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quarta-feira, 28 de novembro de 2007

Escolhendo uma profissão

Todo jovem tem de tomar pelo menos duas grandes importantes decisões na vida. A escolha da profissão e a do cônjuge. A maioria estuda e namora o futuro cônjuge nos mínimos detalhes, mas escolhe e descarta dezenas de profissões com uma única frase. Muitos passarão mais tempo no emprego do que com o marido, a esposa e a família. Quando chegarem em casa, todos já estarão dormindo.

Como melhorar a escolha da profissão com a mesma dedicação com que se escolhe um cônjuge?

1. Namore também sua profissão. Se seus pais possuem um conhecido que exerça uma profissão, peça permissão para acompanhá-lo por algumas semanas para sentir como é seu dia-a-dia. Mesmo que tenha de ficar nos corredores, você verá o ambiente, sentirá um pouco a rotina diária. Assista a uma semana de aulas em sua futura faculdade. Comece a explorar as variantes da profissão, descubra as linhas de pensamento, os estilos. Quem são as "feras" dessa área e como são os estilos de vida. Combinam com o seu?

2. Não se apresse. Se você estiver na dúvida quanto à escolha da profissão, tire um ano mochilando pelo mundo afora. É preferível "perder" um ano a perder toda uma vida profissional. A escolha da profissão precisa ser cuidadosa, porque hoje em dia é mais fácil trocar de cônjuge que de profissão. Aos 32 anos você não terá mais disposição para prestar um novo vestibular. Essa pressão da sociedade e dos pais para uma escolha imediata vem do tempo em que a expectativa de vida de um adulto era de somente quarenta anos. Hoje a expectativa média de vida é de 82 anos. Um ano ou dois não farão a mínima diferença.

3. O não por exclusão. Nossa tendência é sempre achar algum defeito numa idéia nova. "Engenheiros sujam as mãos", "contabilidade é para tímidos", "advocacia é para quem fala bem", "finanças e economia são para especuladores". Toda profissão tem seus defeitos. Se você andou escolhendo algumas profissões por exclusão, volte atrás e pense de novo.

4. Explore o cinza. Justamente porque o estereótipo do advogado é aquele que fala bem, existe enorme falta de advogados que sejam bons em matemática. Por isso, advogados tributaristas, os que mexem com números, são muito bem pagos no Brasil.

5. Não confunda interesse com proposta de vida. Todos nós deveríamos ter interesse em história e filosofia. Espero que nos fins de semana vocês leiam esses temas, e não mais um livro técnico. Todo mundo deveria estudar um pouco de economia, psicologia e direito, mas nem todos irão querer estudar essas matérias a vida inteira. O simples interesse não é suficiente para fazer de você um profissional dedicado e totalmente comprometido para o resto da vida. Uma fã do pianista Arthur Moreira Lima disse que daria a vida para tocar como ele. "Pois eu dei a minha vida", respondeu Moreira Lima. Se você está disposto a dar sua vida por história ou filosofia, aí não é um mero interesse, é sem dúvida uma vocação. Portanto, vá em frente. Se você escolher uma profissão no par-ou-ímpar, lembre-se de que poderá estar tirando a vaga de alguém que tem vocação, a vaga de um futuro Moreira Lima.

Faça um favor à sociedade e àqueles que adorariam estar em seu lugar: não tome a vaga de quem realmente precisa. A sociedade, os excluídos e seus futuros professores agradecerão efusivamente. Portanto, vá com calma. Estude a vida inteira e escolha sua profissão de uma forma profissional. Boa sorte e meus votos de sucesso.

Stephen Kanitz é administrador (www.kanitz.com.br)

sábado, 20 de outubro de 2007

Betting on Brazil

A presentation to foreign CEO and potential investors on the opportunities and advantages of investing in Brazil.

Kanitz.com

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

Como Escolher Bons Palestrantes

Como Escolher Bons Palestrantes


Palestrantes


Bons palestrantes podem ser a diferença entre um evento bem sucedido ou não. Nos Estados Unidos, palestrantes chave sâo chamados de key note speaker, o que significa que ele dará o tom para todo o resto do evento.

Vale a pena escolher meticulosamente os palestrantes que darão o tom inicial ao seu evento porque ele pode criar um clima de aceitação favorável aos palestrantes seguintes e às mensagens que se deseja transmitir.

Palestrantes amadores e inexperientes no início de seu evento podem jogar por terra toda a programação do dia.


Histórico de comprometimento e pontualidade

Este é um critério que poucos pensam em verificar, famosos palestrantes que chegam atrasados de nada servem.

Trinta por cento dos palestrantes que aceitam palestras sem remuneração, acabam cancelando. A porcentagem para políticos e ministros é sensivelmente maior.

