Recessão americana
Aumentam os temores de que haja recessão na economia americana. É isso que mantém negativo o mercado internacional. Hoje as bolsas da Ásia caíram e as bolsas da Europa abriram em baixa.
As análises sobre risco de recessão na economia americana estão aumentando entre os bancos, consultores e especialistas. O ex-secretário do Tesouro americano, Larry Summers, publicou um artigo neste domingo no Financial Times dizendo que só o estímulo monetário ( queda das taxas de juros) talvez não seja suficiente para evitar o que ele chamou de ameaça de uma "recessão séria" no país. Pede que haja também um estímulo fiscal.
E é o que as autoridades americanas estão preparando: um pacote de aumento de gastos, de cortes de impostos - curiosamente o oposto do que está sendo feito aqui - para injetar estímulo na economia americana. O pacote está sendo preparado, segundo indicações já feitas pelo presidente Bush. Ele estava tentando esperar o "Estado da União", discurso que faz no Congresso a cada início de ano legislativo. Mas talvez tenha que antecipar porque o pessimismo está aumentando. Os dados do terceiro trimestre já vão mostrar desaceleração. E espera-se também que o FED reduza os juros nos próximos meses.
O primeiro ministro da Inglaterra, Gordon Brown, alertou os ingleses que eles têm à frente "um ano perigoso", com risco de alta de inflação e queda de crescimento. Disse que a Inglaterra vai bem, mas deve temer as "nuvens que vêm do Atlântico". Em entrevista ao "The Observer", na edição desta segunda-feira, Brown disse que a crise de crédito americana e as pressões de preços sobre petróleo e commodities colocam o mundo numa "difícil situação".
Este é também o ambiente no BIS, a organização que reúne os bancos centrais do mundo, e que está reunido hoje na Basiléia exatamente analisando os riscos de crise mundial.
Summers, que quando secretário do Tesouro teve que fazer várias operações financeiras de socorro a países emergentes, que eram chamados de "resgate", falou no texto publicado no Financial Times que é preciso "resgatar a economia americana". Ele alertou que para ser efetivo o pacote de estimulo fiscal tem que alvo, as familias de menor renda, e tem que ser na hora certa.
Em 2001, o governo americano reduziu impostos para impulsionar a economia logo após os atentados de 11 de setembro. Alguns economistas, no entanto, disseram em entrevista a CNNmoney que não há muito espaço para utilizar novamente a medida. Ao contrário daquela época, o governo agora está operando com déficit.
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