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terça-feira, 1 de julho de 2008

O nosso Dick Cheney e seus amigos sardinhas

Foram muitos os feitos que marcaram a carreira recente do ex-vice-presidente americano, Dick Cheney. A maioria deles enquadrados fora categoria dos grandes atos em prol da humanidade, sobretudo por ser ele um dos maiores apoiadores da invasão americana ao Iraque.

Do ponto de vista econômico, Cheney também deixou sua marca. A sua célebre declaração sobre o endividamento extremo que o governo Bush tomou para financiar a guerra no Afeganistão e Iraque de que "deficits don´t matter", na tradução "déficits não importam", será daquelas que marcarão uma época.

Pois na semana que passou, um dos integrantes da equipe econômica do Banco Central do Brasil teve o brilhantismo de tomar o mesmo caminho.

Quando questionado acerca do aumento na projeção do déficit brasileiro que subiu de US$ 11 para US$ 21 bilhões, o chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes, afirmou que isso não se tratava de algo preocupante. Isso porque, na avaliação dele, o aumento do investimento estrangeiro será suficiente para financiar o aumento na dívida.

Logo, se houver alguém interessado em financiar, na opinião dele, déficits também não importam.

A subida na taxa de juro básica, a Selic, deve ser um dos motivos que referendam a opinião do Sr. Altamir Lopes. Afinal, boa parte da dívida do governo é remunerada por ela. E como em termos de juro real (taxa dos títulos, descontada a inflação oficial) o Brasil está no topo da pirâmide, esse é um incentivo e tanto para que os títulos da dívida do governo tenham uma procura acentuada. Ajuda também o recente grau de investimento.

O que não está bem claro para mim é em que tipo de empreendimento o governo está investindo a dívida contraída.

Talvez seja na manutenção dos muitos programas que não pretendem comprar votos, mas sim fazer do Brasil um país mais justo e sem fome. Aquele mesmo que pratica o comunismo moderno em doses homeopáticas, distribuindo renda em saques mensais via cartão do governo.

Gostaria de saber se o contribuinte que efetivamente paga a conta depois, seja por impostos ou por inflação, também pensa que déficits não importam.

Cinco Pesos de Dois Quilos

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