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Mostrando postagens com marcador Ana Luiza Herzog. Mostrar todas as postagens
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quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

O Real na Harvard

Há muito que a boas práticas do Real em relação à sustentabilidade são notícia fora do Brasil. Em 2006, por exemplo, o banco conquistou o prêmio Sustainable Banking do jornal britânico Financial Times na categoria "Banco do ano em mercados emergentes". Além disso, já entrevistei especialistas importantes lá de fora que sabiam, com mais ou menos profundidade, sobre o comportamento do banco. O elogio mais recente às práticas da instituição, porém, está nas páginas da edição de janeiro da Harvard Business Review. Isso mesmo. Num longo artigo, intitulado "Transforming Giants - what kind of company makes it its business to make the world a better place?", Rosabeth Moss Kanter, professora de Harvard, explica como gigantes do mundo corporativo, a despeito de seu tamanho, conseguem ser ágeis e inovadoras e estar conectadas com as comunidades nas quais estão inseridas. E lá está o Real. Coloquei abaixo parte do trecho na qual a empresa é citada ( numa tradução livre)

"As pessoas são ainda mais inclinadas a ser criativas quando os valores da empresa enfatizam a inovação para ajudar o mundo. O Banco Real, o braço brasileiro de um banco europeu, descobriu isso quando colocou a responsabilidade social e ambiental no cerne da sua estratégia de diferenciação. O resultado foi uma série de produtos financeiros, que incluem crédito para projetos verdes, microcrédito para comunidades carentes e a comercialização de créditos de carbono. O Banco Real também passou a escolher fornecedores com padrões ambientais e sociais altos e até mesmo os ajudou a melhorar suas práticas. Em 2007, já estava colhendo os frutos desses valores: tinha dobrado sua lucratividade, crescido em tamanho e se tornado o terceiro maior banco privado no Brasil .."

( lembrando: não sou tiete do Real e acho que eles têm muitos telhados de vidro, mas nutro, sim, uma certa admiração pela postura do banco ...)

P.S. Perdão pela longa ausência, mas estava de férias.

Blog da Sustentabilidade

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

A África, os fertilizantes e Jeffrey Sachs


O nitrogênio é benéfico e importantíssimo para a agricultura. "Não seria possível produzir alimentos para suprir a demanda atual sem ele", afirma Martinelli. Curiosamente, a distribuição do uso do nitrogênio no mundo é muito semelhante à da renda: injusta. Ou seja, enquanto países ricos o usam em excesso e poluem tudo e mais um pouco, na África falta. "Na região, onde o solo é muito pobre devido à falta de nitrogênio, uma família planta milho e mal produz para a sua própria subsistência", diz Martinelli. Isso explica porque o renomado economista Jeffrey Sachs, já alguns anos envolvido em projetos para ajudar a sanar a miséria desse continente, está interessadíssimo no tema. Em outubro, por meio de uma vídeo-conferência, ele participou da Conferência Internacional do Nitrogênio, que teve Martinelli como um dos principais coordenadores e foi realizada na Costa do Sauípe. "Na África, além do nitrogênio ser caríssimo, a distribuição é péssima", diz o professor. "E Sachs está estudando maneiras de melhorar isso". O Brasil também se encaixa no mesmo padrão. Há carência de nitrogênio no Nordeste e áreas que já registram excessos, como São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul. Já na China, segundo Martinelli, onde o governo fabrica 99% dos fertilizantes, o uso exagerado do nitrogênio também está causando estragos. "Há dezenas de rios e lagos eutrofizados", afirma Martinelli, que já visitou o país. "O pato mergulha e sai verde da água".

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segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

Unidas mostraremos

O atual embaixador dos Estados Unidos no Brasil, Clifford M. Sobel, vem se esforçando para mostrar que é um entusiasta do movimento de responsabilidade social. No Brasil desde julho do ano passado, ele escreveu artigos sobre o tema para vários jornais e, mais recentemente, em outubro, plantou árvores no Parque Estadual Fontes do Ipiranga, localizado no Jabaquara, em São Paulo. Mas calma, o embaixador não é mais um que entrou no surto do plantio de árvores. Sobel simplesmente estava participando de um evento que, entre outras coisas, tinha o propósito de comemorar o primeiro ano do "Grupo +Unidos", uma iniciativa criada por ele. Na prática, o que embaixador fez foi incentivar as empresas americanas sediadas no país a se juntarem para discutir o tema da responsabilidade corporativa e, dessa maneira, trocar informações, somar esforços, evitar erros. Outro objetivo, menos declarado, para a criação do grupo, seria mostrar que as companhias americanas fazem, sim, muita coisa no país. Prova disso é que o grupo está preparando para o ano que vem a publicação de um relatório que fará um raio-x dessas atividades, assim como os valores investidos. Segundo uma estimativa da própria embaixada, em 2006, as 50 empresas que já estavam fazendo parte do "Grupo +Unidos" investiram cerca de 250 milhões de dólares em mais de 700 projetos de responsabilidade corporativa em todo o Brasil.

