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sexta-feira, 4 de julho de 2008

Por que segurar o preço da gasolina não é bom?

Quando falamos que o preços está reprimido é na refinaria da Petrobras. Com imposto, 14% EUA. Na bomba, 50% do preço na bomba no Brasil. É igual energia elétrica no Brasil. Se eu aumentar a gasolina, 4,5% do IPCA, se a Petrobras aumenta na refinaria, o preço final sobe. O que aconteceu em abril deste ano, em vez de aumentar a gasolina, em vez de aumentar isso, abriu mão do imposto.

A política de reduzir o imposto para segurar o preço da gasolina, na refinaria e para o consumidor, realmente ajuda a controlar a inflação, já que a gasolina responde por 4,5% do IPCA. Mas então, por que não é bom? A resposta, de acordo com o consultor Adriano Pires, é porque alguém tem que pagar por isso e, quem paga em primeiro lugar é o pobre.


- Quando o governo corta impostos, arrecada menos e tem menos dinheiro para investir em educação e saúde - explica.

Por outro lado, o acionista da Petrobras também é prejudicado, já que a empresa arrecada menos e todos os seus preços de produção sobem, em um momento em que ela precisa investir mais para produzir mais. Isso prejudica seus resultados e a remuneração de quem investiu dinheiro na empresa.

Miriam Leitão

São Paulo e Rio vão mal como centros de comércio

Um ranking da Mastercard listando os 75 maiores centros de comércio no mundo mostrou que vão mal o Brasil e a América Latina. E mesmo São Paulo, no contexto, também não está com essa bola toda. O ranking avalia sete critérios: estrutura legal e política, estabilidade econômica, facilidade de fazer negócios, serviços financeiros, facilidades logísticas (aeroportos, hotéis), produção de conhecimento (a existência de universidades, por exemplo) e o quanto cada cidade é "habitável". Londres, Nova York e Tóquio vêm nos primeiros lugares na classificação.

Em nenhum dos sete critérios, as cidades latino-americanas estiveram entre as 10 melhores pontuações. E mais: a primeira latina a aparecer no ranking geral não foi São Paulo, mas, sim, Santiago (na 53a posição), seguida da Cidade do México. São Paulo aparece um pouquinho depois, em 56o. O Rio de Janeiro fica mais atrás, depois de Bogotá e Buenos Aires, no 65o posto. Tanto Rio quanto São Paulo tiveram suas piores notas na avaliação quanto às facilidades logísticas e produção de conhecimento.

Detalhes da pesquisa podem ser lidos aqui.

Miriam Leitão

quarta-feira, 2 de julho de 2008

Gasolina mantém inflação reprimida no Brasil

O Brasil vive uma situação artificial: o último reajuste nos preços da gasolina foi em 2005, quando o petróleo custava US$ 35. Hoje custa US$ 140. O preço do diesel subiu muito pouco. Entretanto, o brasileiro está sentindo o peso de todos os outros aumentos de preços na economia, que estão encurtando seu orçamento.


Isso acontece porque os preços não estão inalterados para a indústria, como acontece para o motorista comum. A Petrobras aumenta o produto dependendo da cara do freguês. Os preços do óleo combustível subiram 54% nos últimos 12 meses. A nafta, que é matéria-prima para produtos petroquímicos como o plástico, subiu 19%. O querosene de aviação subiu 36%.

A oscilação de preço da gasolina tem a ver com a decisão de cada posto ou da alta do álcool, mas a gasolina mesmo não sobe, porque o governo até abriu mão de impostos para não aumentar o preço na bomba.

O gás liquefeito de petróleo subiu 30% só este ano para as indústrias, mas o gás de cozinha não subia desde 2002. O consumidor gosta, mas isso é artificial. É uma inflação reprimida. Pode complicar a economia mais tarde.

Miriam Leitão

terça-feira, 1 de julho de 2008

Os trigêmeos

Os bancos centrais do mundo estão reunidos diante de três fantasmas que ameaçam a economia: o preço do petróleo, a inflação e a crise americana. Os três põem em perigo o longo período de forte crescimento mundial. Hoje três bilhões de pessoas vivem sob uma inflação de dois dígitos, em 50 países diferentes. A crise americana é agravada pela disparada do petróleo.