Um publicitário pode achar interessante fazer uma palestra promocional. Porém, se na véspera seu principal cliente o convocar, adeus compromissos com clientes em potencial.

A regra de bolso nesta área é contratar alguém que costuma realizar pelo menos 30 palestras ao ano. Estes têm um nome a zelar.

Palestras para grandes públicos requerem preparação contínua e prática constante. Como um bom cirurgião. Cirurgiões eventuais só mesmo para os corajosos.


Autenticidade

Bons palestrantes falam do coração. Eles próprios pesquisaram o assunto no mercado, não em livros acadêmicos. Reengenharia descrita pelo seu inventor é uma palestra fantástica, bem diferente da de quem simplesmente aprendeu o assunto ou copiou.


Organização

Boas palestras são cuidadosamente preparadas. Não é uma ofensa pedir com um mês de antecedência o esboço ou a cópia das transparências. Palestras de improviso são sempre mais arriscadas, às vezes são brilhantes, outras vezes um desastre.

Avalie a organização de seus palestrantes desde o seu primeiro contato com eles, pois esta será uma boa indicação do que poderá ocorrer no dia do evento.


Senso de humor

A platéia não é de ferro. Bons palestrantes sabem como ninguém intercalar um assunto sério com alguma frase espirituosa, sempre no contexto, dando à palestra uma sequência agradável.


Talento

Fazer uma boa palestra requer talento, treinamento e muita prática, como em qualquer profissão. Muitos talentos agraciados com o Prêmio Nobel são péssimos palestrantes. Por isso, bons palestrantes são difíceis de se achar.

Henry Kissinger cobra US$ 80.000 por palestra, Tom Peters US$ 50.000. Eles são capazes de salvar um evento mal organizado - comida sofrível, atraso nas bagagens e noites mal dormidas. O contrário infelizmente não ocorre : o melhor hotel, a melhor organização não salva uma palestra mal dada.

Finalmente, peça uma avaliação de um evento anterior do palestrante a ser contratado. Bons palestrantes recebem esses relatórios rotineiramente, e terão prazer em lhe ceder uma cópia.

Stephen Kanitz


terça-feira, 9 de outubro de 2007

Viver de aluguéis

O sonho de muitos brasileiros é construir duas ou três casinhas e viver de aluguel na velhice. Nos
últimos cinqüenta anos a população brasileira cresceu de 50 para 176 milhões de habitantes, gerando enorme valorização dos preços de imóveis e terrenos para a construção. Por isso, os imóveis eram sempre nossa primeira opção de investimentos.

Só que nos próximos cinqüenta anos nossa população não vai mais crescer 300%, mas somente 30%. E ainda bem. Isso significa que a necessidade primária de novos imóveis ficará em menos que 0,5% ao ano. Será que os imóveis se valorizarão como no passado?

Dez anos atrás vendi um apartamento de um dormitório que me rendia um aluguel e coloquei os 60.000 reais em ações de seis empresas, cotadas em bolsa. Minha primeira alegria foi descobrir que a corretagem em ações não chegava a 0,5% por transação, enquanto em imóveis o valor da corretagem chega a 6%, mais Imposto sobre Aquisição de Imóveis (Sisa), mais CPMF, mais o custo do cartório e do advogado independente, que hoje é imprescindível, o que pode elevar a brincadeira toda para 8%.

A segunda alegria foi perceber que, enquanto meu inquilino me considerava seu algoz, as empresas me chamavam de sócio e de parceiro. Meu inquilino considerava meu aluguel uma despesa a ser reduzida de tempos a tempos, já que o prédio envelhecia ano após ano. Por outro lado, as ações valorizavam-se com o tempo.

Íntegra do artigo em Kanitz.com

quarta-feira, 3 de outubro de 2007

Como Melhorar o Congresso

Todo dia alguém reclama da qualidade dos nossos políticos e da incompetência dos nossos governantes. Respondo invariavelmente que cada povo tem o governo que merece. Afinal, não incentivamos os jovens a serem políticos, não ajudamos os mais competentes a se eleger, nem sequer sabemos onde fica a sede do partido político em que votamos, não iidentificamos quem poderia ser um bom político no futuro.

Pergunte a 100 universitários que profissão escolheram e a maioria responderá administração, medicina, engenharia ou advocacia. Poucos dirão que pretendem seguir a carreira política. Tanto é que a nota de corte do vestibular de sociologia e política é uma das mais baixas de todas as profissões. Na USP, por exemplo, é 76 contra 117 de medicina.

Nenhum país consegue tornar-se uma nação séria e respeitada se a carreira de político não consegue atrair seus melhores cidadãos de uma sociedade. Desde Platão já havia essa constatação.

