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quarta-feira, 2 de julho de 2008

Inflação, dólar, Bovespa e o fim do primeiro semestre

Chega ao fim o primeiro semestreAcabou o primeiro semestre de 2008, um período marcado pela forte instabilidade do mercado financeiro[bb] e que mexeu com o ânimo dos investidores, aqui e lá fora. Que lições podemos tirar desse período turbulento que freou, por exemplo, muitos anos de alta da Bovespa? O dólar, cada vez mais desvalorizado frente ao real, vai continuar se corroendo? E a inflação?

Uma nova realidade?
Se a instabilidade foi a marca registrada nos primeiros seis meses do ano, ao menos tivemos uma boa notícia (ou pelo menos a confirmação de uma nova realidade no Brasil): alcançamos o tão sonhado grau de investimento. O grande problema é que ele chegou acompanhado de inflação e juros mais altos.

Diante deste cenário, a Bolsa de Valores de São Paulo, no primeiro semestre, rentabilidade de 1,77% (Ibovespa). Como comparação, no mesmo período a velha caderneta de poupança valorizou-se cerca de 3%. Mas calma, esse é um retrato da situação, a representação de um fato, não uma comparação justa ou tira-teima entre o melhor/pior investimento.

No mesmo período surgiram opções interessantes de investimentos. Alta de juros são, de uma maneira geral, instrumentos utilizados quando se pretende frear o consumo interno. Ao mesmo tempo, a ação brinda o investidor[bb] mais atento com taxas muito mais atraentes.

Que tal levar a dica mais a sério e consultar um pouco o nosso velho conhecido CDB? Que tal investigar melhor e correr atrás de mais informações sobre os títulos públicos, o famoso Tesouro Direto? Afinal, o Brasil é um país considerado confiável (um dos significados da chegada do investment grade).

Minha carteira de ações despencou! E agora?
Se você está vendo seu investimento em ações[bb] ruir dia após dia, aceite que esse é o risco tão comentado por especialistas do mercado de capitais. Ao entrar nesse mercado, o investidor deve estar ciente de que altos e baixos o esperam. E que altos e baixos, hora ou outra, acontecem.

No entanto, quem realmente criou uma carteira sólida (leia-se com ativos de empresas bem geridas e de potencial) e investe com certa prudência e inteligência considera o período normal. Como diz Gustavo Cerbasi, crises deveriam ser o alívio de quem realmente sabe investir.

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quarta-feira, 25 de junho de 2008

Participação dos Investidores - 23/06

Dinheiro e a vida pessoal!Hoje é dia! A famosa Superquarta-feira chegou! Diversos índices muito importantes para o mercado serão divulgados, como o IPCA-15 e, no exterior, a decisão do FED sobre a taxa de juros nos Estados Unidos. Sozinhas, essas notícias já são suficientes para alguns bons artigos (que virão ainda esta semana), entretanto hoje resolvi escrever sobre a importância de investir mais nós mesmos, em nossas qualidades.

Para que um investidor[bb] tenha sucesso, o primeiro passo é criar o hábito de investir sempre. Isso só será possível gastando menos do que se ganha, você deve concordar. Infelizmente, essa não é a realidade da grande maioria dos brasileiros, como o Navarro já comentou em recente artigo sobre endividamento.

Se você se enquadra no imenso percentual de brasileiros que notam que quando o salário cai na conta, ele só serve para cobrir o cheque especial ou o rombo do orçamento causado pelas compras exclusivamente consumistas, talvez seu investimento precise ser diferente. Sim, algo fora do mercado financeiro[bb]. Nessa circunstância, o melhor é investir em você.


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sábado, 21 de junho de 2008

Investimentos: entre o risco e a cautela

Investimentos: entre o risco e a cautelaNos últimos dias tenho recebido diversos e-mails e comentários de leitores preocupados com o atual momento econômico do país e do mundo. É verdade que motivos não faltam: crise hipotecária norte-americana que ainda de fato não teve seu final; crise do petróleo e dos alimentos que eleveram os preços no mundo todo; e o rumor de início de crise nos fundos de pensão dos EUA.

Está certo, o cenário mundial já esteve melhor do que nos dias atuais. A grande pergunta que fica é: o que o investidor[bb] deve fazer nesses momentos? A primeira - e talvez mais importante - coisa a fazer é manter a calma e analisar a situação olhando para o futuro e seu planejamento. Estou certo que dentro de sua estratégia havia uma hipótese de crise e estava prevista a possibilidade de um período com maiores dificuldades. Estou certo?

Não tinha um plano B? Respire fundo e procure manter a calma mesmo assim. A vantagem do plano B é que este pode permitir uma saída alternativa para crises já tão comuns nos dias de hoje. No mais, a informação de qualidade e a atitude podem fazer a diferença.

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quarta-feira, 18 de junho de 2008

Henrique Meirelles, investimentos e juros altos

Alta dos juros e o seu bolsoNa última segunda feira, dia 16/06, participei, como editor de economia do Dinheirama, da cobertura da entrevista dada pelo presidente do Banco Central Henrique Meirelles ao programa Roda Viva (TV Cultura), comandado pela jornalista Lilliam Witte Fibe. Assistir ao programa ao vivo e interagir com os participantes trouxe excelentes insights para o artigo de hoje.

Durante o programa, deixei minhas impressões e opiniões disponíveis a todos através do meu perfil no Twitter. Também comentei um pouco do que acontecia nos bastidores - ouso dizer que, algumas vezes, durante os intervalos foram ditas coisas mais interessantes que durante o programa. Aliás, algum leitor acompanhou a entrevista na TV Cultura? O que você achou?

De uma maneira geral, a experiência foi maravilhosa. Mais uma vez aprendi muito e tive a oportunidade de estar próximo da maior autoridade econômica[bb] do país. Figura ímpar que, diga-se de passagem, colocou os jornalistas “no bolso” durante o programa. As perguntas foram muito focadas nas altas taxas de juros. Temas importantes, como a dívida brasileira e os gastos públicos, acabaram ficando fora da pauta.

Que tal a dívida pública? Ela deveria ser abordada principalmente porque foi um dos pontos negativos que as agências de avaliação de risco fizeram sobre o futuro do Brasil. Mais, sobre ela ainda pesa a questão dos juros, que fazem a dívida aumentar ainda mais.

E os gastos públicos? Este talvez seja o verdadeiro responsável pelo aumento dos juros. O governo gasta muito e gasta mal. Enquanto faltam investimentos em educação e infra-estrutura, o governo gasta milhões em projetos sociais que não resolvem problemas de cidadania - apenas criam dependentes da boa vontade do governo.