Os bancos centrais estão num encontro na Basiléia, como fazem rotineiramente, mas agora estão diante da sua própria incapacidade de proteger a economia mundial. Os preços do petróleo estão em níveis inesperadamente altos. A inflação de alimentos é mais complexa do que imaginam os que apenas procuram no biocombustível um bode expiatório. A crise americana é grave e fica mais grave com a alta de preços fundamentais na cesta de consumo de qualquer família: alimentos e energia.

O banco Morgan Stanley fez uma análise país por país e concluiu que, em 190 deles, 50 estão “no clube dos dois dígitos” — e são justamente os mais populosos. Significa que atualmente 42% da população mundial enfrentam os efeitos dessa corrosão na renda das pessoas, a qual o Brasil conhece tão bem. O problema é que o remédio recomendado, o aperto monetário, não será usado por grande parte desses países, porque eles temem os efeitos da redução do crescimento econômico. No entanto, a inflação prolongada tem o mesmo resultado: ela afeta exatamente a taxa de crescimento. Assim o banco acha que muitos países emergentes não conseguirão manter a história de crescimento e de sucesso que vinham vivendo até agora.

Na verdade, o hipotético clube, que o Morgan Stanley já definiu como DDIC (double-digit inflation club), pode ter um outro membro de enorme peso: a China. Oficialmente, ela não está com a inflação neste patamar, contudo vários preços importantes não estão incluídos nos índices, e o país acaba de aumentar em 17% os preços da gasolina e do diesel. Portanto, inevitavelmente, ela vai acabar integrando o clube. A Índia já está, com sua inflação de 11%; a Indonésia também, com 10%; assim como o Paquistão, com 19%; a Rússia, 15%; o Vietnã, 25%; e a Venezuela, com 30%. Além deles, a Argentina, com uma inflação desconhecida, mas se sabe que de dois dígitos; a Etiópia, com 29%; a Bolívia, com 17%, entre muitos outros e sem falar no Zimbábue, com 164.900%. Doze dos países do clube estão na América Latina; e mais doze na África.

Continua em Miriam Leitão

segunda-feira, 30 de junho de 2008

3º choque do petróleo agrava a crise americana

Era muito cedo para achar que a crise de crédito americana havia passado. Trata-se de uma crise de longa duração, que está sendo agravada pelo terceiro choque do petróleo. Os preços do combustíveis fora do controle agravam a situação de quem tem a casa financiada nos Estados Unidos e está sofrendo com a confusão no mercado imobiliário e também com a inflação dos alimentos. O Congresso americano está preocupado com isso, tanto que já fez 16 audiências sobre o assunto. Mas o assunto não diz respeito "apenas" à maior economia do mundo, afeta todos os países, direta ou indiretamente. Estamos vivendo o 3º choque do petróleo, tão forte quanto os que aconteceram nos anos 70. No começo, parecia que não, pois o barril estava subindo devagar durante anos, só disparou nos últimos doze meses. Ouça aqui na CBN.

Miriam Leitão

sábado, 28 de junho de 2008

Poço de confusões

Está todo mundo confuso. Inclusive os especialistas. Ninguém previu exatamente o que está acontecendo hoje no mercado de petróleo. A consultoria Trendlines, do Canadá, fez uma compilação das previsões de 22 empresas e consultorias internacionais sobre o pico da produção e o fim do petróleo. Na primeira, houve a dispersão de 30 anos; na segunda, de 225 anos. A mesma confusão ocorre nas previsões de preços.

