rapidez o pacote costurado na semana passada. Na quarta-feira, o FED se reunirá e provavelmente cortará novamente os juros, dando mais um estímulo monetário à economia americana.

Aqui no Brasil nesta semana pré carnaval o fato mais importante será a divulgação da ata do Copom na quinta-feira que trará a avaliação que o BC faz da crise.

Para quem quer um pouco de alívio em tanto pessimismo que os economistas estão espalhando em suas análises, a leitura da entrevista de José Roberto Mendonça de Barros no Valor ajudará. Conversei com José Roberto na semana passada. A tese dele é que o fato de que as bolsas estão caindo juntas não significa a morte da tese do descolamento (aquela que dizia que China e Índia continuariam puxando o mundo, mesmo na hipótese da recessão americana). Ele acha que o descolamento vai ocorrer na economia real. E que o Brasil terá apenas redução do ritmo de crescimento, com piora leve em alguns itens: menos consumo, menos oferta de crédito, menos crescimento da renda. Mas vai continuar se segurando. Se a recessão for curta é isso mesmo que vai acontecer.

Mais em Miriam Leitão.com

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

Se americanos não gastarem, pacote do governo fracassará

Risco

Após o acordo entre Bush e Democratas sobre o pacote de socorro à economia, a dúvida agora é o que os americanos farão com o dinheiro dado pelo governo. Cerca de U$ 100 bilhões serão injetados na economia em forma de corte de impostos para pessoas físicas, e a aposta é que o dinheiro seja usado no consumo. A estratégia é dar reembolso de impostos entre US$ 600 a US$ 1.200 a cada contribuinte que tenha renda anual maior que US$ 3 mil e até US$ 75 mil por ano ou casais com renda até US$ 150 mil anuais. Quem não faz declaração de renda, mas recebe menos de US$ 3.000 anuais, receberá um cheque de US$ 300.

Porém, pondera o colunista do New York Times Paul Krugman, se o dinheiro do pacote for parar nos bancos, o plano de estimular a economia fracassará. Alguns jornais americanos já foram às ruas perguntar o que as pessoas fariam. As repostas foram as mais variadas: gente dizendo que ia guardar, que pagaria dívidas e que iria comprar um novo lap top.

Krugman questiona que parte do pacote terá como destino pessoas com relativa estabilidade financeira. Segundo ele, o consumo dessa classe é definido pela renda no longo prazo e não pelo contracheque do último mês. Ele aposta que boa parte do pacote vá sim parar no caixa dos bancos e argumenta que foi isso o que aconteceu em parte durante o corte de impostos de 2001, logo após os atentados de 11 de setembro.

Ontem, após o anúncio do acordo, as ações de empresas de varejo caíram por descrença de que o plano dará certo. O presidente da consultoria de varejo Davidowitz & Associates Inc., com sede em Nova York, Howard Davidowitz classificou o pacote como "uma gota num balde".

"Com os consumidores às voltas com dívidas, preços de alimentos e combustível em elevação e sem poupanças, o pacote proposto não basta para estimular os gastos com consumo", afirmou.

Veja o artigo de Paul Krugman no New York Times.

Miriam Leitão.com

O balanço das bolsas na semana

Incertezas

Foi uma semana e tanto. A agitação no mercado financeiro estourou na segunda-feira, quando as bolsas abriram em forte queda, repercutindo o pacote anunciado por Bush na sexta. A volatilidade foi acentuada pelo feriado de Martin Luther King nos Estados Unidos, que manteve fechadas as bolsas do país. O mercado dizia que estava operando sem parâmetro, ou, seja, com toda a fragilidade, Wall Street ainda é a meca. Com os Estados Unidos fechados o sobe e desce foi maior. Mas no final da semana o clima foi de certa recuperação. Ou seja, a semana terminou bem melhor do que começou. Mas para isso exigiu um pacote de distribuição de dinheiro aos americanos; e um corte inesperado de juros pelo Fed, na terça de manhã.

O Ibovespa teve altas e quedas dramáticas. Chegou a cair 6,6% na segunda, subir 4,4% na terça, voltar a perder 3,32% na quarta, para fechar na quinta com a maior alta desde setembro de 2002, 5,95%. No final das contas, ficaram elas por elas: fechou praticamente estável, com ligeira queda de 0,07%. No pregão de sexta-feira, fechou a 57.506 pontos. Ontem, o índice ficou em 57.463. Como hoje é feriado em São Paulo, a bolsa não abriu.

As bolsas americanas, que ainda não fecharam e operam com oscilação hoje, também tendem a terminar sem perdas. Mas o pregão o dia mais parece um eletrocardiograma. A sorte da semana por lá foi o fechamento na segunda, pior dia da semana. Parece que a lição que fica é: o melhor num terremoto nas bolsas é que ela acontece num feriado nacional no seu país. No caso, o deles. O índice Dow Jones marcava 12.099,99 pontos na sexta, e hoje, até as 15h30m, estava em 12.362, uma alta de 2,12% no balanço. O Nasdaq também indicava alta, de 1,05%. Na sexta, o índice era de 2.340 pontos, enquanto hoje estava a 2.365 no mesmo horário.

Mas na Europa e na Ásia, houve queda. O índice FTSE da bolsa de Londres recuou 1,27%, saindo de 5944,9 pontos no fechamento de sexta, para 5869 hoje. A bolsa Alemã foi a que mais sofreu. O índice Dax Cetra recuou 7,3%, caindo de 7314,17 pontos para 6816,74. No Japão, o índice Nikkei da bolsa de Tóquio ficou perto da estabilidade. Subiu de 13.821,29 para 13.829,2, uma alta de 0,05%. Já a bolsa de Hong Kong fechou com pequena queda. O índice Hang Seng caiu 0,31%, de 25.201,87 pontos para 25.122,37.