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sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

Carbono, energia solar e palmas, muitas palmas para Yunus

No final da semana passada, em Florianópolis, durante a Eco Power, um evento regado a muitas palestras técnicas sobre fontes alternativas de energia, mercado de crédito de carbono e discussões sobre o impacto do etanol na devastação da Amazônia, houve também espaço para a emoção. E o responsável por arrancar aplausos esfuziantes, risadas e, até mesmo, algumas lágrimas discretas da platéia, formada em grande parte por executivos e consultores, foi Muhammad Yunus, o criador do Grameem Bank, que há três décadas concede crédito à população pobre de Bangladesh e ganhou, no ano passado, o Prêmio Nobel da Paz.

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sexta-feira, 30 de novembro de 2007

Novo Guia Exame de Sustentabilidade - sobre o processo

Hoje, com o Guia Exame de Sustentabilidade já nas bancas, posso contar para vocês um pouco dos bastidores, de como foi o processo de preenchimento dos questionários pelas 206 empresas de diferentes portes, setores e regiões do Brasil que se inscreveram para participar da publicação. Bem, como divulgamos que, desse universo, apenas 140 empresas preencheram os quatro questionários, a primeira constatação é a de que muitas empresas não deram conta do recado, certo? Sim. E isso não foi necessariamente uma surpresa para nós da editoria de gestão da revista, responsáveis pela reestruturação do Guia. Sabíamos que quando deixássemos a metodologia de análise das empresas que utilizávamos há sete anos --- baseada nos indicadores do Instituto Ethos --- e adotássemos outra, muitas companhias iam chiar. Normal. Processos de mudança geram incômodo, receio. Só não sabíamos com precisão que incômodos seriam esses, embora tivéssemos algumas suspeitas. E algumas delas se concretizaram. Imaginávamos, por exemplo, que as multinacionais iriam reagir à introdução de um questionário de governança corporativa e ao pedido de relato de informações financeiras mais apuradas. Batata!

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segunda-feira, 19 de novembro de 2007

Michael Porter e a responsabilidade social das empresas

Entrevistei há pouco o americano Michael Porter. E o que diabos a maior autoridade do mundo em estratégia tem a ver com sustentabilidade? Muito. Porter vem escrevendo já há alguns anos sobre responsabilidade social corporativa (RSC) e de que maneira as empresas deveriam enxergá-la para beneficiar seus negócios. O que está muito claro para ele, porém, é que as companhias ainda não vêem a RSC como algo estratégico, mas como uma ferramenta de marketing, um instrumento para construir uma boa imagem. E assim, estão perdendo dinheiro e energia. A entrevista foi concedida a EXAME e será publicada no Guia Exame de Sustentabilidade, que chega nas bancas no final deste mês.

Lembrando: até o ano passado essa publicação, que nasceu em 2000, era chamada de Guia Exame de Boa Cidadania Corporativa. Este ano, além da mudança de nome, o guia também passou por uma mudança metodológica gigante ao adotar uma perspectiva mais ampla para avaliar estratégias, compromisso e práticas das empresas nas três dimensões da sustentabilidade: ambiental, econômico-financeira e social. Essa reviravolta foi possível porque fechamos uma parceria com o Centro de Estudos em Sustentabilidade (GVces), da Fundação Getúlio Vargas, responsável pela elaboração do questionário do Índice de Sustentabilidade Empresarial, da Bovespa.

Blog da Sustentabilidade

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

Lâmpadas e economia


Cerca de 100 000 dólares. É o que a troca de 10 000 lâmpadas incandescentes por fluorescentes irá gerar de economia para seis hotéis da rede IHG em São Paulo, Salvador e Rio de Janeiro este ano ( a rede IHG é dona das bandeiras Crowne Plaza, Intercontinental e Holiday Inn Express) A medida foi tomada em maio. Antes disso, o hotel Crowne Plaza, em São Paulo, já tinha iniciado uma campanha para convencer os hóspedes a não exigir a troca diária das toalhas de banho, reduzindo assim o consumo de água e detergentes usados para lavá-las e a energia da secagem. Todo o processo, diz Francisco Cesar Garcia, gerente regional de operações da IHG, foi conduzido com muito cuidado. "Afinal, trata-se de um hábito muito arraigado à cultura dos hotéis, e que as pessoas associam à qualidade do atendimento", diz. Felizmente, a receptividade dos hóspedes à mudança foi favorável. Cerca de 80% atualmente não pede a troca diária das toalhas e, num período de mais de um ano, houve apenas cinco reclamações. "Aos poucos, o nosso setor, que não é muito avançado, vai incorporando boas práticas", afirma Garcia.