Na lista dos cenários compilados pela Trendlines, estão os de grandes produtoras, como Saudi Aramco, Shell, Exxon, até os da Opep e de consultorias especializadas. Para essas empresas, o pico da produção vai de 2020 a 2050. Cada uma tem um palpite. Os cenários de esgotamento do petróleo variam de 2050 a 2365. A revista "BusinessWeek" ouviu cinco especialistas e perguntou a eles para onde vai o petróleo no futuro próximo. Colheu cinco diferentes respostas. Mathews Simon, da Simon & Co., acredita que o barril ficará entre US$ 200 e US$ 500 num período que vai de seis meses a quatro anos. Jeff Rubin, da CBIC World Markets, aposta em US$ 225 para 2012. Larry Chorn, da Platts, acha que, em 2012, estará entre US$ 130 e US$ 140. Ed Morse, do Lehman Brothers, calcula que, no ano que vem, estará em US$ 83. Tim Evans, da Citi Futures Perspective, está prevendo que, no fim deste ano e começo do próximo, o petróleo estará em US$ 70 a US$ 80. Ou seja, se você está confuso, fique calmo: está em companhia dos maiores especialistas em petróleo do mundo, que andam feito baratas tontas diante desse novo choque, que a maioria subestimou.

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Miriam Leitão

sexta-feira, 27 de junho de 2008

Mais uma semana de sinais negativos

Chegamos ao final de uma semana cheia de dados econômicos importantes, a maioria negativa. O relatório de inflação do Banco Central veio com uma previsão muito maior para o IPCA de 2008, já no patamar de 6%. Hoje, o IGP-M de junho mostrou uma alta forte dos preços e seu acumulado em 12 meses passou de 13%. A previsão de déficit da conta corrente do país também foi aumentada.

Ao mesmo tempo, a economia global continua imersa em três choques simultâneos: a inflação impulsionada pelos alimentos, a disparada do petróleo e a crise financeira americana, que ainda afeta os mercados. Nos EUA, os dados de ontem não foram tão ruins. O governo anunciou que o PIB cresceu mais que o esperado no primeiro trimestre, mas as bolsas lembraram do problema do crédito com a divulgação de um relatário negativo do Goldman Sachs sobre os bancos. O petróleo reforçou a disparada dos últimos três meses e hoje sua cotação ultrapassou US$ 142.

Até houve boas notícias no Brasil, como a divulgação da queda do desemprego em maio, mas o clima negativo prevaleceu na semana. Ouça aqui na CBN.

Miriam Leitão

quinta-feira, 26 de junho de 2008

Situação continua delicada nos EUA

Não é à toa que o megaempresário americano Warren Buffet disse que se estivesse no lugar do presidente do Fed, Ben Bernanke, pediria demissão. A situação econômica dos EUA continua delicada. De acordo com os números que saíram hoje, o PIB americano até cresceu um pouco mais do que o esperado no primeiro trimestre, 1%, mas a inflação, medida pelo PCE, continua avançando e o índice anual cheio atingiu 3,6%.

E nos EUA, nem há o fator demanda pressionando os preços. O aumento dos gastos com combustíveis e os temores em relação ao financiamento imobiliário fazem o americano consumir menos. Isso torna difícil para o Fed decidir o que vai combater, a recessão ou a inflação. Por enquanto, ele vem optando pelo equilíbrio, mas, na minha opinião e de vários analistas, Bernanke, que é um especialista na crise de 1929, reduziu demais a taxa de juros. Ele se apavorou com a perspectiva de recessão, diante da ameaça de uma grande crise no mercado de capitais. Mas é preciso reconhecer que a operação é delicada. A boa notícia nisso tudo é que o restante do mundo já não depende tanto dos Estados Unidos e, portanto, está sentindo menos seus problemas.

Miriam Leitão

quarta-feira, 25 de junho de 2008

Mais alguns destaques

Separamos mais alguns pontos importantes do relatório de inflação divulgado hoje pelo Banco Central. A relevância dele está no fato de que o texto mostra a forma como o BC está vendo a economia, sugerindo como ele vai atuar. Aqui vão eles:

- A previsão para o déficit em transações correntes subiu US$ 9 (N-O-V-E!!) bilhões. Era de US$12 bilhões e passou pata US$21 bilhões.

- Segundo o texto, as altas de juros nas últimas reuniões não inibiram o crédito, que continua se expandindo tanto para pessoa física quanto para jurídica. O BC acha que é um sinal de que há consistência na participação do crédito na economia. Mas, por outro lado, de fato, acostumados que somos a juros altíssimos, pequenas altas acabam não assustando tanto.