Ninguém tem dúvidas que o sobe e desce vai continuar. Semana que vem tem mais emoção. O mercado está preocupado com rumores de novos prejuízos nos bancos e com a decisão que o Fed irá tomar na reunião da próxima quarta-feira. Ninguém sabe se os cortes nos juros terão realmente o efeito de aquecer a economia. Tem gente achando que o Fed não vai cortar os 0,50. Será “menos agressivo”. Mas é bem possível que mesmo oscilando na semana que vem o mercado fique menos nervoso do que nesta semana que passou. Tomara.

Miriam Leitao.com

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Mundo mais difícil

Panorama Econômico

O governo escolheu o pior momento, em cinco anos, para fazer a divisão da área de energia entre as partes do seu condomínio fisiológico. A sem-cerimônia com que estão sendo distribuídos, entre os aliados, nacos das estatais energéticas afeta a reputação do Brasil num momento em que a disputa por investimentos aumentará. Este ano vai ser duro e é preciso entender a natureza da crise.

Para enfrentar a crise financeira dos últimos dias, não basta ter o que acumulamos nos últimos anos. O país se preparou para não ter mais crises cambiais como as dos anos 80 e 90. É bom ter todas aquelas reservas acumuladas, superávit em transações correntes, superávits comerciais, dívida externa em queda e o regime de câmbio flutuante funcionando. Isso reduz as vulnerabilidades da economia, mas a natureza da crise que nos abala hoje é totalmente diferente da que, no fim dos anos 90, abateu um por um os emergentes com déficit em transações correntes e câmbio fixo.

A crise agora é no centro econômico do mundo. As bolsas oscilam apenas como conseqüência; o verdadeiro temor é a redução do crescimento mundial, que produziu os últimos cinco anos de crescimento forte, muito dinheiro circulando pelas economias, grandes ganhos nos mercados de capitais, ampliação do comércio internacional.

Essa era acabou, mas não necessariamente este é o começo de uma recessão mundial. Depende da intensidade e duração da crise americana, cujos dados ainda não estão claros. Não está nos balanços das instituições financeiras todo o estrago, que pode chegar a meio trilhão de dólares, dos excessos na concessão de empréstimos. Não está claro o tamanho do encolhimento da economia real. Não é o fim do mundo, mas, sim, um momento de menos capital circulando, menos crescimento do comércio mundial, mais competição pelos mercados.

Imagine, por exemplo, que produtores de bens de consumo chineses tenham que enfrentar uma redução das suas exportações para os Estados Unidos. Eles irão oferecer seus produtos a preços ainda mais baixos em outros mercados. Imagine que, numa época de baixo crescimento, uma empresa globalizada queira ampliar seus investimentos. Será disputada por vários países, que terão que saber como conquistá-los.

Para enfrentar uma crise cambial, o Brasil já sabe o que fazer: na emergência, fazer um acordo com o FMI para assistência de liquidez, suspender artificialismos no câmbio, aumentar a competitividade das exportações e acumular reservas.

Como quer ser avaliado pelos investidores diretos um país em que o governo, diante de um alerta do regulador de que há risco de crise energética, sai freneticamente distribuindo a políticos sem qualificação os cargos do setor de energia, como se fosse um espólio de guerra?

É também um péssimo momento para desistir de reformas, para fingir não ver o custo cada vez mais impagável da Previdência, para desistir de desonerar a folha salarial. É uma péssima hora para aumentar impostos, ignorar a necessidade de reduzir as barreiras burocráticas ao investimento, para confirmar tudo aquilo que forma o custo-Brasil.

É ocioso o ministro da Fazenda repetir diariamente que temos reservas cambiais e fundamentos melhores que em qualquer outro momento da nossa História. É verdade, mas não é suficiente. Nossas fragilidades fiscais, políticas, estruturais devem ser combatidas para a preparação da longa jornada que pode ser esta crise americana.

Mesmo tendo o Brasil indicadores muito melhores hoje, o país é afetado pela forma aleatória como são os contágios na economia globalizada. Ontem, por exemplo, o risco-Brasil chegou a subir 4,4% sem que o risco tenha realmente aumentado no Brasil. Os compradores de títulos do governo brasileiro passaram a exigir uma taxa maior, o que se agrava nos momentos de maior tensão. Não há como combater isso, exceto tendo consciência de quais são as fraquezas do país e tendo um plano para enfrentá-las.

O país tem vivido sucessivos escândalos de corrupção, e quem analisa os riscos de investir no Brasil tem dúvidas sobre a garantia de suprimento de energia de longo prazo. Certamente não é o momento para, em vez de garantir energia e gestão técnica do setor, nomear um político com escândalos na família — e ainda se orgulhar disso. As desculpas apresentadas por Edison Lobão Filho são ofensivas. Ele quer mesmo que o país acredite que ele nem sabe a quem transfere propriedades. Alguém vende um bem sem olhar a quem? Quanto ele recebeu dessa pessoa que desconhecia por sua participação na empresa? Esse é apenas um dos vários casos nebulosos. A escolha de Edison pai é apenas uma das várias impropriedades desta vergonhosa partilha da área de energia.

O mundo ficou mais difícil. Tomara que percebam isso em Brasília; em algum momento.

Miriam Leitão.com