Pior, abre espaço para que, em nome desses projetos, o governo aumente a arrecadação com novos impostos e contribuições financeiras sem cabimento. Falou-se de inflação, mas faltou entender, sob a ótica do presidente do Banco Central, o que verdadeiramente motiva a utilização dos juros como instrumento de contenção inflacionária, já que parece claro que não é a demanda a causadora dessa alta.

Minhas observações e o que esperar…
Falou-se um pouco sobre o dólar, mas não percebi nenhuma atitude, por parte do BC, capaz de surtir efeito em um curto espaço de tempo e conter o avanço do Real frente à moeda americana. Acredito, neste caso, que a lei do mercado prevalecerá.

A expectativa de inflação no médio prazo parece estar controlada, mas não sei se agüentaremos ficar dentro da meta estabelecida para o ano de 2008. O próprio governo já toma dinheiro emprestado a pouco mais de 15% ao ano em um dos seus títulos: as Letras do Tesouro Nacional (LTN) com vencimento em julho de 2010, um título da dívida pública prefixado.

Levando-se em conta o desconto da taxa de inflação esperada pelo mercado para os próximos 12 meses, o papel renderia uns 9,7% no primeiro ano. Se a situação melhorar, o rendimento será ainda maior. Há exatamente um ano, o governo pagava cerca de 10,5% no mesmo papel que venceria dali a dois anos, com taxa real esperada de pouco menos de 7%.

Os números realmente trazem mais pensamentos ao investidor inteligente[bb] e perspicaz, que pensa e estrutura o investimento em prazos. Assim, no curto e médio prazo parece interessante aproveitar os altos juros pagos pelo governo e investir em seus títulos da dívida – o famoso Tesouro Direto.

Em um cálculo simplista, seria necessário o Ibovespa subir ao patamar de 77 mil pontos para “compensar” o rendimento dos títulos do Tesouro. Isso sem contar a segurança dos papéis emitidos pelo governo, garantia de que não haverá volatilidade. No mercado de ações[bb], como já sabemos, a história é outra.

Não estou sugerindo que você simplesmente abandone sua carteira de ações. Não é isso, cuidado com a interpretação. O investidor sensato e antenado já percebeu que não é nada sadio manter todo o seu capital em uma única aplicação. Dada a tranqüilidade demonstrada no discurso de Henrique Meirelles, parece que estamos diante do momento ideal para aproveitar a ótima rentabilidade garantida ao emprestar dinheiro ao país.

Dinheirama

sexta-feira, 13 de junho de 2008

Caderneta de poupança em tempos de inflação

Caderneta de poupança em tempos de alta inflaçãoTodos já ouvimos algumas frases emblemáticas em nossas vidas, não é mesmo? Algumas, com um sentido super afinado, podem ser atribuídas e usadas amplamente no dia-a-dia. Ao ler um dado divulgado recentemente pelo Banco Central, de imediato lembrei-me de uma dessas frases e fiz um pequeno exercício de imaginação.

“Há males que vêm pra o bem”, conhece? E se pensarmos no contrario, como que imaginando algum bem que se mal empregado se torna mal? A informação do BC dá conta que a caderneta de poupança apresentou saldo positivo em sua captação líquida do mês de maio. Simplificando, entrou mais dinheiro na poupança do que saiu.

Então o brasileiro começou efetivamente a poupar? Sim! Certo, mas o que isso tem a ver com os males ou com algo interessante que mal empregado pode estragar? A notícia, se analisada no contexto geral, é boa, mas podemos também mostra como o brasileiro ainda desconhece o mercado financeiro[bb] e, assim, não busca oportunidades de investir melhor e ter rentabilidades mais atraentes.

A inflação aparece para complicar a equação.
Se você acompanhou o Dinheirama nas últimas semanas, provavelmente percebeu que um tema vem sendo amplamente discutido: a inflação. Para o investidor[bb], ela é um dificultador enorme, pois o obriga a batalhar sempre mais, de forma a vencer o custo de vida.

Com saldo positivo de R$ 1,096 bilhão em maio, e compensando déficit de R$ 1,848 bilhão apurado em abril, a poupança registrou rentabilidade de 0,54%, enquanto a inflação, aqui medida através do IGP-M, chegou a 1,61%.

No acumulado do ano a poupança sustenta uma rentabilidade de 2,9%, enquanto o IGP-M chega a 4,74%. Isso significa que o retorno real da poupança é negativo, já que sua rentabilidade não é suficiente para cobrir a elevação no custo de vida.

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quarta-feira, 11 de junho de 2008

Os ciclos brasileiros e alta da taxa Selic

O ciclo de alta da SelicVocê já reparou que os juros estão em queda no Brasil? Calma leitor, não estou louco! Escrevo como investidor[bb], aquele que sempre encara o tempo, o longo prazo. No inicio do governo Lula (fevereiro de 2003) tivemos um pico de 26,5% na taxa Selic. Você se lembra? Pois é, aquele foi o primeiro ciclo de alta dos juros da gestão de Henrique Meirelles na presidência do Banco Central.

De lá para cá, especialmente em maio de 2005, registramos o pico do segundo ciclo de alta, com a taxa de juros chegando a 19,75% e recuado até os 16%. Até os dois últimos aumentos, chegamos aos juros mais baixos desde a chegada do Plano Real: 11,25% ao ano. Agora estamos com 12,25% e a expectativa geral no mercado é que este terceiro ciclo de alta nos juros faça a taxa subir até os 14% ainda este ano, voltando para a casa de 12% no ano que vem.

A taxa ainda está alta? Provavelmente sim, diriam alguns mais cautelosos. Certamente sim, diriam alguns mais extremistas. O aumento é pontual e visa controlar a inflação, diriam alguns mais informados. Não há unanimidade, o que é interessante em uma democracia. Mas, ainda acho alta a taxa se levarmos em conta os demais países em desenvolvimento.

No entanto, se considerarmos o momento mundial e as questões abaixo listadas, veremos que o caminho tomado pode fazer certa diferença:

  • No médio prazo os juros estão mais baixos e essa tendência deve se manter;
  • O mundo passa por um momento de inflação elevada, com as commodities e os alimentos puxando o cordão inflacionário;
  • Em dois anos, a taxa básica chegou a cair 8,25 pontos;
  • O país deve manter o crescimento na casa dos 4,5% ao ano pelo menos no próximo biênio.