- Sobre o cenário mundial, concordam que este momento será de menor crescimento e maior inflação, ou seja, complicado.

- De certa forma, minimizam o impacto da alta das commodities e do petróleo aqui ao falarem que a alta desses preços "segue favorecendo o desempenho das economias dos países produtores, mas, por outro lado, se constitui em fator de pressão sobre o comportamento da inflação e do câmbio, particularmente nas economias da Ásia". Como comentamos hoje mais cedo, as coisas andam difíceis também nos países emergentes do Ocidente.

- O texto reforça a tese de que a atual alta dos alimentos é resultado do maior consumo de comida e da produção de biocombustíveis.

- Lá pro final, na parte com a avaliação do Copom, o texto traz a seguinte afirmação: "o Comitê avalia que, desde a divulgação do último Relatório, o balanço de riscos para a trajetória esperada da inflação tornou-se menos favorável, tanto do ponto de vista dos fatores externos como, principalmente, dos internos." Resumo da ópera: importamos os problemas, eles também passaram a ser nossos.

Miriam Leitão

Já chegamos a 6%, o risco é continuar subindo


Os últimos números da inflação no Brasil indicam que o IPCA, índice oficial, deve chegar facilmente a 6% no acumulado de doze meses, quando for divulgado o resultado cheio de junho, previsto para sair no dia 10 do próximo mês. O Banco Central já aumentou sua previsão de alta dos preços de 4,6% para 6% em 2008, no relatório divulgado hoje (leia no Globo Online).O mercado parece ter absorvido esse novo patamar, que, apesar de estar acima dos 4,5% da meta, ainda está dentro da faixa de flutuação. O risco agora é que os preços continuem subindo. Ultrapassar as previsões iniciais do governo pode prejudicar o crescimento do país. Ouça aqui na CBN.

Miriam Leitão

A mulher que modernizou a política social brasileira

Ruth Cardoso modernizou o papel de mulher do presidente no Brasil e marcou profundamente as políticas sociais brasileiras. Ela sempre rejeitou a expressão "primeira dama", mas depois dela a denominação ganhou outro sentido.

Nunca houve uma primeira dama assim, e talvez demore a aparecer alguém com o mesmo conjunto de virtudes. Ruth era inteligente, culta, discreta e extremamente capaz. A sua idéia de criar o "comunidade solidária" acabou com o estigma de que a mulher do presidente da República, quanto tem alguma ação social, tem que ser necessariamente de políticas assistencialistas. No Comunidade Solidária, o estado tinha o papel de coordenação entre o setor privado e a população carente. Empresas passaram a adotar cidades com alto índice de analfabetismo, ou passaram a patrocinar determinadas causas ou regiões. O Estado era apenas o elo de ligação entre o patrocinador e o cidadão. Ruth teve um papel fundamental na decisão de levar para nível federal a idéia do Bolsa Escola que nasceu em Campinas em 1995. Teve também papel importante na mudança da politica educacional na direção de buscar a universalização do ensino básico.

Não se ouvia falar de interferência politica dela em nenhum ministério. Seu papel era influenciar os grandes rumos das políticas sociais.

Antropóloga reconhecida no exterior pela suas qualidades intelectuais, Ruth durante o período do governo de Fernando Henrique, foi várias vezes ao exterior dar aulas e cursos em universidades americanas.

O Brasil perde hoje um modelo admirável de mulher que soube aliar a intensa vida intelectua às funções protocolares exigidas da mulher do presidente. O papel que a deixava desconfortável, a de "primeira dama", acabou sendo exercido com maestria. Ela o reinventou, tirando dele toda a marca do passado. Depois que acabou o governo Fernando Henrique ela continuou sendo a mobilizadora de recursos e apoios para as grandes causas de combate à pobreza e de avanços sociais no Brasil.

