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quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Wall Street mantém FED sob pressão com volatilidade em alta

... O FED fez o que o mercado queria, foi até um pouco além, cortando o juro americano em 75 pontos-base, para 3,5%, em decisão extraordinária, nesta terça-feira. Mas, a sinalização de boa vontade do Comitê de BERNANKE, embora tenha sido bem recebida em WALL STREET, não resolveu o problema. É consensual a opinião de que as quedas de juro são inevitáveis num cenário de RECESSÃO, como também é consensual o sentimento de que o FED, faça o que fizer, não evitará a crise, que todo o esforço é para tentar um quadro o menos feio possível. Por isso é que ninguém baixou a guarda.

... Mal o FED acabara de surpreender com o corte agressivo do juro e o mercado estava pedindo mais, apostando que a reunião formal do FOMC, dias 29 e 30, decidirá nova baixa, de 25 pb ou 50 pb. Não é unânime, mas é o que já movimenta os negócios, e que deverá manter a VOLATILIDADE dos mercados, que partiram para uma espécie de segundo round das pressões até a autoridade monetária anunciar o veredicto na próxima semana. Em outra frente, WALL STREET espera novas medidas do governo BUSH, que não descartou adotar um ESTÍMULO FISCAL maior para impulsionar a economia.

... Cabeça fria, portanto, porque, de agora em diante, qualquer coisa pode virar pretexto para o fim do mundo.. Com a agenda de indicadores vazia hoje nos EUA, estão em foco os BALANÇOS corporativos. Podem repercutir na abertura os resultados de APPLE, ontem à noite, e que levaram a ação a cair 10% no AFTER HOURS. TEXAS subiu 3,6% após lucro acima do esperado. HOJE, voltam à cena os balanços das HIGH TECHS.

... Antes da abertura, a expectativa é de que MOTOROLA anuncie lucro de US$ 0,13 por ação e a UNITED TECHNOLOGIES venha com ganho de US$ 1,06 por papel. Depois do fechamento, tem EBAY (US$ 0,41 por ação) e QUALCOMM (US$ 0,53).

... AQUI, é dia de decisão do COPOM, no início da noite... Dez entre dez economistas do mercado financeiro esperam que a taxa SELIC seja mantida em 11,25%, com placar unânime. A crise nos EUA não influencia a condução da política monetária, mas segundo Carlos Thadeu de Freitas, para a AE, o empenho do FED garante um cenário mais confortável para a INFLAÇÃO no Brasil, na medida em que mantém o DÓLAR em níveis mais baixos, o que deve afastar a possibilidade de uma alta do juro no primeiro semestre.

.... Nesta terça-feira, o alívio externo levou o CÂMBIO de volta para baixo de R$ 1,80, e a BOVESPA para cima de 56 mil pontos. A bolsa foi sustentada também pela reação dos papéis de PETROBRAS ao anúncio do MEGACAMPO de gás na Bacia de Santos. Para fonte da coluna, embora o mercado estivesse esperando pela notícia, “pelo que é” (proporções da jazida), essa novidade ainda não está nos preços. Tem mais o que subir.
Mas a BOVESPA descolou? “Não, a alta de PETRO ajudou, porque tem peso grande no índice, mas a direção da BOVESPA, ainda por um tempo, será dada por NY”.

... No calendário dos indicadores, a FGV divulgará daqui a pouco (8h) o terceiro IPC-S de janeiro, cuja mediana das previsões ficou em 0,95%, na pesquisa do AE Projeções.

... Na EUROPA, os destaques são os gastos do consumidor da França em dezembro, os índices de atividade preliminares dos gerentes de compras na Zona do EURO (janeiro) e estimativa preliminar do PIB do quarto trimestre no Reino Unido, que também divulgará a Ata da última reunião de política monetária do BOE... O presidente do BCE, Jean-Claude TRICHET, participará de reunião anual sobre economia com representantes dos Parlamentos de países da união Européia, em Bruxelas, e em DAVOS, Suíça, a crise nos EUA deve monopolizar os debates no Fórum Econômico Mundial, que começa hoje.

Copom dá traço no Ibope

... No dia em que o COPOM decide o rumo da taxa SELIC, o assunto continuará sendo a taxa dos juros dos EUA. É a avaliação do BC sobre a crise norte-americana que todo mundo vai querer ver no comunicado que sai depois da reunião e, principalmente, na Ata que virá na quinta-feira da semana que vem. Porque o resultado está dado.

... O economista para Brasil do MORGAN STANLEY, Marcelo CARVALHO, afirma que a decisão do FED tem impacto ambíguo na política monetária brasileira. De um lado, a desaceleração global esfriaria a demanda agregada da economia, o que poderá ser bom para a inflação. Pode, também, conter a alta das commodities e da alimentação, vilãs da inflação. Mas, por outro, pode ter impacto negativo nas contas externas, tanto no desempenho da BALANÇA comercial quanto no FLUXO de recursos financeiro, que se tornam mais avessos ao risco, o que pode pressionar o câmbio. Mas, ainda assim, CARVALHO não muda a expectativa de manutenção da SELIC no primeiro semestre. “O BC não deve fazer nada nos próximos meses”, disse ao AE Broadcast Ao Vivo.

... O mercado de JUROS aproveitou a trégua no exterior para aplicar um pouco nas altas taxas projetadas e, assim, garantir algum ganho.. Mas ninguém foi com muita sede ao pote. As taxas, mesmo em queda, não voltaram ao nível de sexta-feira, pregão anterior à fatídica segunda-feira, quando os preços foram a níveis irracionais. Isso indica que há muitas dúvidas sobre qual o impacto da crise dos EUA na economia e no juro doméstico.

... Ontem, o DI janeiro de 2010 fechou com taxa de 12,91%, de 12,99% na segunda-feira, 12,75% na 6ªF. O DI janeiro de 2009 projetava 11,97%, de 12,04% e 11,92% na 6ªF. Pra você ver que ainda tem o que devolver de prêmio, se a conjuntura (NY) ajudar.

... Na BOVESPA, quem perdeu o sono de segunda para terça, depois de ter assistido em tempo real seus papéis derreterem, respirou aliviado ontem. A trégua no exterior abriu espaço para o mercado recompor parcialmente os preços e reagir à descoberta de uma jazida de gás natural e condensado no pré-sal da Bacia de Santos, com dimensões similares às de Tupi. A Petrobras bombou com a notícia. ON subiu 10,59% e PN, 9,76%.

... Mas quem liderou o índice foi PETRÓLEO IPIRANGA PN, com alta de 13,14%. As PN da empresa deixam de ser negociadas amanhã na Bovespa, em função de sua incorporação pela ULTRAPAR... No segmento, Klabin Pn teve alta de 9,11%. VALE PNA também recuperou parte das perdas e subiu 4,09%, enquanto a ON avançou 2,99%.

... A BOVESPA subiu 4,45%, aos 56.097 pontos, e teve giro elevado, de R$ 8,1 bilhões. Dinheiro de fora reapareceu para comprar as pechinchas, e isso ajudou impulsionar o mercado. Mas ninguém se arrisca dizer que a volatilidade acabou. Vai para onde NY for. Talvez em proporções mais modestas na queda e mais exacerbados na alta.

... Para o CÂMBIO, foi dia de cair na real (2,08%), fechando na mínima, a R$ 1,792. No mercado da DÍVIDA, o retrato no final do dia não era positivo. O Global-40, fechou a 134,05 centavos de dólar (-0,45%), com o risco Brasil em alta de 19 pontos, a 271 pb.

Continua em Bom Dia Mercado

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