Alguns pontos - como o aumento da dívida pública e o próprio desaquecimento da economia - são negativos, é verdade, mas formam parte dos riscos calculados pela equipe do BC e do governo. O desaquecimento e o menor consumo, pensando na inflação, são justamente alguns dos efeitos desejados.

O interessante é verificar que os períodos de elevação da taxa estão sendo, na média, inferiores aos períodos de baixa. Seria essa uma versão tupiniquim da expressão do mestre Maquiavel, que diz que a maldade se faz de uma única vez e a bondade se faz aos poucos? O investidor[bb] esperto já percebe oportunidades de ganho com o Tesouro Direto.

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sábado, 7 de junho de 2008

A casa própria e o imóvel como investimento

Por muitas vezes conversamos sobre imóveis enquanto alternativa de investimento. O tema continua sendo muito oportuno. Quando o país apresenta um crescimento sustentado, ótimas opções de investimento[bb] surgem em um piscar de olhos. Assim, estar preparado para aproveitar uma boa chance de multiplicar seu capital é sempre um grande desafio.

O primeiro ponto que vou abordar vem de um assunto extremamente polêmico: a casa própria. Afinal de contas, a casa própria é ou não é um investimento? Todos sonham em fugir do aluguel e uma grande maioria o encara como um dos grandes vilões da vida moderna. O Navarro já abordou o tema em outro excelente artigo: “Imóvel, comprar ou alugar?”

Reconheço que pagar uma quantia alta por uma moradia que não é sua pode ser desgastante, mas em alguns isso representa uma oportunidade, principalmente para casais que estão começando uma vida a dois. No país onde qualquer financiamento cobra juros relativamente altos, o aluguel pode ter seu lado bom. Pode. Mas o que você entende de imóveis[bb]?

Ainda hoje ouvi uma notícia sobre a entrada do Banco do Brasil no mercado de financiamento imobiliário, com taxas anuais de 14%. Para efeitos de comparação, o crédito imobiliário na França é de 4% ao ano. Será que investir o valor da parcela (ou do financiamento), não traz retornos mais interessantes?

O valor investido pode garantir melhores oportunidades no futuro, especialmente para aumentar o valor da entrada ou até mesmo para compra à vista do bem. Em termos práticos, investir é a capacidade de multiplicar determinado valor. Investir também é garantir liquidez para utilização do dinheiro de maneira rápida, não dependendo de vontades alheias.

Quando temos nossa casa, nosso único imóvel, dificilmente nos propomos a vendê-lo, mesmo depois de uma grande valorização. Mudar para uma casa menor, em outro bairro, e usufruir dos rendimentos é algo que passa pela sua cabeça? Eu não conheço ninguém que foi ou pretende ir por este caminho. Pior, a grande verdade da venda de imóveis é seu uso como entrada em imóveis ainda mais caros.

Então, o argumento de que imóveis se valorizam - defendido de forma ferrenha por alguns leitores - nem sempre se aplica a todos os investidores. Pois um imóvel[bb] valorizado só se transforma em dinheiro e em efetivo ganho no bolso quando ele é vendido. Pense nisso!

Imóvel como investimento
Fora as questões que envolvem a casa própria, existem algumas boas opções de investimento em imóveis. As mais comuns são as que visam aproveitar oportunidades de venda, como as de imóveis oferecidos por pessoas que necessitam vender o imóvel (em razão de problemas de saúde, mudança de cidade, morte na família etc.).

Nestas ocasiões, as pessoas aceitam preços inferiores ao valor de mercado do imóvel, visando venda rápida. A realidade é que já vi muitas pessoas construírem verdadeiras fortunas com essa prática. Esse tipo de investimento, apesar da boa rentabilidade, passa pelo problema da liquidez não ser imediata: após a compra, o novo proprietário precisa, muitas vezes, de um bom tempo para repassar a casa a um novo comprador disposto a pagar o preço de mercado ou mais caro.

E o aluguel?
Muitos optam por manter os imóveis como parte do patrimônio e decidem alugá-los. Este é um investimento bastante conservador. Na média, o mercado trabalha com um rendimento mensal bruto de 0,5% a 0,7% do preço da propriedade. Como o valor é bruto, as despesas com manutenção, impostos e taxas estão fora do percentual.

Repare que a tão incompreendida e atacada caderneta de poupança garante rendimento líquido de ao menos 0,5% ao mês. Assim, em muitos casos o valor do imóvel aplicado na caderneta de poupança rende mais que valor recebido no aluguel. Outro ponto a considerar é a inadimplência dos inquilinos e as dificuldades jurídicas em períodos de desocupação.

E os fundos imobiliários?
Existe outra forma de investir em imóveis, sem que você necessite de uma grande soma para comprar um imóvel comercial caro por exemplo (aqueles que rendem mais). Você pode participar de um Fundo de Investimento Imobiliário, ou FII.

É como se você comprasse pedaços de empreendimentos na forma de cotas. É como fazer parte de um condomínio, formando um fundo fechado de capital. Este dinheiro será administrado por uma instituição financeira, que prestará contas à CVM (Comissão de Valores Imobiliários).

Tudo isso com o objetivo de investir pelo menos 75% do próprio patrimônio em um ou mais empreendimentos imobiliários, como hotéis, shopping centers, edifícios comerciais, hospitais, flats, escolas etc., estejam eles durante a construção, recém inaugurados ou até mesmo em pleno funcionamento.

Como todos os investimentos, existem questões a serem bem estudadas. Este é um tipo de investimento que não garante retornos imediatos – lembre-se que bons investimentos[bb] são construídos com o tempo. Cabe também aqui o conselho essencial de todo especialista (aqui adaptado aos FII): não invista todos os seus recursos em um único FII e tampouco apenas neles.

Despeço-me com um pensamento interessante, de Fernando Pessoa, que acredito expressar o verdadeiro sentimento da vida:

“O valor das coisas não está no tempo em que elas duram, mas na intensidade com que acontecem. Por isso existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis”

Aproveitem o fim de semana para curtir o melhor da vida. Bom descanso, boa sorte e bons investimentos. Sempre!

Dinheirama

quarta-feira, 4 de junho de 2008

A alta da Selic, o feijãozinho e o seu bolso

Se existe algo em que os economistas concordam no Brasil, é que o COPOM aumentará a taxa básica de juros hoje. Discute-se muito a necessidade e a magnitude do aumento (0,25%, 0,5% ou 0,75%?), mas sua mudança é dada como certa. Como você já sabe, o grande responsável pelo aumento é o perigo inflacionário, muito mais perigoso e ardiloso do que se supunha até pouco tempo.