Miriam Leitão

terça-feira, 24 de junho de 2008

IPCA-15 deve se afastar ainda mais do centro da meta

A inflação medida pelo IPCA-15 de junho, que o IBGE divulga amanhã, deve permanecer estável em relação ao IPCA cheio de maio. Tanto o Bradesco quanto a Concórdia Corretora e a Sul América Investimentos prevêem variação de 0,78% do índice; isso significa 0,01 ponto percentual a menos que o IPCA de maio. Já na comparação com o IPCA-15 de maio, o índice mostrará aceleração. No mês passado, o indicador bateu 0,56%.

Se isso acontecer, o IPCA-15 atingirá 3,55% no acumulado dos primeiros seis meses do ano. Nos últimos dozes meses, o acumulado saltará de 5,25% para 5,8%. Ou seja, está se distanciando ainda mais do centro da meta. Mais uma vez os alimentos devem mostrar pressão sobre os preços. A Concórdia estima uma alta de 0,47 pontos percentuais nesse segmento. Isso significa mais da metade da variação.

O IPCA-15 mede os preços tendo como referência a metade do mês. Ele funciona como uma espécia de prévia do IPCA cheio, que é o indicador oficial de inflação, utilizado pelo Banco Central. O IPCA de junho será divulgado na segunda semana de julho.

Miriam Leitão

segunda-feira, 23 de junho de 2008

Como a inflação está tirando renda dos mais pobres

Quando se diz que a inflação ataca principalmente os mais pobres, muita gente não acredita. Há a visão de que é melhor ter um pouco mais de crescimento, com os preços ao mesmo tempo subindo mais.

O mal pode ser menor para as classes média e alta, que podem se defender do aumento dos preços por meio de aplicações financeiras. O que os números mostram é que quanto menor é a renda do trabalhador, maior é o estrago causado pelo aumento dos preços, que está focado principalmente em alimentos básicos.

Nos últimos 12 meses, a variação do preço dos alimentos medida pelo IPCA (que cobre gastos de famílias entre 1 e 40 salários mínimos) foi de 17%. Já a variação feita pelo INPC (que considera apenas o consumo de famílias entre 1 e 6 salários) foi mais alta: 19%. Seguindo a mesma linha, o custo de vida para quem ganha apenas 1 salário mínimo tende a ser ainda maior.

Quando se olha para a variação de preços da cesta básica, que inclui apenas 13 dos mais de 160 alimentos que são medidos pelo IPCA, percebe-se que o aumento é assustador: no período de 12 meses, a alta foi de 25% em São Paulo, 42% em Belo Horizonte e 50% em Fortaleza. A cesta básica cobre alimentos que fazem parte da alimentação diária das pessoas, como carne, arroz, feijão, pão e óleo.

"Quanto mais básico o índice, portanto, mais inflação ele mostra, pois não apenas o item alimentação está puxando a inflação, como, dentro de alimentação, são os produtos mais básicos, e portanto com maior peso na cesta dos mais pobres, os que mais aumentaram preço", mostra um relatório do Banco Itaú.

Vejam no gráfico abaixo, como a inflação em alimentos básicos subiu muito mais do que em índices que cobrem uma cesta maior, como o caso do IPCA e do INPC. É dentro desse cenário que o governo precisa decidir se quer ou não ajudar o Banco Central no controle dos preços, elevando o superávit primário e cortando gastos.


Miriam Leitão

sábado, 21 de junho de 2008

China fará rodízio de carros pra conter poluição

O governo Chinês anunciou hoje que os motoristas de Pequim serão obrigados a fazer rodízio de carros para diminuir a poluição do ar durante os Jogos Olímpicos. A medida vai tirar de circulação cerca de 45% dos 3,3 milhões de carros da cidade entre 20 de julho e 20 de setembro.

É incrível, mas a qualidade do ar está fazendo com que muitos atletas cogitem não participar da cerimônia de abertura. Algumas equipes já anunciaram que vão chegar à cidade somente no dia das provas, diz uma reportagem do Wall Street Journal (leiam aqui).

A foto abaixo (Reuters) mostra o céu de Pequim na última terça-feira. Acreditem, o tom acinzentado não é prenúncio de chuva, mas efeito de fumaça e poluição.