Continua em Kanitz.com

sábado, 29 de setembro de 2007

A origem do especulador

A palavra "especulador" tem sua origem na raiz indo-germânica "Spec", que significa olhar. São dessa raiz as palavras especialista, espelho, expectativa, respeito, espetáculo e, finalmente, especulador: aquele que olha à frente, vê o futuro, aquele que enxerga aquilo que outros não vêem.

Toda nação precisa de bons especuladores.

Especuladores que enxergam o futuro ganham dinheiro, os que erram perdem e são rapidamente eliminados. O problema não é o especulador que especula com o próprio dinheiro. O grande problema do Brasil são os que especulam com o dinheiro dos outros, com o dinheiro do povo.

George Soros, considerado o maior especulador da década, percebeu que o governo inglês estava manipulando a libra, mantendo-a na paridade com o marco alemão. Ao prever o óbvio, que a Inglaterra não era a Alemanha, Soros prestou um serviço ao povo da Inglaterra, pondo fim àquela especulação governamental, e ganhou fortunas por sua coragem.

Continua em www.Kanitz.com

domingo, 23 de setembro de 2007

Nosso Congresso tem Futuro?

Como melhorar nosso Legislativo? Aqueles que acreditam que a solução é eleger pessoas mais honestas, mais inteligentes e administrativamente competentes se enganam. Muitas das pessoas com esse perfil não estão dispostas a se candidatar porque percebem que nada poderão fazer.

O problema de nosso Legislativo começou com a ditadura militar, que, para obter um semblante de legalidade, decidiu manter um Congresso para inglês ver, pagando os salários de deputados e senadores e permitindo que fossem eleitos, mas para fazer absolutamente nada. A maioria das leis era redigida por cinco ou seis economistas "iluminados", quando não implantadas diretamente por decreto. Isso ainda ocorre sob protestos justificados do "baixo clero", parlamentares sem poder. Compare-se com o Congresso americano, em que a maioria das leis é de autoria de um deputado democrata e outro republicano. Como por exemplo a Lei Sarbanes-Oxley. Mostre-me uma única lei brasileira que tenha sido submetida conjuntamente por vários deputados, um de cada partido, fora a Constituição! Se os senhores deputados e senadores não pararem para refletir sobre essa perigosa situação, prevejo que daqui a vinte anos nosso povo não apoiará mais o Legislativo como instituição, substituindo 592 parlamentares e seus 21 000 funcionários por um novo militarismo, como na Venezuela.

Se o Congresso quiser retomar sua importância e dignidade, proponho uma série de discussões sobre os seguintes temas...

Continua em http://www.kanitz.com/veja/poder_legislativo.asp

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

A Montanha-Russa das Bolsas

A maioria dos leitores deve achar uma maluquice as seguidas oscilações nas bolsas de valores. "Prefiro aplicar em imóveis, é mais seguro." "Bolsa é para quem tem estômago, meu negócio é fundo DI." "Bolsa de valores é um mercado de risco, estou fora." Felizmente, a verdade é outra.

Todo dia, menos de 1% das ações é transacionado na bolsa. Na próxima vez em que você ler que "a bolsa cai 10% num dia de intenso nervosismo", lembre-se de que 99% dos investidores nem tomaram conhecimento.

Continua em Kanitz.com

terça-feira, 18 de setembro de 2007

Origem da Crise Mundial

Por que os grandes emprestadores de hoje são os fundos de pensão, hedge fund, e as empresas de private equity, e não os bancos comerciais, com seus mais de 500 anos de tradição nessa área? A origem da crise atual remonta a 1933 e 1935, quando o governo americano instituiu uma série de regulamentos visando a impedir que os bancos emprestassem além de sua capacidade financeira. Esses regulamentos foram sendo modificados ao longo dos anos, e sua última versão são os acordos de Basiléia I e II.

Neles encontramos a regra básica comum a todos: "Os bancos poderão emprestar no máximo doze vezes seu capital e reservas, corroídos pela inflação do ano, ano após ano". Deve ser a regra mais estapafúrdia e incoerente da história econômica do mundo, porque enfraquece a capacidade de emprestar dos bancos ano após ano, justamente o contrário do que queriam fazer. Imagine o estrago que acarretaram ao setor bancário vinte anos de inflação multiplicados pela alavancagem de doze vezes o patrimônio líquido. Devido à inflação média somente deste ano, os bancos do mundo deixarão de emprestar 2 trilhões de dólares em 2008, só para poder se enquadrar nos ditames de Basiléia I e II. Um tiro no pé dos bancos e na economia do planeta.

O artigo continua em www.kanitz.com