Hoje foi divulgado o Índice de Preços ao consumidor (IPC), mantido pela Fipe, que sofreu forte elevação no mês de maio, saltando de 0,54% em abril para 1,23% no mês passado. É a maior variação do índice desde fevereiro de 2003, quando o indicador chegou a 1,61%. Naquele tempo, o fantasma inflacionário pegava carona na forte pressão do dólar frente ao real.

Os alimentos no centro da questão
O grupo alimentação puxou a corda inflacionária, chegando a acelerar 3,17% em maio. Dentro do grupo, destacam-se as altas de 22,16% do arroz, 4,61% da carne bovina, 5,08% do leite longa vida e 4,15% do pão francês. Já temendo perder o controle e as rédeas da situação, o governo, mesmo que timidamente, começa a dar alguns sinais de que percebe o quanto o problema é critico.

Dessa forma, na última semana foi anunciado um esforço fiscal adicional de 0,5% do Produto Interno Produto (PIB) como meta de superávit primário – termo usado pelos economistas para definir o dinheiro que um governo economiza para pagar os juros de sua dívida.

De acordo com a proposta, o excedente irá para o Fundo Soberano Nacional, que servirá justamente para retirar o dinheiro de circulação na economia, a fim de conter a demanda e reduzir a necessidade de aumentos de juros por parte do Banco Central. Deixemos o assunto Fundo Soberano para um novo artigo, já que sua necessidade é bastante questionada.

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sexta-feira, 30 de maio de 2008

Pequenos detalhes, grandes oportunidades

Pequenos detalhes, grandes oportunidadesExistem muitas pessoas que me procuram com uma série de dúvidas, buscando uma forma de colocar em ordem sua situação financeira. Muitos recebem grandes salários, mas ao mesmo tempo são grandes gastadores e quase não investem ou pensam nos dias que têm pela frente. Assim, acabam desperdiçando a chance de construir um futuro mais rico[bb] e feliz. Por que? Será que é difícil?

É obvio que felicidade não se constrói exatamente pelo poder aquisitivo, mas não podemos fechar aos olhos aos problemas por ventura causados pela falta de um bom patrimônio, especialmente se pensarmos na velhice. Todos querem progredir na vida, o que jamais pode deixar de ser um sonho. Mas o que fazer, hoje, para alcançar este objetivo o mais rapidamente possível?

De olho nas oportunidades
Cortar despesas é a melhor forma para acumular patrimônio. Ao cortar gastos, podemos poupar e adiar o consumo a fim de propiciar um futuro melhor. Poupar hoje pode ter um significado doloroso - afinal nunca é fácil abrir mão do agora, do consumo - mas a chance de aproveitar um futuro melhor e ter mais dinheiro[bb] pode fazer a diferença. Pense nisso.

Quanto e como investir?
Antes de começar sua fase de acumulo de capital e patrimônio, o importante não é quanto e como, mas sim a criação e manutenção de uma cultura poupadora. O melhor momento é o agora e poupar precisa se transformar em um hábito. A idéia central é a de que um investimento trabalhará sempre a seu favor, certo?

Se não sobra dinheiro para poupar e investir – ou se, na melhor das hipóteses, sua receita empata com as despesas – preste atenção, pois suas finanças pessoais estão com sérios problemas. É hora de investir em educação financeira[bb].

O blog Você ++ traz oito dicas fantásticas que podem ajudar bastante na tarefa de poupar e investir. Confira algumas que julgamos mais interessantes e leia o artigo “8 dicas rápidas e simples para cortar gastos” para mais detalhes:

Faça seu próprio café da manhã
Se você está acostumado a comprar um pingado ou cafezinho preto e um pão na chapa na padaria da esquina do serviço, melhor fazer as contas. No final do mês, somando cada R$ 3,00 que você gasta por dia, são R$ 60,00!!

Leve comida de casa ou encontre uma refeição mais barata
Já calculou o quanto você gasta com refeições mensalmente, no trabalho ou na escola? É um valor considerável. Comece a preparar e levar sua própria comida. Além de ser mais barato, você pode aproveitar para melhorar sua alimentação escolhendo o que vai comer, ao invés de ficar sempre naquele arroz e feijão dos restaurantes.

Se não tiver jeito, então ache uma refeição mais em conta, um restaurante não tão caro, divida a bebida com um amigo. Multiplicando a economia por 20 (número médio de dias trabalhados no mês) você terá economizado uma boa grana.

Some todas as suas despesas com lazer e diversão

Quando você olha para cada gasto separadamente, ele provavelmente parece pequeno, não passando dos R$ 15. Vá somando todos eles e você verá como está gastando bastante. Junte o preço da TV a cabo, internet, cinema, shows, etc e veja o que acontece. Talvez seja hora de repensar seus gastos. Diversão é importante – ninguém pode ou deve viver sem – mas seja inteligente e controle melhor seu orçamento. Saiba aproveitar sempre as melhores oportunidades.

Compre em promoções

Aproveite as promoções! Se o produto que você quer está mais caro do que o normal, não esquente e deixe de comprá-lo. Pelo menos por enquanto. Tenho certeza de que logo ele aparecerá com desconto. Enquanto isso, compre o que estiver mais em conta. Você não vai morrer por causa disso!
Ah, claro, não compre o produto só porque ele está em promoção. Compre só aquilo que realmente precisar, de preferência em boas promoções.

Um jeito simples de começar…

Uma boa opção para organizar seus gastos é utilizar envelopes. Separe, no inicio do mês, o que irá gastar para cada despesa e coloque os montantes em seus respectivos envelopes. O que sobrar no fim do mês será um excedente para seu investimento, que já deve estar separado também. É simples e ajuda a evitar a perigosa contabilidade mental.

São sempre as dicas mais simples as que facilitam o “esforço” momentâneo capaz de garantir um futuro próspero. Para quem ainda duvida da força que pequenos atos como estes podem significar no aumento do patrimônio pessoal, façam o teste. Disciplina é a chave, sucesso financeiro[bb] o resultado. Bom final de semana.


Dinheirama

quarta-feira, 28 de maio de 2008

Economia, inflação e um Banco Central independente

Economia, inflação e um Banco Central independenteNas últimas semanas, um assunto vem sendo discutido de maneira reservada e carregada de preocupação: a saída de Henrique Meirelles, atual presidente do Banco Central, para concorrer a um cargo público nas eleições de 2010. É verdade que já existem alguns nomes cogitados para a cadeira, mas a sucessão não deverá ocorrer de forma tão simples.