Blog da Sustentabilidade

terça-feira, 16 de outubro de 2007

Quero um balanço igual ao daquela empresa

Almocei esses dias com uma consultora de responsabilidade social/sustentabilidade e posso dizer: nada como ter acesso a informações privilegiadas para ter uma visão mais ampla sobre como as empresas vêm tratando o tema internamente, entre muros. Ou melhor, sobre como as empresas estão mesmo confusas sobre o que vem a ser sustentabilidade. A tal consultora, cujo nome obviamente vou omitir, me contou uma história a respeito de um de seus clientes, uma companhia gigantesca.

A empresa teria contratado a consultoria para ajudá-la a elaborar o seu balanço social. Já na primeira reunião, seus executivos teriam dito: "queremos um balanço social igual ao da Natura". Para quem não sabe, a empresa de cosméticos foi uma das primeiras, senão a primeira no Brasil, a adotar em 2001 o Global Reporting Initiative (GRI) - uma série de diretrizes para que as empresas divulguem seu desempenho financeiro, ambiental e social.

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sábado, 13 de outubro de 2007

Aracruz - quando o defeito vira qualidade

E aproveitando que estamos falando de balanço social, relatório e tal, essa semana estava fuçando o último Relatório Anual e de Sustentabilidade da Aracruz na internet e descobri algo que achei fantástico. A empresa não só pediu que dois especialistas fizessem uma análise crítica do documento ( sei de outras empresas que fazem isso informalmente), mas publicou suas impressões no próprio relatório. E, aparentemente, as impressões dessas pessoas não foram "canetadas" pra parecer mais favoráveis à empresa. Um dos pareceres é de Miguel Calmon, diretor do Programa Floresta Atlântica, da ONG The Nature Conservancy, que fez uma série de ressalvas à maneira como as informações foram apresentadas. Copiei aqui um trechinho:

"Considero que o relatório mostra, numa forma bastante pulverizada e às vezes subjetiva, os grandes avanços que a Aracruz tem feito na área ambiental, seja através de ações e projetos como de diversas parcerias. No que diz respeito às parcerias, a Aracruz deve buscar valorizar melhor os parceiros locais e nacionais. Quanto às ações, talvez fosse oportuno considerar a possibilidade de criar um tópico como "Investimentos Ambientais" para dar mais visibilidade e importância a um dos três fundamentos da sustentabilidade."

Mas entendam, por favor, que a questão aqui não é ressaltar as vulnerabilidades da Aracruz, mas elogiar sua prática, que torna o documento mais crível, interessante de ler, menos marketeiro.

Blog da Sustentabilidade

quarta-feira, 3 de outubro de 2007

Informação para consumir corretamente

Outro dia, numa conversa informal com Edson Grottoli, vice-presidente administrativo e de finanças da BSH, empresa dona das marcas de eletrodomésticos de linha branca Bosch e Continental, descobri uma coisa interessante. Algo que provavelmente muitas já pessoas sabem, mas eu não: o de que as máquinas de lavar roupa com abertura na frente, chamadas "front-loading", consomem menos energia e menos água que as lavadoras com abertura na parte de cima. Sou uma nulidade em física, mas como Grottoli me explicou, o consumo menor de energia está relacionada ao fato de que o movimento das front-loading recebe uma certa ajuda da gravidade. Segundo ele, no Brasil, as máquinas com abertura superior são maioria porque fomos muito influenciados pelos americanos. A máquina "front-loading" tem entre os seus principais adeptos os europeus, mais parcimoniosos com os recursos naturais e com o dinheiro. "Quase 100% do parque de máquinas de lavar da Europa hoje é front-loading", diz Grottoli, que acredita que, dia menos dia, o Brasil vai acabar entrando na onda. Os consumidores poderiam entrar mais rápido, porém, se fossem, assim como eu, informados sobre essas diferenças de maneira mais explícita, certa?

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quinta-feira, 20 de setembro de 2007

O Itaú no Dow Jones Sustainability Index

Continuam a todo vapor os esforços do Itaú para mostrar a Deus e ao mundo o seu lado verde, sustentável, de instituição financeira do bem. Participei nesta quarta-feira, dia 12, de um evento para jornalistas na sede do banco, aqui em São Paulo. O objetivo era discutir o Dow Jones Sustainability Index (DJSI), o índice que reúne empresas socialmente responsáveis listadas na Bolsa de Nova York. Obviamente, o objetivo do evento era também propagandear o fato de que, pelo oitavo ano consecutivo, o banco compôs o índice. E não há mal nenhum nisso. O Itaú pode e deve ficar orgulhoso do feito. Nesse período, outras empresas brasileiras, além de concorrentes diretos, como o Unibanco, entraram e saíram do DJSI. Ou seja, entraram, comemoraram, mas não deram conta de repetir a proeza no ano seguinte. Só o Itáu e a Cemig estrearam em 2000 e permanecem na brincadeira desde então. É que para se manter na carteira, as empresas têm de evoluir. Ou seja, se relatam fazer isso ou aquilo, no ano seguinte serão questionadas sobre os resultados daquele isso e aquilo. Quem pára no tempo, cai fora.

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