Plus500
Mostrando postagens com marcador andre motta. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador andre motta. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Valuation e alguns indicadores fundamentalistas

Valuation e alguns indicadores fundamentalistasNão é novidade que o processo de valuation de uma empresa é algo bastante complexo. Ele exige fortes conhecimentos de análise de balanços, economia e matemática financeira[bb], seja por parte de um analista ou investidor. Na tentativa de simplificar algumas interpretações e facilitar a referência numérica e de efeito comparativo foram criados os indicadores.

Tais referenciais consistem em índices baseados em informações financeiras e contábeis que buscam dar uma visão mais rápida, porém nem sempre precisa, da atratividade das ações (se estão caras ou baratas). Para tentar entender um pouco melhor os indicadores é interessante uma breve revisão de como é feita uma avaliação[bb] deste tipo.

Uma empresa é avaliada em função dos lucros que gera para seus acionistas ao longo dos anos, descontados a uma taxa adequada e trazidos a valor presente. Logo, duas empresas com uma série de lucros idênticos teriam então o mesmo valor, independente do seu patrimônio ou capital, desde que seja utilizada a mesma taxa de desconto. Certo?

O índice P/L
Um dos indicadores fundamentalistas mais utilizados vem da relação preço/lucro, ou simplesmente P/L, que consiste na divisão do valor de mercado da empresa pelo seu lucro atual. A divisão nos dá uma idéia de quantos anos seriam necessários para que os lucros remunerassem o capital investido na empresa.

Por exemplo, um P/L igual a 12 significa que em 12 anos os lucros da empresa pagariam seu valor de mercado. No entanto, esta informação de forma isolada tem pouca valia. Os indicadores são muito utilizados para permitir comparações entre empresas, buscando “falhas” momentâneas do mercado na precificação das ações[bb] de certas empresas em relação a outras similares ou do mesmo setor.

Freqüentemente ouvimos em reportagens - ou lemos em alguns relatórios - afirmações do tipo: “As ações da Petrobrás estão descontadas em relação às demais petrolíferas no mercado internacional”. Este desconto em geral baseia-se no fato de que o P/L da Petrobrás é inferior ao P/L de suas concorrentes, quando pela lógica deveria ser igual ou muito próximo (afinal são empresas do mesmo setor, igualmente beneficiadas pela alta do petróleo).

No entanto, há fatores de riscos, como por exemplo o fato de a Petrobrás ser uma empresa estatal e com baixo nível de governança, que levam o mercado a embutir um prêmio de risco nas cotações das ações, fazendo com que esse desconto apareça.

Além do P/L, temos outros indicadores bastante utilizados, como:

EV/Ebtida
Valor da firma (valor pago pelos acionistas mais a dívida líquida da empresa) / Ebtida (lucro antes dos juros, impostos, depreciações e amortizações), que procura medir em quantos anos a geração operacional de caixa da empresa pagaria seu próprio valor.

P/VPA
Valor de mercado da empresa / Valor Patrimonial Ajustado, que nos indica se a companhia está sendo negociada abaixo do seu valor patrimonial. Em tese, quanto mais baixo este índice, mais barata é a empresa.

Apesar das particularidades destes indicadores, sua aplicação é praticamente a mesma: permitir a comparação entre empresas, em geral de mesmo setor, procurando encontrar aquelas que se encontram descontadas ou com as cotações “atrasadas” em relação às demais. Confira um resumo interessante dos indicadores feito pela Lopes Filho & Associados.

Contudo, é muito importante uma avaliação caso a caso com o objetivo de verificar se há algum motivo especial para o mercado estar “pagando” menos por aquela ação naquele momento. A análise fundamentalista[bb] encontra indícios numéricos, mas a investigação não deve se limitar a eles. Bons negócios!

Dinheirama


segunda-feira, 5 de maio de 2008

Governança Corporativa: aliada do investidor

Ao efetuar uma oferta de ações em bolsa de valores, uma empresa espera convencer os potenciais investidores da viabilidade econômico-financeira de seu negócio e também que os resultados gerados por suas atividades serão revertidos em ganhos para seus acionistas. A “matemática” do investimento em ações já não é tão simples assim.


A partir do momento que os investidores avaliam a empresa e se sentem atraídos pelos retornos potenciais oferecidos, outros aspectos passam a ter relevância em sua decisão de adquirir ou não suas ações: o ambiente institucional onde a mesma está inserida e os mecanismos que busquem garantir que os recursos do investidor serão aplicados de forma alinhada aos seus interesses.
Investimento é confiançaImagine que um conhecido lhe ofereça uma sociedade em um negócio qualquer. Ele apresentará os argumentos para o sucesso do empreendimento, estimativas de lucros esperados, tempo de retorno do investimento etc. Tudo pode parecer muito bom, mas se você não tiver confiança – o que se traduz em boas referências deste conhecido – provavelmente não aceitará ser seu sócio, não é mesmo? Entregar a administração do seu dinheiro a uma pessoa de quem desconfia? Nunca!


No meio empresarial brasileiro sempre tivemos a predominância de grandes empresas familiares ou estatais. Logo, sempre foi normal e fácil para qualquer um identificar os “Donos” destas empresas. Esse paradigma criou uma cultura permissiva, onde o pequeno acionista se acostuma a ter uma posição passiva em relação à gestão das companhias de que é sócio.

Um novo cenário
Surge então a Governança Corporativa, que podemos definir como o conjunto de instrumentos criados com o objetivo de fazer com que investidor tenha o retorno adequado dos recursos por ele aplicados, buscando proteção diante das práticas nocivas aos seus interesses, eventualmente praticadas na gestão das companhias.
O mundo passou a dar uma atenção maior à governança corporativa a partir das fraudes contábeis verificadas em diversas grandes empresas nos Estados Unidos, que culminaram na falência de companhias como a Enron, causa de prejuízos a milhares de investidores na época. Os gestores destas empresas camuflaram seus resultados com o objetivo de melhorar o desempenho das ações e consequentemente de seus bônus, colocando assim os seus próprios interesses à frente do interesse dos acionistas.