O pouco tempo até as eleições presidenciais e as incertezas que sempre rondam as eleições após a posse do novo presidente dificultam bastante o interesse de pessoas reconhecidamente preparadas para a responsabilidade do cargo. E agora, será que temos motivos para nos preocupar? O que pode acontecer? Como isso pode afetar nosso bolso e capacidade de investir[bb]?

Diante deste cenário, volta a tona um tema que esteve em pauta durante a presença do ex-ministro Antonio Palocci na pasta da Fazenda, ainda no primeiro mandato do Presidente Lula: a autonomia do Banco Central. Percebe-se que essa realidade faz muito bem ao país e sua economia, mas será que este modelo de operação será mantido e incentivado?

Qual o papel do Banco Central?
É importante que todos entendam o verdadeiro papel de um Banco Central: garantir a estabilidade econômica do país. Para alguns, isso se resume ao termo “Guardião da Moeda”. Nos dois últimos governos, alguns economistas de peso passaram pelo posto. Os exemplos recentes são Armínio Fraga e o atual presidente Henrique Meirelles, que recebeu o mesmo peso de um ministro de Estado.

O efetivo sucesso da política econômica com o papel conservador das diretorias do Banco Central se resume no bom momento econômico brasileiro, principalmente no que diz respeito ao controle inflacionário. Por isso, quando se pensa na troca da presidência do Banco Central inúmeras incertezas começam a surgir:

  • O próximo presidente manterá o mesmo viés conservador?
  • A nova equipe manterá a mesma política de juros?
  • O sucessor levará adiante o combate impiedoso da inflação?

As respostas para tais dúvidas reforçam a importância da autonomia do Banco central e de sua diretoria. Desta forma, é possível sinalizar ao mercado financeiro[bb] que o poder conferido à instituição está separado das mudanças e interesses políticos.

Razões para dar autonomia ao BC
Para a maioria dos especialistas existem, no mínimo, duas grandes razões para se alimentar a autonomia do Banco Central:

  • Maior eficácia no combate à inflação (efeito direto);
  • Aumento do potencial de crescimento do país (efeito indireto).

De acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI), o aumento do número de BCs independentes coincidiu com o fenômeno mundial de queda inflacionária pelo mundo. Na década de 70, por exemplo, a taxa média mundial de inflação era de 10%. Este valor chegou a 4% entre os anos de 2000 e 2004.

É importante salientar que durante esses períodos ocorreram fenômenos inflacionários parecidos em termos de números, especialmente entre os anos 80 e início da década de 90. A possibilidade de conciliar alternância no poder, valor incontestável em qualquer democracia[bb], permitindo ao mesmo tempo separar estabilidade econômica e embates eleitorais é um argumento expressivo, que garante boa argumentação à proposta.

Bancos Centrais pelo mundo
É preciso desassociar a autonomia do Banco Central das ideologias políticas, sobre tudo porque em alguns governos liberais – como da ex-primeira ministra da Inglaterra Margareth Tatcher e do seu seguidor John Major – a autonomia foi negada durante 18 anos.

Em contrapartida, Tony Blair – do Partido Trabalhista – outorgou, em apenas 7 dias, a autonomia do Banco Central Inglês. No Chile, o ditador Augusto Pinochet outorgou a independência do Banco Central e os governos de Eduardo Frei e Ricardo Lagos mantiveram a liberdade para a instituição, após os bons resultados.

Independente de qual seja a ideologia ou programa eleitoral que conduza um governante à presidência de uma nação, é obvio que a estabilidade de preços beneficia a todos. Este ponto é crucial para a definição econômica da sociedade.

E os mandatos fixos?
Defendo o mandato fixo de oito anos para a diretoria do Banco Central. Claro, não coincidindo com o mandato da Presidência da República. Assim como a autonomia do Banco Central, outros instrumentos precisam ser aprimorados para garantir mais transparência nos processos de decisão.

Maior acesso às decisões do COPOM, menor interferência do Ministério da Fazenda e algumas trocas de responsabilidade entre BC e CMN são algumas atitudes inteligentes que podem surtir efeito positivo. Além disso, o Congresso Nacional poderia, como acontece com o FED nos EUA, criar audiências periódicas para discussão das ações do Banco Central.

Esta não é uma discussão trivial. Para nós, que buscamos aproveitar as melhores oportunidades financeiras e de investimentos[bb], é muito importante conhecer e participar de tudo que acontece no mundo econômico do Brasil. Não é? Até sexta.


Dinheirama

sexta-feira, 23 de maio de 2008

Energia elétrica, como economizar?

Quando iniciamos uma consultoria financeira, duas de nossas primeiras (e maiores) preocupações são a listagem e identificação dos gastos. É impossível fugir de algumas despesas, é verdade, mas com alguns bons conselhos é possível economizar e formar um bom capital para turbinar os investimentos.

Hoje vamos listar dicas e instaurar um saudável debate sobre um dos gastos presentes na vida de quase todos os brasileiros: a energia elétrica e o seu desperdício. O brasileiro, é bem verdade, não tem o hábito de controlar muito bem o desperdício.

Afinal de contas, são muitas as luzes acesas em ambientes vazios, aparelhos em stand by e o uso de aparelhos antigos (que consomem muito mais energia). É comum notar o brasileiro pouco incomodado com os gastos em energia, o que prejudica sua saúde financeira.

Quanto você gasta de energia? Como gasta e usa essa energia?A Cemig, empresa de energia do estado de Minas Gerais, criou uma calculadora de energia capaz de simular nossos gastos com energia. Acesse o simulador e faça algumas experiências.

O que mais gasta energia em sua casa?Você sabia que:
O chuveiro elétrico representa 30% do valor total da conta;
A geladeira e freezer representam 30% do valor total da conta. Se os eletrodomésticos tiverem idade acima de 10 anos, o percentual dobra;
O ferro de passar roupa representa 5% do valor total da conta;
O computador representa 5% do valor total da conta;
A televisão representa 10% do valor total da conta;
As lâmpadas comuns representam 10% do valor total da conta;
A instalação elétrica representa 5% da conta.

Dicas para redução do Consumo
Algumas mudanças nas atitudes do dia-a-dia possuem grande influência na redução dos gastos com energia elétrica e na consequente acumulação de patrimônio e riqueza. Que tal adotar alguma dessas medidas:

Use mais a luz natural. O Brasil é um país iluminado. Aproveitar a luz natural do sol é uma das grandes sacadas para reduzir sua conta. Então abra as janelas e cortinas, deixando que o astro Rei se faça presente. Sua casa e seu bolso agradecerão.

