A propósito do tema do artigo, talvez valha a pena dar uma olhada num artigo do NYT que saiu hoje, tentando explicar o favoritismo de Hillary Clinton apesar dos escândalos que sacudiram os anos de BillClinton na presidência dos EUA. Nele se chama a atenção para o descolamento entre o senso comum das elites daquele país, beneficiadas pela imensa riqueza financeira extraída por Wall Street nos últimos anos, que é contraposta às dificuldades cada vez maiores dos setores que "lutam pela vida", são sacrificados pela ciranda financeira e perdem até o direito de abrir a boca para reclamar, pois quando o fazem são caracterizados como os dinossauros que se opõem à globalização ou à maravilhosa nova sociedade em rede.
H. Clinton teria desenvolvido um discurso bem ajustado para falar com todo esse povo deixado para trás e daí ela extrairia seu favoritismo eleitoral, apesar do ceticismo da mídia e setores bem-pensantes.
Somando esse exemplo ao nosso Lula doméstico, talvez possamos extrair uma conclusão mais geral sobre financeirização, sociedade em rede & seus descontentes. Políticos que, ainda que intuitivamente, enxergam esse "decoupling", têm uma enorme força eleitoral, mas serão certamente atingidos por escândalos, já que não satisfazem o senso comum das elites.
Além disso, quando escutamos alguém falar metaforicamente em "dinossauros" ou em "parque jurássico", prestemos atenção pq essa linguagem costuma esconder uma enorme violência contra os prejudicados pela nova ordem econômica/Cult.
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