Miriam Leitão

sexta-feira, 20 de junho de 2008

O preço do petróleo subsidiado

O preço do barril de petróleo já está caindo mais de US$ 5,00 no final da tarde. A causa é, como já mostamos no post abaixo, a redução dos subsídios chineses à gasolina, óleo combustível, energia elétrica e combustível de aviação.

A China agora segue a tendência de redução de subsídios, o que já aconteceu em outros países asiáticos como a Índia e a Malásia. A Índia, por exemplo, elevou os preços do petróleo e do diesel entre 8% e 17% no início do mês.

O gráfico abaixo mostra como os preços internos do petróleo estavam no início de junho, antes dos reajustes dos combustíveis nesses países. O valor do litro do petróleo na Inglaterra, país que internaliza as variações do petróleo, estava em torno de US$ 2,25, enquanto na China e Indonésia, que praticam subsídios, eram bem menores, em torno de US$ 0,75 e US$ 0,50 respectivamente.

Isso causou uma explosão no consumo de petróleo. Cerca de 70% do barril de petróleo adicional é consumido por países asiáticos.


Miriam Leitão

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Bush pede que EUA produzam mais petróleo

Seguindo a linha do candidado republicano John McCain, Bush pediu agora ao Congresso americano que trabalhe para aumentar a produção de petróleo dos EUA. Ele quer acabar com uma lei americana que impede a exploração dos campos que ficam na costa do país. Com o preço da gasolina batendo recordes, o debate está no centro das discussões da corrida à Casa Branca. Leiam aqui na CNN Money.

Adivinhem qual é o problema aqui? o meio ambiente.

Muitos grupos ambientalistas se opõem à produção na costa, que poderia resultar em desastres em muitas praias americanas. A Flórida é um estado-chave nessa discussão, e o governador Charlie Crist mudou de idéia sobre o tema logo após a fala de McCain, ontem. Até então contrário, Crist agora apóia a exploração da costa.

- Temos que ser pragmáticos ao proteger nossas praias e ainda manter o crescimento da economia - disse o governador à Bloomberg. (leiam aqui)

A dúvida que fica é justamente essa. É possível aumentar a extração de recursos naturais e crescer a produção de energia sem comprometer o meio ambiente? Até agora, os dados tendem a dizer que não. E o mundo precisa decidir o que quer.

(*) atualizado às 13h55.

Miriam Leitão

terça-feira, 17 de junho de 2008

EUA com mais inflação e menos crescimento

A inflação americana no atacado subiu para a maior taxa dos últimos seis meses, acima das previsões dos economistas. Veio 1,4% em maio contra expectativa de 1%. A maior parte do aumento é causado pelos preços dos alimentos e da energia. Sem os dois componentes, a taxa variou 0,2%.

Ao mesmo tempo, a produção industrial recuou 0,2% e a utilização da capacidade instalada caiu para o menor nível desde setembro de 2005, quando o país foi atingido pelo fucarão Katrina.

Resumindo: temos alta da inflação, por um lado, e redução do crescimento, por outro. Ambos efeitos da alta dos combustíveis.

Miriam Leitão

segunda-feira, 16 de junho de 2008

Crise se agrava na Argentina, ruim para o Brasil

O conflito entre o governo argentino e ruralistas voltou a se agravar neste final de semana depois da prisão de 19 produtores rurais no sábado, quando eles bloqueavam a passagem de caminhões em estradas do país.

Com isso, muitas rodovias continuam interditadas e a ligação entre o campo e a cidade está comprometida. O resultado é que começa a faltar leite, carnes, frutas e hortaliças nos supermercados, e o estoque de combustíveis nos postos está cada vez menor.

A crise derrubou a popularidade da presidente Cristina Kirchner, que caiu de 47% em abril para 26% em maio. A confiança do consumidor também recuou 17% no mesmo mês e as exportações de commodites 7%.

Para o Brasil, o conflito é ruim porque fica cada vez mais distante a expectativa de normalização do comércio de trigo importado da Argentina.