Acumule roupas e passe-as de uma vez. Esta é uma dica conhecida, mas pouco utilizada. Ao acumular roupas, você utilize o ferro de maneira mais uniforme, evitando picos. Comece com as peças que necessitam de baixas temperaturas. Mude a temperatura de acordo com a necessidade.

Banhos demorados. Além do desperdício de água, que por si só já é um sacrilégio, o banho demorado consome muita energia. Será que ensaboar-se com o chuveiro desligado é assim tão difícil?

Muitos televisores ligados. Hoje em dia, a maioria das casas possui mais de um televisor. Uma TV no quarto do filho, outra na sala, uma no quarto do casal e, muitas vezes, todas sintonizadas no mesmo canal. Criar o hábito de reunir a família em um mesmo ambiente para assistir ao programa preferido cria economia, além de unir mais a família. Pense nisso!

Utilize as máquinas de lavar e secar em sua capacidade máxima correta. Ou seja, não a sobrecarregue e utilize a quantidade indicada pelo fabricante de sabão. Isso também significa economia de energia, sabia?

Faça manutenção regular de sua rede elétrica. Além evitar desperdícios, isso evitará possíveis curto circuitos e prejuízos maiores no futuro.

Claro que todas estas dicas são simples, diretas e muito fáceis de serem implementadas. A diferença está em nosso real interesse ao levá-las para nosso cotidiano. O blog Efetividade.net, do amigo Augusto, traz excelentes dicas para economia de energia. E você, tem alguma dica que já utiliza e que traz bons resultados? Que tal compartilhá-la conosco?
Bom final de semana!

sexta-feira, 16 de maio de 2008

Pouco ou muito dinheiro? Não importa!

Como nunca deixaremos de afirmar, hoje em dia existem muitas opções de investimentos. São muitas as oportunidades, tanto para quem possui valores altos, quanto baixos. Entretanto, e ai é que mora o problema, o que encontramos hoje na sociedade brasileira é a falta de cultura voltada para a formação de poupança. Como lemos recentemente por aqui, falta uma cultura voltada para o futuro.
No dia-a-dia, lido com pessoas com rendas muito diferentes. São altas e baixas receitas, altos e baixos gastos. Não raro, encontro pessoas com salários de dois dígitos em sérios problemas financeiros. Não tão raro, encontro pessoas, cuja renda é mais baixa, com ótimo controle dos gastos e disciplina, mas com falta de conhecimento aplicar melhor os recursos resultantes desse controle.
Disciplina, a chave para o sucesso.O que é pior: ganhar R$ 10 mil por mês e gastar R$ 12 mil, ou ganhar R$ 1 mil e gastar R$ 800? Independentemente da subjetividade da resposta, está mais do que claro que renda alta, bons salários e altas receitas não são sinônimos de uma vida financeira equilibrada.
Não interessa o quanto se ganha, mas o quanto se gasta, economiza e investe. Assim, é preciso (e importante) dimensionar seus gastos de maneira a fazê-los caber tranquilamente em seu orçamento. Conclui-se, portanto, que a percepção e o sucesso independem do tamanho da renda, mas sim da disciplina de cada um.
Apesar do conceito ser simples, tenho consciência de que agir assim não é sempre fácil. Por outro lado, hoje existem muitas possibilidades, ferramentas e bons livros capazes de ajudá-lo a poupar de maneira sensata e, assim, dar um upgrade no orçamento doméstico.
Compromisso com nosso dinheiroTenho um bom exemplo que ilustra, na prática, como a força de vontade e o esforço pessoal podem mudar nosso comportamento financeiro:
Diariamente, e antes de chegar ao trabalho, eu costumava tomar um café da manhã simples em uma padaria próxima. Tomava um copo de leite com achocolatado e comia um pão com manteiga “na chapa”. Uma delícia! Isso me custava, todo santo dia, R$ 3,50.
Meu gasto mensal aproximado, levanto em conta que os meses possuem, em média, 22 dias úteis chegava a cerca de R$ 77,00. Ao final de um ano, cheguei a gastar R$ 924,00 com esse hábito. Quando percebi esse gasto desproporcional à minha realidade, mudei minha rotina.
Não, não deixei de tomar meu café da manhã ou me alimentar de forma saudável pela manhã. Simplesmente coloquei o relógio para despertar vinte minutos antes do habitual e passei a preparar minha refeição em casa. Como resultado, economizo (ou deixo de gastar) 70% do valor anterior.
Onde fica o planejamento? E o futuro?Obviamente que quando penso em poupar, procuro aproveitar o esforço em prol de um objetivo futuro. Poupar, optando por manter as definições simples, significa sacrificar algum consumo imediato e, quem sabe, consumir lá na frente, vivendo uma situação financeira mais saudável (sem dívidas, por exemplo) e ainda mantendo algum valor investido.
Não tem muito tempo, fui atender ao apelo de um amigo que estava em situação financeira desesperadora. Era um pequeno empresário do ramo de transportes. Ele possuía uma quitinete no litoral de São Paulo e um apartamento quitado. Estava financiando outro apartamento e também um carro.
Em um impulso, meu amigo vendeu a quitinete, trocou o o carro – para um modelo mais luxuoso e com um carnê ainda maior e mais perigoso – e deu entrada em um apartamento de luxo no litoral. Neste mesmo período, começou a passar por certa crise no trabalho e sua renda caiu pela metade.
Sem nunca ter feito um fundo de reserva, meu amigo se afundou nas dívidas de cartões, cheque especial e empréstimos para manter o padrão de consumo da família. Quando conversamos sobre a situação, mostrei que a principal alternativa naquele momento era o sacrifício.
Então decidimos trocar o carro por um de valor inferior. Com a diferença, negociamos o pagamento dos juros de suas dívidas e trocamos as dívidas do cartão e do cheque especial por um empréstimo pessoal, com juros muito inferiores.
Aprendida a lição, ele finalmente percebeu que a falta de planejamento e decisões baseadas apenas no aspecto emocional podem significar prejuízos e grandes privações no futuro. Sua família não precisava passar por tudo aquilo, concluiu feliz e agora motivado a gerenciar melhor seu patrimônio.
Atenção ao orçamento!Muitas pessoas possuem uma planilha para controlar os gastos, é verdade. O Dinheirama oferece uma série de planilhas e simuladores. A idéia é boa, mas muitas vezes não funciona. Isso mesmo, é comum vermos pessoas utilizando muito mal a ferramenta de gestão que tem em mãos.
Uma planilha deve servir como um orçamento, ou seja, um planejamento antecipado dos gastos capaz de mostrar seus compromissos financeiros futuros e seu fluxo de caixa. Monte o orçamento, mas faça atualizações constantes, lembrando sempre que existem gastos sazonais em algum meses ou épocas do ano.
No começo do ano, por exemplo, existem os impostos e taxas do carro, o IPTU, o material escolar e os gastos das compras de fim de ano. Depois, lembre-se da Páscoa, Dia das Mães, Dia dos Pais, Dia das Crianças etc. Anote e controle tudo!
O importante é saber que sempre existe uma solução para quem realmente se importa e quer utilizar um pouco de inteligência financeira. Seja economizando no cafézinho, melhorando seu controle de gastos ou gerenciando melhor suas dívidas, a oportunidade e a decisão sempre existem.
Aproveite o fim de semana para comentar e discutir, entre família e amigos, as possibilidades propiciadas por um bom planejamento financeiro. Divulgue esta idéia e compartilhe com quem você ama um futuro mais rico e próspero. Até a próxima.

