Foi muito interessante a ação política bipartidária que levou à definição do plano de estímulo à economia nos EUA, anunciado hoje. Como o presidente Bush é republicano e o Congresso, desde as últimas eleições, tem maioria democrata, e como as medidas econômicas precisavam ser aprovadas pelo parlamento, a partir de proposta do Executivo, a coisa só poderia andar a tempo se houvesse entendimento entre os dois partidos rivais.
Foi o que aconteceu. Pelo Partido Democrata e pelo Congresso, a negociação coube à deputada Nancy Pelosi, a presidente da Câmara e democrata da Califórnia. Pelo lado do governo, trabalhou o secretário do Tesouro, Henry Paulson. Pelos republicanos, o líder da minoria, deputado John Boehner.
Há diferenças entre os partidos na visão de poítica econômica. Os democratas privilegiam a redução (e devolução) de impostos para as pessoas físicas, muito especialmente das classes médias. Propõem também subsídios para os mais pobres, na forma de dinheiro e cestas básicas.
Já os republicanos insistem mais nos incentivos às empresas de forma a reduzir custos de investimento.
Acabou saindo um pacote com restituição de imposto às pessoas e reduções de impostos para as empresas.
Com o acordo para apressar a tramitação do projeto, acredita-se que as medidas possam entrar em vigor em fevereiro. E que as pessoas recebam os cheques daqui a 60 dias.
Agora, como me disse Gustavo Loyola em entrevista na rádio CBN, é preciso ver o que o consumidor fará com o dinheiro. A idéia do pacote é que o consumidor gaste tudo no shopping, de modo a revigorar uma demanda enfraquecida pela falta de crédito. Mas e se as pessoas, incertas quanto ao futuro e sem confiança, resolvam poupar?
Aí não funciona.
A propósito disso, o comportamento do consumidor, sugiro a leitura de minha coluna em O Globo de hoje, também disponível no site www.sardenberg.com.br, item política econômica.

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