Miriam Leitão

quarta-feira, 11 de junho de 2008

Os economistas ficaram mesmo surpresos com as altas nos preços de hoje. E parece que não há muito o que possa ser feito pelo Banco Central para atacar

Os economistas ficaram mesmo surpresos com as altas nos preços de hoje. E parece que não há muito o que possa ser feito pelo Banco Central para atacar a inflação corrente. Segundo Luis Otávio Leal, do banco ABC Brasil, o mercado agora olha para o BC como se ele estivesse "correndo atrás da curva", ou seja, atuando para baixar preços já em alta, ao invés de tentar evitar que eles subam.

- Até abril, a impressão era de que o Banco Central estava elevando juros para evitar a alta da inflação, ou seja, estava agindo com cautela, se antecipando. Depois dos índices de hoje, que foram horríveis, a análise é outra: o BC agora está atrasado e vai ter que correr atrás das altas - explicou.

Segundo ele, só uma mudança no cenário internacional poderia ajudar a deter a inflação corrente. Isso significa uma redução dos preços das commodities internacionais, especialmente petróleo e alimentos. O que mais vai influenciar nesse cenário é a diferença entre os juros americanos (2%) e europeu (4%). Quanto maior for essa diferença, mais enfraquecido ficará o dólar. Isso pressionará as commodities e a inflação no mundo.

Subir a Selic agora, ele explica, só começará a surtir efeito no ano que vem:

- Para o BC brasileiro só resta torcer neste final de ano. O que pode ser feito é elevar mais os juros para conter a expectativa de inflação do próximo ano. Já tem gente no mercado prevendo oito altas consecutivas dos juros em 0,50 pontos percentuais. Isso colocaria a Selic em 16,25% no final do primeiro semestre de 2009.

Miriam Leitão

Vale na agricultura


A Vale decidiu — não exatamente atendendo a pedidos do presidente, mas a uma enorme demanda internacional — aumentar sua participação no mercado de fertilizantes; e, para tanto, já está conversando com a Petrobras. Na reunião de segunda-feira, esses insumos foram citados como um dos responsáveis pela alta dos alimentos. De qualquer forma, alguma mudança mais substantiva só tem chances de acontecer em 2010, quando ficar pronta uma planta da mineradora brasileira no Peru.

Vale e Petrobras vêm conversando não é desta semana. Ambas produzem matéria-prima para fertilizante e se deram conta de que, se o mundo está comendo mais, é preciso aumentar a produtividade das terras, ou seja, é necessário adubo. Nesse quadro, a Vale não descarta, até mesmo, passar a fazer o produto final.

O preço dos fertilizantes tem explodido no mundo. Dobrou no ano passado e, este ano, para algumas culturas, também já dobrou. Um dos principais problemas está justamente na escassez de matéria-prima, como potássio e fosfatados.

Porém, pensar numa solução no curto prazo para os fertilizantes baseada na ajuda da Vale e da Petrobras é inútil. Hoje o Brasil importa 67% do que consome. A Vale tem uma mina em Sergipe que produz 850 mil toneladas de potássio por ano e uma maior, com 3,9 milhões de toneladas de fosfato, no Peru. Mas essa planta só fica pronta em 2010.

— O que decidimos agora foi acelerar a expansão em Sergipe e estamos verificando a possibilidade de minas que não estavam sendo usadas. E se der para acelerar a obra no Peru, vamos acelerar. Tem também a mina de Neuquen, na Argentina — diz Tito Martins, diretor-executivo da Vale.

A estimativa da própria empresa é de que, em 2012, a demanda por fertilizantes no país estará 25% maior. Um aumento da sua participação poderia ajudar um pouco, mas não por agora.

— A mina da Vale abastece 8% do mercado brasileiro. Mesmo que ela dobrasse a produção, ainda teremos que importar muito — comenta André Pessoa, da Agroconsult.

No curto prazo, André só vê uma alternativa para tentar diminuir o preço dos fertilizantes: uma redução nas tarifas de frete e no ICMS.

Paralelo a isso, ontem, a Vale anunciou uma oferta de US$ 15 bilhões em ações e desmentiu uma possível compra internacional. Mas o mercado não acreditou. Em dois dias, o papel mais negociado no Brasil caiu 5,7%.

Miriam Leitão