sexta-feira, 9 de maio de 2008

Como começar a investir em ações

Após um inicio de ano marcado por baixas, aos pouco o mercado de ações volta a despertar a atenção dos brasileiros, principalmente após a concessão do grau de investimento. Investir em ações, ao contrário do que pode parecer, é mais fácil do que se imagina, pelo menos no quesito funcionalidade e na disponibilidade de ferramentas.
Desde março de 1999, o investidor tem a possibilidade de negociar ações por meio da Internet, através do tão falado sistema Home Broker. O brasileiro já habituado ao convívio com o home banking oferecido pelos bancos adaptou-se facilmente a essa tecnologia semelhante, se valendo do serviço de oferta de cotações, notícias e análise de mercado. Ao se decidir por aplicar em ações o investidor deve ter em mente que:
Está entrando em um terreno muito diferente da renda fixa, poupança e opções mais conservadoras;
O risco é uma constante e faz parte do investimento;
A volatilidade do mercado faz parte do cotidiano dos participantes;
Entender a sistemática das operações é tão importante quanto descobrir em qual perfil nos enquadramos.
Outros pontos que merecem uma atenção especial são o tempo que o dinheiro permanecerá investido e qual volume será aplicado. Todos esses itens fazem parte de uma postura fundamental para quem entra no mercado financeiro: a capacidade de planejamento.
Acredite, quem entra no mercado simplesmente atrás de uma aventura se dá mal. Sem conhecimento e sem nenhuma estratégia de entrada e saída é melhor procurar outro tipo de investimento. Simples assim. Afinal, dependendo de quanto dinheiro você pode investir, aplicação em Bolsa pode não ser a melhor opção.
O tempo que você tem para acompanhar o mercado pode definir qual o caminho mais adequado para aplicar neste segmento. Por fim, investimento em ações exige sangue frio. Isso significa saber tomar decisões de modo racional, sem se deixar envolver pelo lado emocional.
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quarta-feira, 7 de maio de 2008

O grau de investimento e a dívida pública


Uma semana após a agência Standard & Poor’s elevar a nota da dívida brasileira ao grau de investimento, o assunto continua a pontuar de maneira intensa a agenda econômica brasileira. Fala-se menos sobre a concessão do “investment grade” e mais sobre as especulações em torno do que muda e sobre as expectativas para o futuro de nossa economia. Natural.
O cultuado jornal britânico Financial Times recomenda cautela em seu editorial publicado na edição de hoje. O jornal lembra que receber o selo de grau de investimento não é certificado de desenvolvimento:
“Afinal de contas, as agências de classificação de risco, como a Standard & Poor´s, simplesmente avaliam a capacidade dos devedores de pagarem suas dívidas. Um grau de investimento torna a dívida do pais mais atraente para grandes fundos de pensão e seguradoras. Não é um certificado de desenvolvimento”
Parece simples e óbvio, mas em períodos de euforia acabamos nos esquecendo justamente do primordial, essencial e acabamos confundindo as coisas. Como a dívida brasileira influencia esse cenário? Por que ela é importante para a economia brasileira?


Dívida pública, o perigo real e imediato


Outra agência que também faz a classificação do risco, a Moody´s, apontou, em seu relatório anual sobre o Brasil, a dívida pública brasileira como um dos principais empecilhos para a melhora na avaliação do rating.
Pelos critérios da agência, a atual nota (Ba1) ainda classifica o país como grau especulativo, categoria que engloba nações de maior risco de crédito na comparação com países de categoria grau de investimento. A dívida pública brasileira chegou a R$ 1,150 trilhão em dezembro, o que representa 42,8% do Produto Interno Bruto (PIB), a soma das riquezas produzidas no país.



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quarta-feira, 16 de abril de 2008

Juros, a arma secreta do Copom?

Semana de reunião no COPOM (Comitê de Política Monetária) é sempre igual. Alguns defendem uma posição mais austera (se é que isso ainda é possível) do Banco Central e outros defendem uma posição “esperar pra ver no que vai dar”. O fato é que, mesmo sem um consenso entre a cadeia produtiva e o chamado mercado financeiro, é grande a chance de um aumento de 0,25% na taxa básica de juros, a famosa Selic.

A grande pergunta que fica é: até que ponto essa mudança será capaz de conter a inflação? Vamos começar do começo. Qual o motivo para a inflação despertar de um sono tão pesado? Na prática, a resposta não é tão simples, afinal o fenômeno inflacionário é mundial. Nos EUA, nem a recessão, que poderia ser um remédio amargo, mas eficaz, não está sendo suficiente para conter os índices de inflação.

A jogada do Banco Central ao elevar a taxa Selic é a tentativa paradoxal de reduzir o consumo. Parece-me que o remédio de outrora pode agora ser uma pequena armadilha. O consumo, tão criticado e há pouco descoberto e experimentado pelas famílias brasileiras, não é o principal responsável pela inflação.
Veja as palavras do Ministro Guido Mantega:

“Se tirarmos os alimentos, a inflação doméstica é de 2,4%. A pressão dos alimentos vem de fora, via preços de commodities, que não podemos controlar”
O Ministro Mantega foi direto ao ponto e parece (enfim) ter razão. As chamadas commodities, agora supervalorizadas, são as verdadeiras responsáveis por esse aumento incontrolável nos preços dos alimentos mundo afora.
Não podemos esquecer de mencionar os gastos elevadíssimos para manutenção da máquina pública, que caracteriza o governo como (mau) gastador. Aumentar, nesse momento, a taxa básica é “operar a perna errada” e castigar da maneira mais cruel quem só agora começa a enxergar os benefícios de uma economia estável.
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quarta-feira, 9 de abril de 2008

Clubes de Investimento são uma boa?

Procurar ótimas oportunidades de investimento faz parte (ou deveria fazer) da vida de quem busca o sucesso financeiro. O Dinheirama, buscando sempre mostrar as alternativas existentes no mercado, abordará hoje um dos melhores caminhos para quem pensa em iniciar seus investimentos no mercado de ações: os Clubes de Investimento, a nova sensação do momento na Bovespa.
O que é um Clube de Investimento?É um grupo de pessoas, com algum tipo de afinidade, criado com um objetivo específico: investir no mercado de ações. Muitos definem um clube assim como uma escola de investidores, tendo como diferencial a possibilidade do cotista participar ativamente da política de investimentos, decidindo quanto e em qual ação investir.
Como tudo começou?O primeiro clube de investimentos surgiu nos EUA há mais de 100 anos. Por lá, existem hoje mais de 60 mil clubes, totalizando mais de um milhão de cotistas, segundo dados da Proshare, uma organização do Reino Unido que se dedica a estudar e estimular essa atividade.

sexta-feira, 4 de abril de 2008

Derivativos: um mercado fascinante, mas perigoso!

Não é novidade que o Dinheirama esta sempre atento, ouvindo bastante seus leitores. Nos orgulhamos muito desse contato cada vez mais próximo e tentamos atender às solicitações sempre primando pela linguagem simples e descomplicada. O compromisso segue firme neste sentido.
Hoje vamos atender um pedido já realizado por diversos leitores: explicar e discutir o chamado Mercado de Derivativos. Trata-se de um assunto bastante abrangente, que, em um primeiro momento, pode parecer complicado. Assim, hoje vamos nos concentrar apenas em passar alguns conceitos básicos sobre o assunto.
Definindo o Mercado de DerivativosDerivativo é um contrato definido entre duas partes no qual se definem pagamentos futuros baseados no comportamento dos preços de um ativo de mercado. O mercado de derivativos abrange um amplo leque de operações que estão sempre inseridas nos mercados a termo, de futuros, de opções ou de swap.
Em qualquer um deles, o investidor poderá negociar tanto commodities quanto ativos financeiros, como taxas de juro, índices de mercado etc. É comum vermos investidores à procura de operações com derivativos para especular e para buscar proteção. Esta segunda atitude caracteriza o investidor como um hedger.
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quarta-feira, 2 de abril de 2008

Gerente de banco: mocinho ou vilão

Poucos dias atrás, conversando informalmente com uma amiga, de vida até certo ponto estruturada, renda alta e com certo planejamento financeiro, decidi questioná-la sobre sua maneira de lidar com investimentos. A resposta foi rápida e com ar de muita confiança: “Não me envolvo com os investimentos. Minha gerente do banco resolve tudo para mim”. Que? Como assim?

Na hora, preferi não dar sequência na conversa, mas imediatamente surgiu em minha mente a seguinte questão: Será o gerente do banco capaz de resolver todos os problemas de quem abre mão de acompanhar de perto a gestão de sua vida financeira?

Gerente, vendedor ou consultor?
Muitos que, como minha amiga, delegam plenos poderes ao gerente de sua conta confundem a verdadeira função desse profissional. O gerente do banco não é um consultor financeiro pessoal, mas sim um profissional com grande conhecimento de “como”, mas sem muito interesse pelo “por que”.
Em outras palavras, eles vendem bem o produto do banco, mas nem sempre se preocupam sobre sua adequação à sua situação financeira. Ao não perceber essa diferença, corre-se o risco de assinar e participar de péssimos negócios.
Quase todas as recomendações do gerente atendem aos interesses do banco. Afinal, ele é um vendedor e, como tal, trabalha e é recompensado a partir de metas a serem alcançadas.
Quer um exemplo básico do quanto os interesses do banco estão sempre em primeiro lugar? Que tal os constantes apelos feitos para que compremos os tão conhecidos títulos de capitalização? Como já vimos, aqui mesmo no Dinheirama, títulos de capitalização são uma furada.
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quinta-feira, 6 de março de 2008

Investimentos e possibilidades para o dólar

Finanças pessoais, investimentos e moeda forteGustavo Comenta: “Olá, está sendo muito útil acompanhar o Dinheirama. Estamos vendo o dólar despencar a cada dia, então sugiro um artigo falando das possibilidades que essa queda do dólar traz para investimentos de médio e longo prazo. Estou pensando em comprar uns dólares para, em alta futura, vender. Obrigado.”

Olá Gustavo, obrigado pela visita. Antes de discutirmos as possibilidades de investimento[bb], vamos entender um pouquinho melhor as causas da baixa das verdinhas? Sendo bem objetivo, a principal razão é a alta oferta de dólares no país. São pessoas saindo das aplicações com menor rentabilidade no exterior, empresas novas desembarcando no país etc.

A idéia é “surfar” no ótimo momento econômico do país, usufruindo das altas taxas de juros que mantemos por aqui. Aliás, hoje é dia de reunião do Copom (Comitê de política Monetária) e a expectativa geral é pela manutenção da taxa básica, Selic, em 11,25% ao ano. Uma recente notícia da Folha de S. Paulo demonstra que voltamos ao primeiro lugar dos juros reais mundiais, deixando a Turquia para trás.

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sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Oportunidades vem e vão! E você

Segundo o poeta Vinicius de Morais, mais importante do que ser feliz é viver. Nossa vida é composta de momentos de bonança e outros de maiores dificuldades. Muitas vezes a escassez de oportunidades traz à tona problemas pessoais e financeiros. É no bolso, aliás, que quase todos os problemas começam e terminam. Assim, exercitar o papel do dinheiro
e saber o que podemos esperar dele se tornam atitudes cada vez mais necessárias.
Momento de lembrançasAlguns anos atrás trabalhei em um grande banco de investimentos que, durante muito tempo, foi cultuado e ainda hoje é visto como um dos maiores expoentes da nova realidade do mercado financeiro brasileiro. Por um bom tempo, os resultados foram fantásticos e no mesmo ritmo viamos os rendimentos dos funcionários subirem. Nem todos sabiam lidar com essa realidade.
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